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Lisboa antes do terramoto de 1755 - gravura

9 de abril de 2018

Batalha de La Lys - Centenário


«Abril, 9
Aconteceu o que era de prever: um enorme desastre no sector guarnecido pela nossa divisão. Às 4.15 ouviu-se o primeiro tiro sobre St. Venant pela peça de longo alcance que há alguns dias estava calada. (...)
O tiro às 4.15 parece ter sido o sinal para um bombardeamento terrível e certeiro em todo o sector.»
(Tamagnini de Abreu e Silva, general comandante do Corpo Expedicionário Português - C.E.P.)



Poucos dias antes, ingleses e portugueses tinham acordado na substituição das forças portuguesas da linha da frente. O comando britânico estava convencido que o ataque principal dos alemães não se faria por aquela zona. Foi dada ordem para a retirada de um batalhão, ficando as tropas portuguesas reduzidas à 2.ª Divisão, comandada por Gomes da Costa. 
Na véspera da batalha, foi dada ordem para a substituição da 2.ª Divisão por tropas inglesas, o que deveria começar a verificar-se no dia 9 de abril. Mas o ataque alemão foi por ali e verificou-se logo de madrugada.

«Aparece como certo que o boche [alemão] atacou na melhor hora, em plena rendição, quando todo o sector português estava em movimento e antes que as divisões inglesas destinadas a substituir as nossas, reconhecidamente extenuadas, tivessem chegado à frente. A rede de espionagem dentro da qual vivíamos e de que não sabíamos precaver-nos, indicou-lhes o dia próprio e o momento mais favorável.»
(Jorge Brun, A malta das trincheiras. Migalhas da Grande Guerra, editado em 1919)



«O ataque foi bem planeado, bem preparado e executado de forma eficaz. A preparação da artilharia foi longa e intensa. O dia foi bem escolhido, pelo espesso nevoeiro que caía sobre as linhas. Os gases de combate foram usados da forma habitual. O assalto fez-se de acordo com os princípios táticos consolidados pela longa guerra das trincheiras (...) A defesa do sector português e de certa forma dos sectores vizinhos, não pôde organizar-se de forma consistente.»



«3.ª feira. Às quatro horas da manhã, estando tudo sossegado, cai sobre a nossa frente e alongando-se para o norte, furioso bombardeamento. As granadas de todos os calibres chovem em volta de nós com uma intensidade de que não temos memória. Supusemos a princípio que se tratava simplesmente de um raid, mas acabámos por pôr de parte essa suposição porque o bombardeamento continuava sempre com o mesmo furor.
Às 10 horas soldados feridos, chegados a pé das primeiras linhas, informavam que massas compactas e sucessivas de soldados inimigos assaltaram os nossos entrincheiramentos, sendo o massacre horrível. Quando o inimigo saltou o parapeito já o bombardeamento tinha aniquilado quase totalmente as tropas das primeiras linhas; apesar disso os elementos que foram poupados e especialmente os redutos, atrás das linhas, guarnecidos rapidamente pelas nossas tropas de apoio, fizeram cair muralhas inteiras de assaltantes. A breve trecho, porém, estes se viram cercados por tropas muitas vezes superiores em número, que os subjugaram. Era a sério a ofensiva boche (...)»
Manuel de Oliveira, Notas de um soldado em campanha (editado em 1919)




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