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27 de setembro de 2018

Exoneração de Salazar - há 50 anos

Em 27 de setembro de 1968, o Decreto n.º 48597 exonerava (demitia) António de Oliveira Salazar do cargo de Presidente do Conselho de Ministros (Chefe do Governo), nomeando Marcelo Caetano para o substituir.

António de Oliveira Salazar
O Presidente da República, almirante Américo Tomás, perante o agravamento do estado de saúde de Salazar, já tinha comunicado 10 dias antes que iria nomear um novo Presidente do Conselho.

Marcelo Caetano e Américo Tomás

Salazar tinha caído de uma cadeira, no Forte de Santo António, no princípio do mês de Agosto.
A 3 de Setembro, numa reunião do Governo, Salazar apresentou-se pálido e cansado.
«Na manhã seguinte, o secretário da Presidência, Paulo Rodrigues, iria aperceber-se de que ele várias vezes tirava os óculos para passar a mão pela testa, a letra estava tremida. Ainda nesse dia começou a queixar-se de fortes dores de cabeça.»
Foi chamado o médico pessoal de Salazar, Dr. Eduardo Coelho.

O estado clínico do Chefe do Governo foi avaliado a 5 e 6 de setembro, tendo-se decidido por uma operação, no dia 7, para remoção de um hematoma intracraniano.


A 16 de setembro, quando recuperava da intervenção cirúrgica, Salazar sofreu um acidente vascular cerebral que agravou irreversivelmente o seu estado de saúde.
Face a esta situação, era natural o afastamento de Salazar do já longo exercício do poder - era Presidente do Conselho desde 1932.

Marcelo Caetano discursa na tomada de posse
Marcelo Caetano, quando tomou posse, trocou pouquíssimos ministros do último Governo de Oliveira Salazar, remodelado a 19 de agosto, já depois da sua queda da cadeira.
Foi a evolução na continuidade.

O Estado Novo prolongar-se-ia, mesmo sem o seu mentor, até 25 de abril de 1974.


4 de julho de 2017

Um atentado contra Salazar - há 80 anos

Não foi a primeira ação violenta desse ano, mas visou o próprio Chefe do Governo do regime do Estado Novo.

Na manhã do dia 4 de julho de 1932, um Domingo, Salazar dirigia-se, como habitualmente, para a capela da residência do seu amigo Josué Trocado, um palacete na Av. Barbosa du Bocage, na zona das Avenidas Novas, em Lisboa.

À chegada, o motorista abriu a porta do automóvel. Saiu o chefe de gabinete do Presidente do Conselho, Leal Marques, e Salazar, ainda agarrado à porta do carro, pôs um pé no chão. Nesse momento rebentou uma bomba colocada num coletor de esgoto.
Salazar caiu para dentro do carro, mas levantou-se de imediato, «sorridente, com absoluto domínio de vontade, serenando os amigos num gesto», segundo o relato do jornal O Século

Notícia do atentado no Diário de Lisboa
O rebentamento da bomba provocou uma chuva de terra e pedras. Na rua, abriu-se uma cratera. Os vidros das residências vizinhas partiram-se e as tampas das sarjetas ficaram destruídas num raio de 500 metros.



Ainda de acordo com O Século, Salazar «relanceou, rápido, um olhar sobre o montão de terra, pedras, ferros torcidos e manilhas partidas e disse: “Bem, vamos à missa!”» 



Na realização do atentado estiveram implicados anarco-sindicalistas e, muito possivelmente, elementos com ligação ao Partido Comunista e a correntes republicanas.
 
Por que razão o atentado não teve sucesso? Porque o comprimento o recipiente que continha o explosivo, colocado sob o pavimento da rua e que devia deflagrar no momento e no local onde o automóvel do Chefe do Governo costumava parar, "excedia as dimensões da ligação entre a rede de esgotos e o coletor situado por debaixo do automóvel". A bomba ficou entalada e numa posição diferente da prevista, pelo que, quando foi acionada à distância, o "sentido" da explosão se desviou da direção pretendida pelos autores do atentado.



