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Painel da autoria de Almada Negreiros. Decora aquele que era o espaço da entrada do edifício-sede do Diário de Notícias, na Av. da Liberdade (Lisboa). A foto não conseguiu abranger todo o painel: faltam pormenores nas zonas laterais.

1 de julho de 2018

Diário de Notícias - o DN

No dia 29 de dezembro de 1864 foi editado o primeiro número do Diário de Notícias (DN).



O Diário de Notícias é - ao que julgo saber - o segundo jornal mais antigo de todos os que são editados em Portugal.

O DN abandonou a edição diária em suporte papel - ontem (30.06.2018) terá saído o seu último número.


Capa do DN n.º 54492, 30 de junho de 2018
A partir de hoje sairá em papel, semanalmente, aos domingos. Durante o resto da semana funcionará apenas online.

Capa do DN n.º 54493, 1 de julho de 2018

Pensemos que é um jornal com... 154 anos!
Fundado quando Portugal estava em plena monarquia constitucional e o rei era D. Luís I.

Eduardo Coelho num selo editado
por altura do centenário da fundação do DN 

Na sua origem esteve Eduardo Coelho, nascido em Coimbra, a 22 de Abril de 1835, numa rua que hoje tem o seu nome.
Veio para Lisboa, ainda muito novo, para se empregar.
Em 1857, entrou para a Imprensa Nacional, onde trabalhou na composição (produção) de livros.
Colaborou em várias publicações, tendo conhecido, então, Quintino Antunes, proprietário de uma tipografia - Tipografia Universal de Tomás Quintino Antunes.
E os dois fundaram o Diário de Notícias.

Tomás Quintino Antunes

O primeiro edifício onde funcionou o DN pertencia às oficinas de Quintino Antunes, localizando-se na esquina da Travessa do Poço da Cidade com a Rua dos Calafates (mais tarde, Rua do Diário de Notícias), local onde há registos de tipografias desde 1740.



«Três meses após a fundação, o "DN" tinha já, em exclusivo, 30 jovens vendedores pelas ruas de Lisboa, realizando uma média diária de 350 réis. Com ele nascera a imagem do ardina* lisboeta, hoje perpetuada na estátua que, em S. Pedro de Alcântara, rende homenagem a Eduardo Coelho.»
Marina Tavares Dias, Lisboa Desaparecida, vol. IV

* ardina - vendedor de jornais

Busto de Eduardo Coelho e, à frente, afigura do ardina
(que se pode ver com mais pormenor na figura da direita)

O Diário de Notícias foi inovador pelo tipo de textos (editorial, reportagem), pelo seu preço mais baixo (em comparação com os existentes à época) e por ser o primeiro a introduzir publicidade e a publicar anúncios.
(ver aqui texto do n.º 1 do DN)

A primeira ilustração no jornal surgiu ao fim de 13 anos, a 14 de junho de 1877, e tratava-se de um mapa relativo à guerra russo-turca.



Em 1940, o DN saiu do Bairro Alto e instalou-se ao cimo da Av. da Liberdade, num edifício construído de raiz para o efeito.

Av. da Liberdade, com o edifício do Diário de Notícias à esquerda.

O novo edifício desenhado por Stuart Carvalhais,
ainda antes da sua inauguração, para um suplemento do DN.

No interior do edifício existe um conjunto de painéis e de frescos da autoria de Almada Negreiros, em espaços que eram de acesso público.
Destaca-se um planisfério de 54 metros quadrados, gravado na pedra, onde Almada representou os quatro elementos da terra (água, fogo, terra e ar) e os doze signos do Zodíaco. 



Fresco Alegoria à Imprensa, de Almada Negreiros
Pormenor do mesmo fresco
Fresco Quem não sabe arte não-na estima
(nome retirado de um verso de Luís de Camões em Os Lusíadas, canto V)

O DN mudou-se, entretanto, para novas instalações. Esperemos que este valioso património não se perca e possa continuar a ser admirado. 
Que os novos proprietários saibam arte e a estimem!

E que o Diário de Notícias, património da nossa imprensa, num tempo tão difícil para os jornais em papel, possa continuar a ser uma referência do jornalismo em Portugal.

DN, edição comemorativa dos 150 anos
(29 de dezembro de 2014)


29 de junho de 2018

À memória do Professor José Manuel Tengarrinha

Morreu José Manuel Tengarrinha.
Nascido em Portimão, em Abril de 1932, foi (entre outras profissões) um político, professor e historiador que se distinguiu no estudo do período liberal e da história da imprensa.

