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7 de novembro de 2016

300 anos do Patriarcado de Lisboa

A 7 de novembro de 1716, uma bula do Papa Clemente XI criou o Patriarcado de Lisboa.

Papa Clemente XI

O título era uma honra para o clero português e para o rei D. João V, que há muito procurava essa distinção, querendo transformar Lisboa numa nova Roma.

D. João V

No século XVIII, Portugal era importante para a Cristandade, pois o território português estendia-se pelo Brasil, pela costa africana e, ainda, pelo Oriente, onde o Papa tinha confiado a evangelização aos reis de Portugal (e, por isso, aos missionários portugueses).
O ouro que, no início desse século, chegava do Brasil permitia ao rei D. João V sonhar com projetos e obras grandiosos.

Um dos coches da embaixada ao Papa (Museu dos Coches)

Em julho de 1716, D. João V enviou uma grande embaixada a Roma, uma das mais faustosas de todos os tempos, que incluía cinco grandes coches temáticos, para obter algumas prerrogativas para a Igreja Portuguesa, nomeadamente, a elevação da capela real do Paço da Ribeira à categoria de igreja patriarcal.
Foi nessa ocasião que D. João V prometeu o envio de uma armada portuguesa para suster o avanço do Império Otomano no Mar Mediterrâneo, o que se confirmou em 1717*.
Era uma ação política com o objetivo de prestigiar Lisboa.

D. Tomás de Almeida, 1.º Cardeal Patriarca de Lisboa
Com tamanho empenho e persistência do monarca português, o Papa iria satisfazer a sua vontade: Lisboa ganhou um patriarcado e uma igreja patriarcal - a antiga capela do Paço Real, que seria posteriormente transformada por obras monumentais.
Na Ribeira concentrava-se o poder político e o poder religioso.

Igreja Patriarcal (reconstrução virtual)

O terramoto de 1 de novembro de 1755 deitaria por terra o Paço Real e a Igreja Patriarcal.

Ruínas da Praça da Patriarcal


* Batalha de Matapão, perto da costa grega, em que a armada portuguesa teve um papel decisivo na derrota dos turcos, travando a pressão destes no Mar Mediterrâneo.


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