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150 anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal (1867-2017)

4 de fevereiro de 2016

Viagem de Vasco da Gama (7) - Moçambique

«E uma quinta-feira, que foi o primeiro dia do mês de Março, à tarde, houvemos vista das ilhas e da terra que se ao diante seguem; e, porque era tarde, virámos na volta do mar e pairámos até pela manhã. E então viemos entrar em a terra seguinte. […].

Os homens desta terra são ruivos e de bons corpos e da seita de Mafamede e falam como mouros; e as suas vestiduras são de panos de linho e de algodão, muito delgados e de muitas cores de listras, e são ricos e lavrados; e todos trazem toucas nas cabeças, com vivos de seda lavrados com fio de ouro; e são mercadores e tratam com mouros brancos, dos quais estavam aqui, em este lugar, quatro navios deles que traziam ouro, prata e pano e cravo e pimenta e gengibre e anéis de prata com muitas pérolas e aljôfar e rubis; e isso mesmo todas estas coisas traziam os homens desta terra. E ao que nos parecia, segundo eles diziam, que todas estas coisas vinham aqui de carreto e que aqueles mouros as traziam, salvo o ouro; e que para diante, para onde nós íamos, havia muito; e que as pedras e aljôfar e especiaria eram tantos que não era necessário restagatá-los, mas apanhá-los aos cestos. E isto tudo entendia um marinheiro, que o capitão-mor levava, o qual fora cativo de mouros e, portanto, entendia estes que aqui achámos.

Mais nos disseram (...) tinha muitas cidades ao longo do mar, e que os moradores delas eram grandes mercadores e tinham grandes naus. (...) E estas coisas e outras muitas diziam estes mouros, do que éramos tão ledos que com prazer chorávamos; e rogámos a Deus que Lhe aprouvesse de nos dar saúde, para que víssemos o que todos desejávamos.


Em este lugar e ilha, a que chamam Moçambique, estava um senhor a que eles chamavam sultão, que era como visso-rei; o qual veio aos nossos navios, por muitas vezes, com outros seus que com ele vinham. E o capitão lhe dava mui bem de comer (...)
(...) e mandou a Nicolau Coelho um pote de tâmaras pisadas, as quais tinham conserva de cravos e cominhos; e, assim, depois mandou ao capitão-mor muitas coisas. E isto foi enquanto lhes parecia que nós éramos turcos ou mouros de alguma outra parte.»

Relação da primeira viagem à Índia pela armada chefiada por Vasco da Gama




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