Opositor ao regime de Salazar, viria a estar ligado, já no período da Primavera Marcelista, à fundação da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) para disputar as eleições de 1969. 
Detido várias vezes pela polícia política, estava na prisão de Caxias quando da revolução de 25 de Abril de 1974.

Um conjunto de opositores ao Estado Novo presos uma semana antes do 25 de Abril de 1974. 
Esta fotografia foi feita 40 anos depois dessa detenção. José Manuel Tengarrinha é o 3.º a contar da esquerda.
Uma entrevista a esse respeito pode ser vista aqui

Após o 25 de Abril, a CDE constituiu-se em partido - MDP/CDE -, tendo conseguido eleger 5 deputados à Assembleia Constituinte. José Manuel Tengarrinha foi um desses deputados, mais tarde também eleito para a Assembleia da República.
Professor da Faculdade de Letras, época em que o conheci, dedicou-se mais à carreira académica. 
Voltaria à política recentemente, tendo aderido ao partido Livre.

Cartaz numa homenagem feita a José Manuel Tengarrinha, em 2012.



Algumas das obras de História da autoria de José Manuel Tengarrinha


21 de junho de 2018

O solstício de verão e o cromeleque de Almendres

O dia de hoje assinalou o solstício de Verão - início desta estação no hemisfério Norte. 

Desde a antiguidade que é festejado, sendo associado, em muitas culturas, a rituais de fertilidade.  Ainda hoje, nomeadamente nos países nórdicos, se honra o Sol em festivais.



O Homem terá começado a "pensar" o tempo, no território que é hoje Portugal, em épocas recuadas.
Dessa época chegaram-nos os chamados monumentos megalíticos, conjuntos monumentais de pedras associados a espaços sagrados, podendo ter a função de "marcadores do tempo".

O Cromeleque dos Almendres, no concelho de Évora, é um desses lugares. 
Trata-se do maior monumento megalítico - o mais vasto conjunto de menires estruturados da Península Ibérica - e um dos maiores em todo o mundo.  
«Interpretado como local associado a cultos astrais, ou a práticas propiciatórias da fecundidade, o recinto megalítico mantém um carácter mágico e misterioso, evocando estranhos rituais, cujos contornos nunca serão plenamente esclarecidos.» (Álvaro Duarte de Almeida e Duarte Belo, Portugal Património)


Cromeleque é um conjunto de menires dispostos em círculo, elipses, semicírculo ou, ainda, em estruturas mais complexas, como é o caso de Almendres. 
«Formado por mais de 95 monólitos graníticos, implanta-se numa clareira e segue um contorno quase circular cujo diâmetro atinge, na extensão máxima, os 70 metros. Os menires, de diferentes tamanhos e organizados em pequenos aglomerados, apresentam, em geral, uma forma ovóide.» (idem)


Há estudos que remetem a sua origem para os quinto e quarto milénios a.C., mas também há quem o localize no final do Neolítico/início da Idade do Cobre (cerca de 3000 - 2500 a.C.).

A pouco mais de 1 km, localiza-se um menir de grandes dimensões, o Menir dos Almendres.


Este estará relacionado com o cromeleque, uma vez que, no dia do solstício de Verão, o Menir dos Almendres aponta exatamente para o nascer do sol quando visto de dentro do círculo.


O Cromeleque dos Almendres foi classificado como Monumento Nacional, no seguimento de "diversos estudos e trabalhos de escavação efectuados vieram ampliar o reconhecimento do interesse arqueológico e científico do sítio, bem como do seu contexto paisagístico".


Como afirmou Fernando Correia de Oliveira, em História do Tempo em Portugal, «os primeiros calendários "portugueses", ainda e sempre prontos a funcionar, a indicar equinócios e solstícios, datam de há cinco mil anos.»


19 de junho de 2018

Final de ano letivo


No fim de mais um ano letivo, expressamos o nosso desejo de termos sido úteis a quem persegue os caminhos da História, na perspetiva do aprendiz (que todos acabamos por ser...).


Congratulamo-nos pelos sucessos que possam ter sido alcançados e deixamos os votos de felicidades aos alunos que irão entrar num novo ciclo escolar.




Boas férias para todos!

Por aqui, prosseguimos historiando...


7 de junho de 2018

Ficha de avaliação do 6.º ano - um erro no Guião

Peço desculpa, mas...

Quando falamos em censura e na polícia política... não estamos a falar de batatas!

Por lapso, aparece um objetivo que é da ficha de avaliação anterior - cortem!

A Andreia achou estranho e perguntou.
(está uma menina aplicada!)


