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4 de março de 2018

O Forte do Alqueidão


O Forte do Alqueidão localiza-se no concelho de Sobral de Monte Agraço, distrito de Lisboa.
É o ponto mais alto das Linhas de Torres, a 439 metros de altitude, e é o forte que ocupa uma área maior: cerca de 35.000 m.
Integrava um conjunto de oito fortificações existentes naquele concelho, as quais, no contexto da Guerra Peninsular (1807-1814), faziam parte da 1.ª Linha de Torres Vedras.

Localização do Forte do Alqueidão (círculo vermelho)


Os canhões destas fortificações cruzavam fogo sobre os acessos à serra, impedindo a passagem das tropas francesas, pelo que estes fortes tiveram um papel decisivo no sucesso da estratégia que levou à sua retirada.
O exército invasor, comandado pelo general André Massena, "estacionou" na frente das Linhas entre 9 de outubro e 19 de novembro de 1810. Durante este período de tempo houve vários confrontos militares.
Massena constatou as limitações do seu exército para ultrapassar as posições luso-britânicas - número de soldados insuficiente, falta de munições e escassez de alimentos.
Os franceses retiraram da frente das Linhas "pela calada da noite" - pelo meio da neblina -, de 14 para 15 de novembro.     

Planta do Forte

As obras da construção do Forte do Alqueidão tiveram início a 4 de novembro de 1809, sob a direção do capitão Williams. 
Aí foi instalado o Posto de Comando das Linhas. À sua frente estendia-se uma área de terreno que as forças luso-britânicas pensavam que iria ser um intenso campo de batalha. 
Do seu ponto mais alto avistavam-se outros pontos do sistema defensivo, pelo que eram possíveis as comunicações, o que era importante.


Dada a importância da sua missão, foi o único forte da região guarnecido com tropa de linha – a Brigada do general Pack e contou, por decisão de William Beresford, com a criação excecional de duas Companhias de Artilharia. 
O seu efetivo total ascendia a 1.590 homens, e estava artilhado com 27 peças.


Wellington fez do forte o seu posto de comando por excelência. Deslocava-se quase diariamente ao Alqueidão para vigiar o inimigo.

No concelho do Sobral de Monte Agraço encontrava-se, ainda, o quartel-general de Arthur Wellesley, 1.º duque de Wellington.

Quartel-general de Arthur Wellesley (futuro Duque de Wellington)
Quinta dos Freixos (Pêro Negro - Sobral de Monte Agraço)

Terminado o conflito, o conjunto de fortes caiu em abandono até aos nossos dias, quando o património das Linhas de Torres voltou a ser revalorizado.





A informação base sobre o forte foi encontrada aqui.

Para quem tem interesse na realização da Rota das linhas de Torres siga esta ligação.


1 de março de 2018

Desembarque do exército britânico

A participação do exército inglês na luta contra os franceses foi fundamental para o insucesso destes nas 3 invasões que fizeram ao nosso país.

Gravura de Henry L'Êveque representando o desembarque do exército britânico

Comandado por Wellesley (futuro Duque de Wellington), o desembarque do exército britânico aconteceu em Lavos, na margem sul do rio Mondego (em frente a Figueira da Foz).

O desembarque decorreu nos cinco primeiros dias de agosto de 1808, com alguns problemas provocados pela ondulação naquela zona da costa, que dificultou as manobras. 

O exército inglês recebeu logo a ajuda dos portugueses da zona, através do fornecimento de botes para o desembarque, de cavalos, mulas, burros e carros de bois para o transporte dos equipamentos, e de provisões (mantimentos).


11 de janeiro de 2017

Invasões francesas - vídeo

Aproximam-se as invasões francesas!...
Um pequeno vídeo, com sentido de humor, para melhor compreender os franceses que nos invadiram.




14 de dezembro de 2015

Invasões francesas

Quadro síntese das três invasões francesas


Invasão
Data do início da invasão
General que a comandou
Principais batalhas
Data em que terminou
1.ª
1807
Junot
Roliça e Vimeiro
1808
2.ª
1809
Soult
1809
3.ª
1810
Massena
Buçaco
[+ confrontos nas Linhas de Torres]
1811


4 de fevereiro de 2015

Linhas de Torres Vedras

Podemos sintetizar dizendo que as Linhas de Torres eram conjuntos de fortes dispostos de forma a constituir linhas, guarnecidos de militares e equipados com canhões, que tinham por objetivo impedir que as tropas francesas (na 3.ª invasão) chegassem a Lisboa.
E cumpriram plenamente o objetivo.



