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A imagem faz parte de um livro publicado no ano de 1647, por J. Blaeu (um importante cartógrafo holandês), em que está desenhado um conjunto de mapas do nordeste brasileiro, então ocupado pelos holandeses, decorados com cenas da vida quotidiana. A cena que apresentamos representa uma fazenda brasileira produtora de açúcar, na zona de Pernambuco.

4 de fevereiro de 2016

Viagem de Vasco da Gama (7) - Moçambique

«E uma quinta-feira, que foi o primeiro dia do mês de Março, à tarde, houvemos vista das ilhas e da terra que se ao diante seguem; e, porque era tarde, virámos na volta do mar e pairámos até pela manhã. E então viemos entrar em a terra seguinte. […].

Os homens desta terra são ruivos e de bons corpos e da seita de Mafamede e falam como mouros; e as suas vestiduras são de panos de linho e de algodão, muito delgados e de muitas cores de listras, e são ricos e lavrados; e todos trazem toucas nas cabeças, com vivos de seda lavrados com fio de ouro; e são mercadores e tratam com mouros brancos, dos quais estavam aqui, em este lugar, quatro navios deles que traziam ouro, prata e pano e cravo e pimenta e gengibre e anéis de prata com muitas pérolas e aljôfar e rubis; e isso mesmo todas estas coisas traziam os homens desta terra. E ao que nos parecia, segundo eles diziam, que todas estas coisas vinham aqui de carreto e que aqueles mouros as traziam, salvo o ouro; e que para diante, para onde nós íamos, havia muito; e que as pedras e aljôfar e especiaria eram tantos que não era necessário restagatá-los, mas apanhá-los aos cestos. E isto tudo entendia um marinheiro, que o capitão-mor levava, o qual fora cativo de mouros e, portanto, entendia estes que aqui achámos.

Mais nos disseram (...) tinha muitas cidades ao longo do mar, e que os moradores delas eram grandes mercadores e tinham grandes naus. (...) E estas coisas e outras muitas diziam estes mouros, do que éramos tão ledos que com prazer chorávamos; e rogámos a Deus que Lhe aprouvesse de nos dar saúde, para que víssemos o que todos desejávamos.


Em este lugar e ilha, a que chamam Moçambique, estava um senhor a que eles chamavam sultão, que era como visso-rei; o qual veio aos nossos navios, por muitas vezes, com outros seus que com ele vinham. E o capitão lhe dava mui bem de comer (...)
(...) e mandou a Nicolau Coelho um pote de tâmaras pisadas, as quais tinham conserva de cravos e cominhos; e, assim, depois mandou ao capitão-mor muitas coisas. E isto foi enquanto lhes parecia que nós éramos turcos ou mouros de alguma outra parte.»

Relação da primeira viagem à Índia pela armada chefiada por Vasco da Gama




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