Fases da República (em Portugal)



Datas das mudanças:

     1910  -  5 de outubro  -  Implantação da República

     1926  -  28 de maio  -  Golpe militar 

     1933  -  Aprovação da Constituição

     1974  -  25 de abril - Golpe militar


3 de junho de 2018

Ficha de Avaliação - 6.º ano

A chegar ao fim!...

O Guião de Estudo para a última ficha de avaliação.

Bom estudo!

Qualquer dúvida... já sabem: carloscarrasco9@gmail.com   


O Estado Novo

Uma apresentação atualizada sobre o Estado Novo, preparada com o objetivo de facilitar o estudo para a ficha de avaliação.


4 de maio de 2018

3 de maio de 2018

Ficha de Avaliação do 6.º A adiada

Na incerteza da possibilidade de realização amanhã, a ficha de avaliação da turma 6.º A ficou adiada para dia 10 de maio.

1 de maio de 2018

Ficha de Trabalho para Apoio ao Estudo - 6.º D e 6.º E

Ficha de Trabalho para a sessão de Apoio ao Estudo do 6.º D e do 6.º E, no dia 2 de maio.

Se não conseguirem imprimir, resolvam numa folha à parte.

1.º de Maio

O chamado "primeiro 1.º de maio", em 1974.
A comemoração do Dia do(s) Trabalhador(es) em liberdade.







29 de abril de 2018

Fichas de avaliação - Turmas 6.º A, 6.º D, 6.º E, 6.º F e 6.º G

As turmas do 6.º ano podem encontrar aqui o Guião de Estudo para a próxima ficha de avaliação.

Qualquer dúvida pode ser colocada para carloscarrasco9@gmail.com

Bom estudo

Calendário:
6.º A - 4 de maio (em caso de efetivação da greve dos funcionários, a ficha será adiada para dia 10 de maio)
6.º D e 6.º F - 7 de maio
6.º E - 8 de maio


28 de abril de 2018

Turma 6.º E - Ficha sobre a guerra civil (1832-34)

Os alunos do 6.º E que se atrasaram na realização do trabalho sobre a guerra civil entre liberais e absolutistas encontram aqui a Ficha de Trabalho.

Mas, nesta altura, é preferível concentrarem-se na realização da ficha que vos entreguei ontem (6.ª feira, 27 de abril) como TPC, sobre a 2.ª metade do século XIX - a ficha de avaliação é dia 8.
Poderão entregar a primeira das fichas mais tarde.

Bom estudo e bom fim de semana (apesar da chuva).


25 de abril de 2018

O Movimento dos Capitães

«O Movimento dos Capitães iniciou-se no verão de 1973, por iniciativa de um grupo de oficiais de postos médios (capitães e majores) dos quadros permanentes do Exército, em reação a dois decretos publicados pelo Governo que visavam facilitar o acesso à carreira militar e a rápida promoção ao posto de capitão, de oficiais milicianos, necessários à continuação da guerra colonial. Este movimento corporativo evoluiu rapidamente para a contestação à continuação da guerra, nas circunstâncias em que os militares portugueses a faziam, argumentando com o desprestígio das Forças Armadas. Alguns destes militares, cujo número foi sempre crescendo, acabaram por pôr em causa o próprio regime, e iniciar uma trajectória de confronto, que acabaria no planeamento de uma operação militar e na elaboração de um programa político de índole democrática, com vista ao seu derrube, o que ocorreu em 25 de abril de 1974.»
Joana Pontes, Rodrigo de Sousa e Castro e Aniceto Afonso, A Hora da Liberdade




A placa que se encontra num plano superior assinala a realização, na casa onde está afixada (no Monte Sobral - Alcáçovas), da reunião que pode ser designada de assembleia constituinte do Movimento dos Capitães, a 9 de setembro de 1973.
Já antes se tinha realizado uma reunião clandestina de capitães, a 21 de agosto de 1973, em Bissau (Guiné).


Legislação do dia 25 de abril de 1974

A Lei n.º 1/74 destitui das suas funções o Presidente da República Américo Tomás e o Governo autoritário dirigido por Marcelo Caetano, dissolvendo a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado e determinando que os poderes destes órgãos passem a ser exercidos pela Junta de Salvação Nacional.

O Decreto-Lei n.º 171/74 extingue a PIDE/DGS, a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa e altera algumas atribuições da Polícia Judiciária e da Guarda Fiscal. Ficarão na dependência das Forças Armadas e à sua custódia todo o material mecânico, veículos, armamento e munições, mobiliário, livros, papéis de escrituração, documentos, arquivos e demais elementos afetos à extinta DGS.


