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A imagem faz parte de um livro publicado no ano de 1647, por J. Blaeu (um importante cartógrafo holandês), em que está desenhado um conjunto de mapas do nordeste brasileiro, então ocupado pelos holandeses, decorados com cenas da vida quotidiana. A cena que apresentamos representa uma fazenda brasileira produtora de açúcar, na zona de Pernambuco.

4 de fevereiro de 2016

Viagem de Vasco da Gama (6) - Rio dos Bons Sinais


«Uma segunda-feira, indo pelo mar, houvemos vista de uma terra muito baixa e de uns arvoredos muito altos e juntos. E indo assim nesta rota vimos um rio, largo em boca; e, porque era necessário saber e conhecer onde éramos, pousámos; e uma quinta-feira à noite entrámos (...)
Esta terra é muito baixa e alagadiça e é de grandes arvoredos, os quais dão muitas frutas, de muitas maneiras, e os homens desta terra comem delas.

E esta gente é negra, e são homens de bons corpos e andam nus, somente trazem uns panos de algodão pequenos com que cobrem suas vergonhas, e os senhores desta terra trazem estes panos maiores. E as mulheres moças, que nesta terra parecem bem, trazem os beiços furados por três lugares e ali lhes trazem uns pedaços de estanho retorcidos. E esta gente folgava muito connosco; e nos traziam ao navio disso, que tinham em almadias, que eles têm. E nós isso mesmo íamos à sua aldeia a tomar água.


E depois de haver dois ou três dias, que aqui estávamos, vieram dois senhores desta terra a ver-nos (...). E um deles trazia uma touca posta na cabeça, com uns vivos lavrados de seda; e o outro trazia uma carapuça de cetim verde. Isso mesmo vinha em sua companhia um mancebo que, segundo acenavam, era de outra terra daí longe; e dizia que já vira navios grandes, como aqueles que nós levávamos, com os quais sinais nós folgávamos muito porque nos parecia que nos íamos chegando para onde desejávamos. (...)


E nós estivemos neste rio trinta e dois dias, em os quais tomámos água, e limpámos os navios os navios e corregeram ao Rafael o mastro. E aqui nos adoeceram muitos homens, que lhes inchavam os pés e as mãos, e lhes cresciam as gengivas tanto sobre os dentes que os homens não podiam comer.

E aqui pusemos um padrão, ao qual puseram nome: o padrão de São Rafael, e isto porque ele o levava; e ao rio: dos Bons Sinais.
Daqui nos partimos um sábado, que eram 24 dias do mês de Fevereiro; (...)»

Relação da primeira viagem à Índia pela armada chefiada por Vasco da Gama


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