Brigadas da polícia política (na época chamada PVDE, Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), da PSP (Polícia de Segurança Pública) e da PIC (Polícia de Investigação Criminal, que está na origem da Polícia Judiciária) iniciaram a “caça ao homem”. O bairro de Alcântara, onde viviam alguns dos responsáveis pelo atentado, esteve cercado. 

Dez dias depois do atentado começaram a ser feitas prisões. Mas entre os presos estiveram vários inocentes que, debaixo de tortura, confessaram o que não tinham feito. Até que os verdadeiros implicados foram presos. Julgados em tribunal militar, um dos principais cabecilhas, Emídio Santana, foi condenado a 16 anos de prisão, mas houve quem fosse condenado a 18 anos (e tivesse morrido na prisão – o que aconteceu a dois dos condenados) e houve implicados que conseguiram escapar.


Manifestações de apoio a Salazar
Salazar foi objeto de muitas manifestações de apoio, foram celebradas muitas missas de ações de graça por ter escapado ileso, uma marcha de senhoras deixou rosas à sua porta e recebeu telegramas de solidariedade de Hitler e de Mussolini, os ditadores da Alemanha e da Itália.

Preces pelo "Salvador da Nação Portuguesa"

Embora Salazar considerasse que tinha muita sorte “nestas coisas”, foi depois deste acontecimento que decidiu instalar-se num palacete construído, em 1877, nas traseiras do chamado Palácio de S. Bento, e que se tornou, desde então, residência oficial do Chefe do Governo em Portugal.

Salazar (4.º a contar da direita) e os seus ministros

Tendo escapado ao atentado, António de Oliveira Salazar seria Chefe do Governo - Presidente do Conselho de Ministros - até 1968. 


28 de maio de 2017

28 de maio de 1926

A 28 de Maio de 1926, aconteceu o golpe militar que pôs fim à chamada 1.ª República e iria dar início a um período de 48 anos de ditadura, dividido em duas fases: a ditadura militar (1926 - 1933) e o Estado Novo (1933 - 1974).

A ação militar chefiada pelo general Gomes da Costa iniciou-se na cidade de Braga.

Naquele dia, as notícias saídas em jornais de Lisboa revelam que se acreditava que os militares de outras cidades, como Porto e Viana do Castelo, ainda iriam atacar os revoltosos.
Mas tal não aconteceu.




Em 1936, 10 anos depois do golpe militar, o dia foi considerado feriado.
Na fotografia, o general Carmona e o chefe do Governo, Oliveira Salazar,
no desfile comemorativo do 28 de maio.


6 de agosto de 2016

Ponte 25 de abril foi inaugurada há 50 anos

Comemoram-se, hoje, 50 anos da inauguração da ponte sobre o Tejo.



O primeiro projeto de construção de uma ponte entre Lisboa e a margem sul surgiu em 1876, e dizia respeito a uma ponte ferroviária, que previa a ligação da capital ao Montijo.
A partir dessa data houve muitos outros projetos, mas só em 1953 foi criada uma comissão "com o objetivo de estudar e apresentar soluções para a construção de uma ponte entre Lisboa e a margem sul do Tejo".
Já havia, então, conhecimento técnico para a construção de uma ponte suspensa (ponte sustentada por cabos, portanto, com maior distância entre os pilares para não perturbar o movimento dos barcos no rio). 
Por outro lado, a população da margem sul estava a aumentar, os transportes rodoviários desenvolviam-se e era cada vez mais necessária uma ligação fácil e rápida do sul do país a Lisboa.

Em 1959 foi aberto um concurso público internacional para apresentação de projetos. Venceu a proposta da empresa norte-americana United States Steel Export Company.
A construção da ponte que liga Lisboa e Almada começou a 5 de novembro de 1962 para ficar concluída no início de agosto de 1966.