Resumidamente, a sua história é a que se segue:
Depois de falhada a segunda invasão, era lógico que os franceses tentassem uma nova invasão militar.
O comandante-chefe do exército inglês, Duque de Wellington, imaginou uma linha de fortes que se estenderia do rio Tejo ao oceano Atlântico. Acabaram por ser 3 linhas, as quais vieram a ser conhecidas por Linhas de Torres Vedras e que seriam um dos mais importantes e bem sucedidos sistemas de defesa jamais construídos.
De acordo com a estratégia de Wellington, “O grande objetivo em Portugal é a posse de Lisboa e do Tejo (…)”
Ainda havia outro objetivo: assegurar que as tropas inglesas pudessem embarcar em Lisboa… caso a defesa corresse mal.


Mapa das Linhas de Torres

As Linhas de Torres Vedras começaram a ser construídas ainda em 1809, sob a supervisão de engenheiros portugueses e britânicos. Trabalharam na sua construção cerca de 7000 trabalhadores, juntamente com um grande número de militares, no maior segredo e no mais curto espaço de tempo possíveis.
Cada forte estava adaptado ao tipo de terreno e diferenciava-se no tamanho, na forma e no poder de fogo. Fizeram-se ainda outras obras e adaptações nas áreas à volta.


Forte de S. Vicente

Quando o exército francês, comandado por Massena, já se dirigia para Coimbra, travou-se a batalha do Buçaco, vencida pelas tropas comandadas por Wellington (27 de Setembro de 1810). Depois, o exército aliado retirou-se em direção a Lisboa, atraindo a perseguição do exército francês até junto das Linhas de Torres Vedras.


Batalha do Buçaco

Nas linhas existiam 247 canhões entrincheirados e encontravam-se 30.000 defensores, número que aumentou com a chegada dos militares que vinham com Wellington desde o Buçaco (60 mil?). Além disso, a esquadra inglesa permanecia no porto de Lisboa.
Quando os franceses chegaram a essa região de montes a norte de Lisboa, foram impossibilitados de avançar devido ao fogo da artilharia aliada. Depois de alguns confrontos (meados de outubro), Massena fez vários reconhecimentos das Linhas, procurando pontos fracos que permitissem um ataque.
Alguns ataques frustrados revelaram que era muito difícil, se não mesmo impossível, forçar as Linhas sem perder um enorme número de soldados.
O exército francês instalou-se em frente às Linhas durante alguns meses. Atrás das Linhas chegaram reforços vindos de Inglaterra.


Forte de S. Vicente

A 5 de Março de 1811, o exército francês, a sofrer de fome, sem reforços e reduzido a aproximadamente 42.000 soldados, começou a sua retirada para a fronteira espanhola. 


Retirada das tropas de Massena

Podem ver um divertido vídeo que já foi publicado aqui (e de que já não me lembrava).


28 de janeiro de 2015

Ir ou não ir para o Brasil?

Entalado entre ingleses e franceses, D. João VI, príncipe regente em 1807, tinha de escolher...

História contada com sotaque brasileiro.



11 de dezembro de 2014

Invasões francesas - Guia n.º 3

Para os alunos do 6.º B, 6.º C e 6.º D que possam não ter o Caderno de Perguntas - os exercícios que resolvemos nas aulas do Guia n.º 3.





30 de novembro de 2014

O dia em que Junot ocupou Lisboa

Foi a 30 de novembro de 1807. A família real tinha partido para o Brasil um dia antes.
O general Junot comandava as tropas francesas que concretizaram a 1.ª das invasões francesas.

Terá ficado instalado no Palácio Quintela, mandado construir por Luís Rebelo Quintela, no loal onde, antes do terramoto de 1755, existiam palacetes (solares) pertencentes a importantes famílias nobres - os Condes do Vimioso e os Marqueses de Valença.


Também já li que o general Junot teria feito sua residência o chamado Palácio do Loreto, um pouco mais acima, no Largo do Chiado.


Terá vivido nos dois palácios?


29 de novembro de 2013

A partida da família real para o Brasil - 29 de novembro de 1807

A 29 de novembro de 1807, partia do rio Tejo - das docas de Belém - a armada que levava a família real para o Brasil, fugindo do exército francês que já invadira o reino.

O embarque tinha acontecido dois dias antes, mas o tempo impedia a partida dos navios.
Junot com a sua guarda avançada corria para Lisboa a fim de evitar a fuga real...

O vento mudou na manhã de 29 e logo pelas sete horas da manhã foi dada ordem para levantar âncora. Junot não chegou a tempo...
Cerca de sete semanas depois, D. João e a sua corte chegavam ao Brasil.
Para trás - no reino de Portugal - ficara um panorama desolador...



14 de novembro de 2011

As invasões francesas

Na turma do 6.º 7 já entrámos no subtema 2 - 1820 e o liberalismo.
Na última aula falámos sobre a Revolução Francesa e Napoleão Bonaparte. E o exército napoleónico está pronto para invadir Portugal...

