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Painel da autoria de Almada Negreiros. Decora aquele que era o espaço da entrada do edifício-sede do Diário de Notícias, na Av. da Liberdade (Lisboa). A foto não conseguiu abranger todo o painel: faltam pormenores nas zonas laterais.

25 de setembro de 2018

Cemitério medieval descoberto no centro de Lisboa


Este verão, ao serem feitas escavações para a instalação de ecopontos subterrâneos, na Rua do Poço do Borratém (Baixa de Lisboa), foi encontrado um conjunto de esqueletos numa necrópole (cemitério) que será de finais do século XIV e início do século XV.





Ali trabalham, agora, 6 arqueólogos e uma antropóloga. Os esqueletos estão a ser desenterrados e começaram a ser estudados, podendo as escavações ser vistas por quem passa na rua. Foi o que me aconteceu.



Segundo os arqueólogos, trata-se de "um cemitério de gente simples", pois aquela zona da cidade, na época, seria pobre.
Com as ossadas não foi encontrado qualquer tipo de espólio: "Não temos moedas, não temos nada" e "os corpos foram sepultados diretamente na terra ou envoltos em mortalha". Os esqueletos revelam muitas doenças. Como diz uma das arqueólogas, "os pobres tinham as doenças todas".




Sabe-se, também, que eram cristãos: os enterramentos cumpriram o ritual de colocar a cabeça virada a Oeste (poente) e os pés a Este (nascente).
"Homens, mulheres, jovens, crianças, adultos, há de tudo." Já foram encontrados 20 corpos e sabe-se que o cemitério seria maior, mas só foi escavado o retângulo onde se pensou instalar os ecopontos.




E isto tudo veio a propósito de uma conversa com a turma do 5.º G.
As conversas são como as cerejas os achados arqueológicos: atrás de um vem logo um outro.


23 de setembro de 2018

Equinócio de Outono 2018

O Equinócio de Outono de 2018 ocorreu hoje, dia 23 de setembro, às 02:54 horas. Este instante marcou o início do Outono no Hemisfério Norte, onde Portugal se localiza.
Esta estação prolonga-se até ao dia 21 de dezembro, às 22:23 horas, momento em que ocorre o próximo Solstício (o Solstício de Inverno).

O equinócio é o instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, passa no equador celeste. Nestas datas, o dia e a noite têm, muito aproximadamente, a mesma duração - o centro solar nasce no ponto cardeal Este e põe-se exatamente a Oeste, num intervalo de tempo de... 11:59 (cálculo para este ano).

Informa o Observatório Astronómico de Lisboa que só teremos «a duração da noite e do dia efetivamente iguais (…) no dia 26 de setembro de 2018, em que haverá muito perto de 12 horas de luz solar direta no solo. Nesse dia o disco solar nasce às 07:27:40 horas e põe-se às 19:27:26 horas (em Lisboa), diferindo a duração do dia e da noite em apenas 14 segundos.»

A figura mostra o ângulo de incidência dos raios solares em relação ao eixo da Terra, durante os equinócios.

18 de setembro de 2018

Feliz 2018-2019


No início de mais um ano escolar, desejo a todos os alunos, professores, pais e encarregados de educação que visitam o Historiando um ano feliz, em que todas as esperanças iniciais se concretizem.



18 de julho de 2018

Nelson Mandela - 100.º aniversário do seu nascimento


O Mundo celebra hoje o 100.º aniversário do nascimento de Nelson Mandela.



Nelson Mandela era um jovem advogado negro sul-africano, em 1962, ano em que foi preso.

Na África do Sul as leis discriminavam os negros, a maioria da população.
«Por muito que as políticas dos vários governos por vezes diferissem entre si, tinham em comum a manutenção deliberada da supremacia branca. Com um poder quase absoluto nas suas mãos, os brancos puderam lançar os alicerces da estrutura legal do apartheid


Era contra o regime de apartheid que Nelson Mandela lutava.
No julgamento afirmou as suas convicções: "Sou portador do ideal de uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas convivam em harmonia. É um ideal pelo qual estou pronto a morrer."

Prisão de Robben Island, onde Mandela esteve preso
Acusado de conspirar para derrubar o governo, Mandela foi condenado a prisão perpétua, juntamente com outros 7 ativistas.
Passaria na prisão 27 anos - foi libertado em fevereiro de 1990.



Os protestos dos negros sul-africanos tinham aumentado e existiam revoltas armadas. As situações de violência eram constantes. As críticas de muitos países tinham isolado a África do Sul.
Os governantes brancos perceberam que a segregação da população negra não podia continuar.
Em 1989 tinha havido greves de grandes dimensões por parte dos trabalhadores negros.
Foi na sequências destes últimos acontecimentos que o Presidente da República sul africana tomou a decisão de libertar Nelson Mandela.

