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15 de janeiro de 2017

O latim, as línguas indígenas e o português

Numa aula, perguntaram-me alguns alunos sobre as línguas faladas na Península Ibérica antes do domínio romano.
Sobre línguas antigas, não será possível conhecê-las se não tiverem passado à forma escrita. Na altura, não havia processos de gravação!
A língua falada é um património não material - se não ganhou forma escrita, não é conhecida. Poderão existir, no máximo, algumas hipóteses.

Sobre o latim na origem do português - como foi o processo de difusão/adoção do latim - transcrevo as palavras de um conceituado historiador português, A. H. de Oliveira Marques (1933-2007):
«As línguas indígenas pouca ou nenhuma importância tiveram no nascimento e na evolução do português. (…) Eram os indígenas que aprendiam o latim, e não os Romanos que aprendiam os idiomas locais. Todas as comunicações, a legislação e o sistema escolar assentavam no latim. Durante alguns séculos, podiam os indígenas ter falado um dialeto local qualquer acrescentado a palavras e a formas latinas. À medida que o tempo ia passando, esse falar desvaneceu-se até desaparecer por completo. Não faltam as provas históricas para afirmar que a colonização romana cuidou a sério da difusão da língua latina e dos costumes romanos entre os indígenas. Os resultados seriam perfeitos e permanentes.»
A. H. de Oliveira Marques, História de Portugal (vol. I)


Sobre o português e a sua forma escrita, poderá ser interessante ler isto.


27 de junho de 2014

Língua Portuguesa - 800 anos

27 de junho de 1214 é a data registada no testamento de D. Afonso II, o terceiro rei de Portugal.

Por se tratar do mais antigo documento régio escrito em português, um conjunto de pessoas e de entidades resolveram assinalar o dia como sendo o do aniversário da Língua Portuguesa - o dia em que o português faz 800 anos.

Testamento de D. Afonso II

Há documentos mais antigos escritos em português, como o da imagem imediatamente abaixo, mas sem o valor oficial que tem o testamento do rei.

Notícia de Fiadores (1175)

Notícia de torto (entre 1210 e 1216),
outro dos documentos mais antigos

Uma língua não nasce de um momento para o outro, num dia certo. Uma língua é o resultado de um processo lento.
Antes de ser escrita, a língua é oral, tal como as crianças começam a falar antes de saberem escrever.
O português já tinha uma existência oral de séculos, mas os documentos, nomeadamente os documentos oficiais, eram escritos em latim.

Seria o rei D. Dinis a declarar o português como língua oficial do reino, na última década do século XIII, embora no reinado do seu pai, D. Afonso III, a partir de 1255, já houvesse vários documentos escritos em português.

O testamento de D. Afonso II começa assim:
“Em nome de Deus. Eu, rei D. Afonso, pela graça de Deus rei de Portugal, estando são e salvo, temendo o dia da minha morte, para a salvação da minha alma e para proveito de minha mulher, a rainha D. Urraca e de meus filhos e de meus vassalos (…)”


Testamento de D. Afonso II (pormenor)

Do testamento foram feitas 13 cópias, mas só se sabe onde se encontram dois exemplares, os que foram enviados aos arcebispos de Braga e de Santiago, um guardado no grande arquivo nacional, que é a Torre do Tombo, outro nos arquivos da Catedral de Toledo (Espanha).

Sobre os primeiros documentos em português e a comemoração dos 800 anos da Língua Portuguesa, podemos ouvir a chefe de Divisão de Tratamento Técnico Documental e Aquisições da Torre do Tombo, Fátima Ó Ramos.


31 de janeiro de 2013

Aspetos da herança muçulmana - na língua

Existem ainda hoje cerca de seis centenas de palavras de origem árabe na língua portuguesa.
O que tem de comum a maioria dessas palavras?  Iniciarem-se por al.

São palavras de origem árabe: açorda, alcatifa, alecrim, alface, alfarroba, algarismo, Algarve, álgebra, alguidar, algodão, azeite, azenha, camisa, garrafa, laranja, limão, melancia, tapete, xadrez, etc.

A palavra oxalá é igualmente de origem árabe - en xá Allah - e significa "se Deus quiser", expressão que também é usada pelos cristãos.