Poderão ver aqui a apresentação sobre As invasões francesas.

9 de janeiro de 2011

Razões que levaram à Revolução de 1820

Considerei que o esquema agora apresentado é mais claro quanto às razões que levaram a que fosse feita a Revolução Liberal de 1820.


Este esquema substitui o que foi aqui apresentado no dia 6 de Janeiro.

5 de janeiro de 2011

A fuga da família real para o Brasil (9)

«Salvador era então a cidade mais povoada do império português (...)
Depois de um dia ancorada, a família real pôs pé em solo brasileiro pela primeira vez. Depararam com uma recepção calorosa - os notáveis da cidade, os donos das plantações, até grupos de escravos alinhavam-se nas ruas, saudando os hóspedes inesperados. Todos sentiam um temor respeitoso pelo que era um acontecimento único na história do colonialismo europeu. Até àquele momento nenhum monarca reinante tinha viajado até às américas sequer em visita, quanto mais para instalar ali a sua corte. Esse sentimento misturou-se com admiração pela novidade assim que avistaram Dona Carlota, uma mulher, no mínimo, de aspecto invulgar. Era baixa (menos de metro e meio), morena, e, para a ocasião, envergava um curioso turbante que lhe escondia o crânio rapado. Surgiram depois outras damas da corte, usando turbantes semelhantes, para assombro da multidão que as esperava. Os cortesãos e seus criados seguiam-nas naquele clima húmido, entrouxados em jaquetas cintadas, calções pelo joelho e meias altas.
É difícil imaginar o que a família real terá achado de Salvador naquela tarde clara...»


Patrick Wilcken, Império à deriva
A família real acaba de se instalar no Brasil (Janeiro de 1808), onde permanecerá durante anos.
Acaba aqui a transcrição de textos sobre a fuga e a permanência da corte portuguesa no Brasil.

Nas nossas aulas já avançámos para a Revolução Liberal portuguesa (1820).
A imagem do cabeçalho do blogue já é relativa ao período pós-revolução.

Brevemente teremos aqui mais informações sobre este novo tema.

A fuga da família real para o Brasil (8)

Os "acidentes" da viagem foram... mais que muitos: mastros que se partiram, água que entrava nos navios, falta de provisões (incluindo água), etc.

«As carências começaram a agudizar-se, à medida que as semanas se arrastavam. A maioria das mulheres atravessaria o oceano com a roupa que trazia no corpo no dia do embarque porque os caixotes de linho tinham sido deixados para trás, em Lisboa. Em casos desesperados, foram distribuídos lençóis e mantas da armada britânica prontamente transformados em peças de vestuário.
No Afonso de Albuquerque [um dos navios] os tormentos agravaram-se com uma praga de piolhos que se espalhou pelo convés a abarrotar. Os cavalheiros deitavam ao mar as cabeleiras infestadas, e as senhoras, de D. Carlota para baixo, faziam fila para rapar a cabeça. Algures no Atlântico Norte, as damas de honor carecas reuniram-se no castelo da proa (...). O couro cabeludo era então lavado e tratado com pós para eliminar os piolhos sobreviventes.
(...)
A ansiedade aumentava a bordo, à medida que a frota real se aproximava do seu destino. (...)
Os caprichos do tempo e as necessidades de uma armada mal equipada fizeram desembarcar a família real [em Salvador] mais de 700 milhas a norte do alvo previsto [Rio de Janeiro].
(...) esperavam multidões a darem as boas vindas, mas as docas estavam vazias, quando os navios entraram na baía de Salvador.»

Só o governador os foi receber. «(...) mandara evacuar as ruas em volta do porto, por não estar seguro dos desejos do regente. Em resposta, D. João disse que gostaria de ver os seus súbditos do Novo Mundo, e, depois de se passar palavra, as ruas encheram-se a pouco e pouco com muitos curiosos. (...)
A família real e a elite da metrópole chegavam numa armada em muito pior estado do que alguns dos mais degradados navios mercantes que aportavam neste cais normalmente movimentado. Mais espantoso ainda, faziam-se pedidos de roupa de senhora para bordo, no sentido de socorrer passageiras vestidas com os trapos que restavam dos trajes que usavam à partida de Lisboa, ou com vestes improvisadas durante a viagem.
Uma parte do mistério do poder colonial ruiu para sempre naquele dia. (...)»