Dia da libertação de Mandela - 11 de fevereiro de 1990
Foram necessários anos de negociações complexas entre Nelson Mandela, o Presidente da República (Frederic Willem de Klerk) e outras entidades até se chegar a acordo sobre a eleição de um novo parlamento e a possibilidade da maioria negra ter os mesmos direitos dos brancos e de exercer o poder.

Willem de Klerk e Nelson Mandela, em janeiro de 1994

As primeiras eleições livres, democráticas e multirraciais na África do Sul realizaram-se no dia 27 de abril de 1994.



Venceu o ANC, organização de que Mandela era líder, pelo que seria ele a formar governo.
No dia 10 de maio de 1994, Nelson Mandela tomou posse como Presidente. Depois de 27 anos como prisioneiro político, tornava-se chefe de estado da África do Sul.
A sua luta tinha valido a pena!


«Ia ter pela frente uma longa batalha pela conquista da igualdade económica e de acesso à educação, à habitação e ao emprego, mas pelo menos todos os sul-africanos, independentemente da cor da sua pele, eram agora iguais perante a lei e o racismo de Estado tinha sido finalmente derrubado.»



1 de julho de 2018

Diário de Notícias - o DN

No dia 29 de dezembro de 1864 foi editado o primeiro número do Diário de Notícias (DN).



O Diário de Notícias é - ao que julgo saber - o segundo jornal mais antigo de todos os que são editados em Portugal.

O DN abandonou a edição diária em suporte papel - ontem (30.06.2018) terá saído o seu último número.


Capa do DN n.º 54492, 30 de junho de 2018
A partir de hoje sairá em papel, semanalmente, aos domingos. Durante o resto da semana funcionará apenas online.

Capa do DN n.º 54493, 1 de julho de 2018

Pensemos que é um jornal com... 154 anos!
Fundado quando Portugal estava em plena monarquia constitucional e o rei era D. Luís I.

Eduardo Coelho num selo editado
por altura do centenário da fundação do DN 

Na sua origem esteve Eduardo Coelho, nascido em Coimbra, a 22 de Abril de 1835, numa rua que hoje tem o seu nome.
Veio para Lisboa, ainda muito novo, para se empregar.
Em 1857, entrou para a Imprensa Nacional, onde trabalhou na composição (produção) de livros.
Colaborou em várias publicações, tendo conhecido, então, Quintino Antunes, proprietário de uma tipografia - Tipografia Universal de Tomás Quintino Antunes.
E os dois fundaram o Diário de Notícias.

Tomás Quintino Antunes

O primeiro edifício onde funcionou o DN pertencia às oficinas de Quintino Antunes, localizando-se na esquina da Travessa do Poço da Cidade com a Rua dos Calafates (mais tarde, Rua do Diário de Notícias), local onde há registos de tipografias desde 1740.



«Três meses após a fundação, o "DN" tinha já, em exclusivo, 30 jovens vendedores pelas ruas de Lisboa, realizando uma média diária de 350 réis. Com ele nascera a imagem do ardina* lisboeta, hoje perpetuada na estátua que, em S. Pedro de Alcântara, rende homenagem a Eduardo Coelho.»
Marina Tavares Dias, Lisboa Desaparecida, vol. IV

* ardina - vendedor de jornais

Busto de Eduardo Coelho e, à frente, afigura do ardina
(que se pode ver com mais pormenor na figura da direita)

O Diário de Notícias foi inovador pelo tipo de textos (editorial, reportagem), pelo seu preço mais baixo (em comparação com os existentes à época) e por ser o primeiro a introduzir publicidade e a publicar anúncios.
(ver aqui texto do n.º 1 do DN)

A primeira ilustração no jornal surgiu ao fim de 13 anos, a 14 de junho de 1877, e tratava-se de um mapa relativo à guerra russo-turca.



Em 1940, o DN saiu do Bairro Alto e instalou-se ao cimo da Av. da Liberdade, num edifício construído de raiz para o efeito.

Av. da Liberdade, com o edifício do Diário de Notícias à esquerda.

O novo edifício desenhado por Stuart Carvalhais,
ainda antes da sua inauguração, para um suplemento do DN.

No interior do edifício existe um conjunto de painéis e de frescos da autoria de Almada Negreiros, em espaços que eram de acesso público.
Destaca-se um planisfério de 54 metros quadrados, gravado na pedra, onde Almada representou os quatro elementos da terra (água, fogo, terra e ar) e os doze signos do Zodíaco. 