Ponte Salazar foi o nome dado, em homenagem ao chefe do Governo que tinha decidido a sua construção.
Depois do golpe militar de 25 de abril de 1974, que pôs fim ao regime ditatorial do Estado Novo, o nome da ponte foi alterado para ponte 25 de Abril.

Aqui um vídeo da RTP sobre a inauguração da ponte.

A indicação de 45 anos no título do vídeo deve-se ao facto deste ter sido feito em 2011.

Capa do Diário de Notícias do dia 7 de agosto de 1966


28 de maio de 2016

28 de maio - 90 anos

A revista Visão História deste mês assinala o 90.º aniversário do golpe militar de 28 de maio de 1926. É o início de um período de 48 anos de ditadura.


Com a ditadura militar surgiria a figura de António Oliveira Salazar (na capa, entre militares).


25 de setembro de 2014

O Estado Novo

Com um pedido de desculpas ao autor, o Miguel Mesmoudi, pelo meu atraso na publicação, aqui apresento um trabalho que o Miguel fez voluntariamente, ainda no final do ano letivo passado, quando estava no 5.º B.
O tema do Estado Novo será tratado no 6.º ano e haverá pormenores que serão melhor compreendidos e explicados.

O Estado Novo

O que é o Estado Novo?
É o nome que se dá ao regime político autoritário que vigorou em Portugal, entre 1933 e 1974.
Em que consistia o regime autoritário?
Consistia num regime em que não existia Liberdade: não se podia reclamar, não havia manifestações nem partidos opositores ao Governo. Se o povo não cumprisse iria para a prisão, sofrendo torturas e espancamentos.

Qual foi a personagem política que marcou este regime?
A personagem que marcou o regime foi António de Oliveira Salazar.
Como é que António de Oliveira Salazar chegou ao poder?
No dia 28 de Maio de 1926, Gomes da Costa e Mendes Cabeçadas impuseram uma ditadura militar. Dois anos depois Salazar era Ministro das Finanças.

António de Oliveira Salazar

Como teve tanto poder se só era Ministro das Finanças?
Após algum tempo subiu de cargo, passou a Primeiro-Ministro.
Não houve eleições durante os anos em que governou?
Sim, houve, mas os resultados não eram verdadeiros.


Nunca foi substituído?
Foi, por Marcelo Caetano.
Por que razão?
Salazar caiu da cadeira, em 1968, e como isso lhe tirou capacidades mentais, não pôde continuar a governar.

Marcelo Caetano

E Marcelo Caetano que leis fez?
Não havia diferença, pois mesmo que outro partido ganhasse, os votos eram modificados.
Quem se manifestou, principalmente, contra o regime?
Os estudantes e os militares (que fizeram o 25 de Abril).

O salazarismo
Salazarismo é o que se chama à política ou à época entre 1932 e 1968, período em que o principal governante foi António de Oliveira Salazar, ditador nacionalista português.
Nessa época fizeram-se imensas leis que proibiam a liberdade de expressão, não se recebia reformas, pensões, abonos, e não havia partidos políticos.

O marcelismo
O marcelismo é o nome que se chama à época entre 1968 e 1974, quando governou Marcelo Caetano, político português.

A revolução de 25 de Abril de 1974 pôs fim ao Estado Novo


23 de abril de 2012

Golpe militar de 28 de Maio de 1926 e ditadura militar

Como as turmas do 6.º 7 e 6.º 9 já entraram no Subtema 2, está aqui disponível a apresentação sobre o golpe militar de 28 de Maio de 1926, a ditadura militar e o início do regime do Estado Novo.

Já verifiquei que existem alguns problemas no visionamento de 2 ou 3 slides. Vou procurar corrigir logo que tenha oportunidade.

15 de junho de 2011

O atentado contra Salazar

Um grupo de oposicionistas tinha idealizado matar Salazar... à metralhadora.
Para concretizar este atentado eram necessários 2 carros de arranque rápido. Decorria o mês de Fevereiro de 1937. A tentativa de roubar 2 táxis falhou e o plano foi revisto.