Patrick Wilcken, Império à deriva

A fuga da família real para o Brasil (7)

«Na manhã do dia 29 de Novembro o vento mudou. Às sete da manhã foi dada ordem para levantar âncora. Parara de chover e, com céu limpo, os navios balanceando, desceram o Tejo até à barra. (...)
Atrás de si, o esquadrão real deixava um cenário desolador: bagagens, papéis ensopados em água e caixotes abandonados espalhavam-se pelo cais. (...) Entre os detritos jaziam artigos inestimáveis do património da coroa, deixados para trás na pressa de partir.
(...)
Quatro vasos de guerra britânicos escoltariam a frota portuguesa; (...)
O alívio de sair da barra provocou uma momentânea sensação de optimismo a bordo da frota. Fosse o que fosse que tivessem pela frente, seriam poupados ao terror da ocupação francesa (...).»

Entretanto, em Lisboa...
«As impressões iniciais dos todos-poderosos franceses seriam uma desilusão. Os primeiros soldados a entrar na cidade vinham cheios de dores nos pés e exaustos, alguns tão fracos que tinham recrutado camponeses portugueses para lhes carregarem as armas. "O estado em que estávamos... é difícil de acreditar", recordava o Barão Thiébault, que integrou a campanha de Junot. "As nossas roupas tinham perdido completamente a cor e o feitio, não mudava de roupa interior desde Abrantes. Os pés saíam-me das botas". As ruas de Lisboa estavam agora vazias e as tropas de Junot entraram a coxear numa cidade que não opôs resistência. Chegaram às docas tarde de mais até para verem ao longe os navios. (...) A pilhagem da cidade começou imediatamente.»

Patrick Wilcken, Império à deriva


4 de janeiro de 2011

A fuga da família real para o Brasil (6)

«Junot deixou para trás, no interior do país, o grosso das suas tropas, abandonou a artilharia pesada e fez uma incursão sobre Lisboa com a guarda avançada. Os seus homens estavam agora atolados em lama, com os uniformes a desfazerem-se, exaustos de semanas de marcha. (...) Os camponeses observavam em silêncio esta coluna desalinhada, que prosseguia penosamente a sua marcha através dos campos alagados, em direcção a Lisboa.
Com as notícias de que as forças francesas estavam a apenas dois dias de distância (...) toda a gente queria embarcar, as docas estavam cheias de caixas, caixotes, baús, bagagens - mil e uma coisas. Muitas pessoas foram deixadas no cais enquanto que os seus pertences iam para bordo; outros embarcavam e acabavam por verificar que a sua bagagem não os podia acompanhar. (...) Um regimento inteiro que deveria acompanhar a corte acabaria também por ficar em Lisboa, porque não foi possível encontrar espaço para os soldados a bordo. (...)
"Lisboa estava num estado de tristeza medonha, demasiado terrível para ser descrito" (...)
As forças de Junot aproximavam-se de facto muito rapidamente da capital, mas continuava a soprar um vento adverso que mantinha a frota ancorada. Os navios portugueses, agora perigosamente sobrelotados, balançavam para um lado e para o outro. Um medo indizível espalhava-se pelo convés das embarcações - o da possibilidade muito real de serem apanhados no porto pelos franceses.»

Patrick Wilcken, Império à deriva



30 de dezembro de 2010

A fuga da família real para o Brasil (5)

«(...) na manhã de 27 de Novembro, o próprio D. João chegou às docas (...). [Dizia-se que o príncipe "enjoava de morte e que estava em pânico diante da perspectiva de uma travessia do Atlântico."] Por recomendação dos seus conselheiros, que receavam actos de violência, o príncipe regente deslocara-se para o porto numa carruagem não identificada, com o cocheiro vestido à paisana.
(...) o príncipe regente deixou instruções escritas sobre o tratamento a dar aos franceses quando chegassem à cidade. Deviam ser recebidos por uma assembleia de regência - o conselho de governadores - nomeada por D. João, que tinha ordens estritas para cooperar com Junot e aquartelar as suas tropas. (...)
A mulher de D. João, D. Carlota, chegou pouco depois numa carruagem menos discreta, de oito lugares, com os seus dois filhos, Pedro e Miguel, que tinha então seis anos, juntamente com criados e uma ama de leite para a Infanta Ana de Jesus, de onze meses. Chegaram depois mais coches com as suas outras cinco filhas (...)
A seguir chegou a mãe de D. João, a rainha D. Maria I, de setenta e três anos, que estava louca há mais de dez anos, e que era dada a ataques súbitos e irracionais. Quando o seu coche se aproximava das docas, diz-se que gritou: "Não vão tão depressa! Eles vão pensar que estamos a fugir!" Ao chegar ao porto, recusou-se a deixar a carruagem, forçando o capitão da frota real a tirá-la à força da cabina, levá-la ao colo pelo cais e depositá-la a bordo da galera que a esperava.»
    Patrick Wilcken, Império à deriva

Para o Brasil embarcavam 3 gerações da dinastia de Bragança.
Atenção: fixem os nomes dos dois filhos de D. João e de D. Carlota: Pedro e Miguel.