Fresco Alegoria à Imprensa, de Almada Negreiros
Pormenor do mesmo fresco
Fresco Quem não sabe arte não-na estima
(nome retirado de um verso de Luís de Camões em Os Lusíadas, canto V)

O DN mudou-se, entretanto, para novas instalações. Esperemos que este valioso património não se perca e possa continuar a ser admirado. 
Que os novos proprietários saibam arte e a estimem!

E que o Diário de Notícias, património da nossa imprensa, num tempo tão difícil para os jornais em papel, possa continuar a ser uma referência do jornalismo em Portugal.

DN, edição comemorativa dos 150 anos
(29 de dezembro de 2014)


29 de junho de 2018

À memória do Professor José Manuel Tengarrinha

Morreu José Manuel Tengarrinha.
Nascido em Portimão, em Abril de 1932, foi (entre outras profissões) um político, professor e historiador que se distinguiu no estudo do período liberal e da história da imprensa.

Opositor ao regime de Salazar, viria a estar ligado, já no período da Primavera Marcelista, à fundação da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) para disputar as eleições de 1969. 
Detido várias vezes pela polícia política, estava na prisão de Caxias quando da revolução de 25 de Abril de 1974.

Um conjunto de opositores ao Estado Novo presos uma semana antes do 25 de Abril de 1974. 
Esta fotografia foi feita 40 anos depois dessa detenção. José Manuel Tengarrinha é o 3.º a contar da esquerda.
Uma entrevista a esse respeito pode ser vista aqui

Após o 25 de Abril, a CDE constituiu-se em partido - MDP/CDE -, tendo conseguido eleger 5 deputados à Assembleia Constituinte. José Manuel Tengarrinha foi um desses deputados, mais tarde também eleito para a Assembleia da República.
Professor da Faculdade de Letras, época em que o conheci, dedicou-se mais à carreira académica. 
Voltaria à política recentemente, tendo aderido ao partido Livre.

Cartaz numa homenagem feita a José Manuel Tengarrinha, em 2012.



Algumas das obras de História da autoria de José Manuel Tengarrinha


21 de junho de 2018

O solstício de verão e o cromeleque de Almendres

O dia de hoje assinalou o solstício de Verão - início desta estação no hemisfério Norte. 

Desde a antiguidade que é festejado, sendo associado, em muitas culturas, a rituais de fertilidade.  Ainda hoje, nomeadamente nos países nórdicos, se honra o Sol em festivais.



O Homem terá começado a "pensar" o tempo, no território que é hoje Portugal, em épocas recuadas.
Dessa época chegaram-nos os chamados monumentos megalíticos, conjuntos monumentais de pedras associados a espaços sagrados, podendo ter a função de "marcadores do tempo".

O Cromeleque dos Almendres, no concelho de Évora, é um desses lugares. 
Trata-se do maior monumento megalítico - o mais vasto conjunto de menires estruturados da Península Ibérica - e um dos maiores em todo o mundo.  
«Interpretado como local associado a cultos astrais, ou a práticas propiciatórias da fecundidade, o recinto megalítico mantém um carácter mágico e misterioso, evocando estranhos rituais, cujos contornos nunca serão plenamente esclarecidos.» (Álvaro Duarte de Almeida e Duarte Belo, Portugal Património)


Cromeleque é um conjunto de menires dispostos em círculo, elipses, semicírculo ou, ainda, em estruturas mais complexas, como é o caso de Almendres. 
«Formado por mais de 95 monólitos graníticos, implanta-se numa clareira e segue um contorno quase circular cujo diâmetro atinge, na extensão máxima, os 70 metros. Os menires, de diferentes tamanhos e organizados em pequenos aglomerados, apresentam, em geral, uma forma ovóide.» (idem)


Há estudos que remetem a sua origem para os quinto e quarto milénios a.C., mas também há quem o localize no final do Neolítico/início da Idade do Cobre (cerca de 3000 - 2500 a.C.).

A pouco mais de 1 km, localiza-se um menir de grandes dimensões, o Menir dos Almendres.


Este estará relacionado com o cromeleque, uma vez que, no dia do solstício de Verão, o Menir dos Almendres aponta exatamente para o nascer do sol quando visto de dentro do círculo.


O Cromeleque dos Almendres foi classificado como Monumento Nacional, no seguimento de "diversos estudos e trabalhos de escavação efectuados vieram ampliar o reconhecimento do interesse arqueológico e científico do sítio, bem como do seu contexto paisagístico".


Como afirmou Fernando Correia de Oliveira, em História do Tempo em Portugal, «os primeiros calendários "portugueses", ainda e sempre prontos a funcionar, a indicar equinócios e solstícios, datam de há cinco mil anos.»