19 de abril de 2018

Portugal na 2.ª metade do século XIX - Transportes e comunicações




Encontram aqui a apresentação sobre a modernização verificada nas vias de comunicação, nos transportes e nos meios de comunicação, na 2.ª metade do século XIX, em Portugal.


















18 de abril de 2018

A herança muçulmana na Península Ibérica





Património cultural


«O património cultural é importante para nós percebermos as condições em que vivemos hoje. Porque nós somos o resultado de uma série de gente que viveu aqui, neste mesmo espaço, ao longo do tempo. (…) E dessa vida subsistiram memórias, há coisas que ficaram no território, ruínas, vestígios arqueológicos… e as mais recentes ficaram na memória das pessoas. (…) aquilo que temos hoje é o resultado desse percurso de centenas ou mesmo de milhares de anos.»

(Jorge Raposo, arqueólogo do Ecomuseu Municipal do Seixal, 
em entrevista ao Clube de Jornalismo da Escola Paulo da Gama)


15 de abril de 2018

Portugal na 2.ª metade do século XIX - Atividades económicas


Encontram aqui a apresentação sobre a situação de Portugal em meados do século XIX, a alteração política verificada nessa época e o desenvolvimento verificado nas atividades económicas produtivas, sobretudo na agricultura e na indústria.


9 de abril de 2018

Batalha de La Lys - Centenário


«Abril, 9
Aconteceu o que era de prever: um enorme desastre no sector guarnecido pela nossa divisão. Às 4.15 ouviu-se o primeiro tiro sobre St. Venant pela peça de longo alcance que há alguns dias estava calada. (...)
O tiro às 4.15 parece ter sido o sinal para um bombardeamento terrível e certeiro em todo o sector.»
(Tamagnini de Abreu e Silva, general comandante do Corpo Expedicionário Português - C.E.P.)



Poucos dias antes, ingleses e portugueses tinham acordado na substituição das forças portuguesas da linha da frente. O comando britânico estava convencido que o ataque principal dos alemães não se faria por aquela zona. Foi dada ordem para a retirada de um batalhão, ficando as tropas portuguesas reduzidas à 2.ª Divisão, comandada por Gomes da Costa. 
Na véspera da batalha, foi dada ordem para a substituição da 2.ª Divisão por tropas inglesas, o que deveria começar a verificar-se no dia 9 de abril. Mas o ataque alemão foi por ali e verificou-se logo de madrugada.

«Aparece como certo que o boche [alemão] atacou na melhor hora, em plena rendição, quando todo o sector português estava em movimento e antes que as divisões inglesas destinadas a substituir as nossas, reconhecidamente extenuadas, tivessem chegado à frente. A rede de espionagem dentro da qual vivíamos e de que não sabíamos precaver-nos, indicou-lhes o dia próprio e o momento mais favorável.»
(Jorge Brun, A malta das trincheiras. Migalhas da Grande Guerra, editado em 1919)



«O ataque foi bem planeado, bem preparado e executado de forma eficaz. A preparação da artilharia foi longa e intensa. O dia foi bem escolhido, pelo espesso nevoeiro que caía sobre as linhas. Os gases de combate foram usados da forma habitual. O assalto fez-se de acordo com os princípios táticos consolidados pela longa guerra das trincheiras (...) A defesa do sector português e de certa forma dos sectores vizinhos, não pôde organizar-se de forma consistente.»



«3.ª feira. Às quatro horas da manhã, estando tudo sossegado, cai sobre a nossa frente e alongando-se para o norte, furioso bombardeamento. As granadas de todos os calibres chovem em volta de nós com uma intensidade de que não temos memória. Supusemos a princípio que se tratava simplesmente de um raid, mas acabámos por pôr de parte essa suposição porque o bombardeamento continuava sempre com o mesmo furor.
Às 10 horas soldados feridos, chegados a pé das primeiras linhas, informavam que massas compactas e sucessivas de soldados inimigos assaltaram os nossos entrincheiramentos, sendo o massacre horrível. Quando o inimigo saltou o parapeito já o bombardeamento tinha aniquilado quase totalmente as tropas das primeiras linhas; apesar disso os elementos que foram poupados e especialmente os redutos, atrás das linhas, guarnecidos rapidamente pelas nossas tropas de apoio, fizeram cair muralhas inteiras de assaltantes. A breve trecho, porém, estes se viram cercados por tropas muitas vezes superiores em número, que os subjugaram. Era a sério a ofensiva boche (...)»
Manuel de Oliveira, Notas de um soldado em campanha (editado em 1919)