Sabendo que Salazar costumava ir à missa numa capela privada, na zona das avenidas novas (Lisboa), aproveitaram os colectores dos esgotos para instalar uma carga explosiva.
No dia 4 de Julho de 1937, tudo parecia estar a correr de acordo com o plano: os sinais combinados foram dados quando da chegada do automóvel que transportava Salazar à Av. Barbosa du Bocage, a explosão foi grande... mas "no sentido contrário" à posição do carro de Salazar.
Aconteceu que as medidas do colector teriam sido mal tiradas e o invólucro da bomba não ficou no local previsto.
Salazar, depois do susto, pôde ir à missa e as várias polícias começaram a actuar para capturarem os autores do atentado. Isso aconteceu alguns dias depois e os responsáveis pelo atentado foram condenados a anos de prisão (entre 16 e 18); dois deles morreriam na cadeia.

Jornal com a notícia do atentado


Nota: Por lapso, deixei estar aqui durante dois dias a indicação da data de 4 de Julho de 1934 em vez de 1937. 

14 de junho de 2011

Oposição durante o Estado Novo (até 1945)

Em Janeiro de 1934, aconteceu a primeira tentativa revolucionária para derrubar o Estado Novo, levada a cabo por civis com apoio militar.
Houve levantamentos populares em muitas localidades, incluindo o Seixal.

Verificou-se ainda mais uma revolta, em Setembro de 1935, mas o regime ditatorial controlou a situação.

Em 4 de Julho de 1937 deu-se um atentado à bomba contra Salazar, na Av. Barbosa du Bocage, em Lisboa. Grande terá sido o susto: a força da explosão fez com que o chefe do Governo, que estava a sair do carro, caísse para dentro do mesmo. Mas saíu ileso.


A cratera que a bomba provocou na avenida

 Verificaram-se, ainda, movimentos grevistas, sobretudo no início da década de 1940, quando já decorria a II Guerra Mundial (1939 - 1945).

A oposição durante a ditadura militar

A ditadura militar teve muitos opositores: republicanos democratas, mesmo militares, alguns dos quais até tinham participado no golpe de 28 de Maio de 1926 que deu início à ditadura - pensavam que o poder político se ia organizar de outra forma.

Entre 28 de Maio de 1926 e a entrada em vigor da Constituição a 11 de Abril de 1933, início do Estado Novo, houve 6 tentativas de revolta contra o regime, foram descobertas mais 4 conspirações e houve ainda muitas manifestações e greves, apesar de estarem proibidas, o que fez com que muitas pessoas fossem presas. Das 6 revoltas, resultaram centenas de presos, para além dos feridos e de mais de uma centena de mortos.

Fotografias da revolta do Porto, em Fevereiro de 1927
Curiosidade: na ditadura militar ainda não havia a PIDE, mas havia a PIMI (Polícia de Informações do Ministério do Interior). Também havia a chamada Polícia Internacional Portuguesa.
No Estado Novo, a 29 de Agosto de 1933, Salazar extinguiu estas duas polícias e criou a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) que iria dar origem à PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) em 1945.

3 de junho de 2011

Características das ditaduras

Voltaram a colocar esta dúvida numa das aulas de hoje: por que razão é que se diz que, no Estado Novo, se vivia numa ditadura?

Oliveira Salazar
As ditaduras são um tipo de regime político em que alguém (ou um pequeno grupo de pessoas) concentra os poderes. Isto é, poderes que deviam estar divididos pelo Parlamento, pelo Governo, pelo Presidente da República, centram-se numa pessoa. No Estado Novo (a partir de 1933), pelo prestígio que ganhou, foi o chefe do Governo, António de Oliveira Salazar que concentrou esses poderes.
E para que esse poder não seja posto em causa - seja forte - não são respeitados os direitos e as liberdades fundamentais dos cidadãos, nomeadamente a liberdade de expressão, a liberdade de manifestação e de reunião. Assim não há oportunidade para críticas - ninguém pode pôr em causa quem tem o poder.