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A imagem faz parte de um livro publicado no ano de 1647, por J. Blaeu (um importante cartógrafo holandês), em que está desenhado um conjunto de mapas do nordeste brasileiro, então ocupado pelos holandeses, decorados com cenas da vida quotidiana. A cena que apresentamos representa uma fazenda brasileira produtora de açúcar, na zona de Pernambuco.

23 de abril de 2017

A doação do Mosteiro de Alcobaça


A doação do couto de Alcobaça aos monges de Cister, se pode ser considerada um ato de fé - diz a lenda que resultou de uma promessa feita por D. Afonso Henriques - foi também um ato político.

D. Afonso Henriques tinha conquistado há pouco tempo as cidades de Santarém e de Lisboa (1147), tinha conseguido o reconhecimento da independência por parte do reino de Leão e de Castela (Tratado de Zamora, 1143) e procurava o reconhecimento do Papa.
A Ordem de Cister tinha, à época, um assinalável poder na cristandade e, por coincidência, o ducado da Borgonha, de onde eram naturais os antepassados paternos de D. Afonso Henriques, esteve ligado ao nascimento da Ordem.

S. Bento (iluminura)

A difusão cisterciense contou, em Portugal, com o apoio régio. D. Afonso Henriques concedeu várias cartas de couto a diversos mosteiros de Cister.
Portanto, com esta política, D. Afonso Henriques pretendia facilitar o seu reconhecimento como rei pelo Papa.

Mosteiro de Alcobaça - Sala dos Reis - Representação da coroação de D. Afonso Henriques
Papa Alexandre III (que reconheceu a independência de Portugal),
D. Afonso Henriques e S. Bernardo (grande impulsionador da Ordem de Cister)  

Do ponto de vista da política interna, D. Afonso Henriques precisava de defender as fronteiras e de desenvolver economicamente o reino.
A Ordem de Cister, por sua vez, só autorizava a fundação de novos mosteiros em zonas que obedecessem às seguintes condições: fossem isolados em relação a lugares habitados, tivessem boas terras de cultivo, suficientes recursos hídricos e matérias-primas nas proximidades (especialmente madeiras).

Monges cistercienses ceifando o campo sob a proteção da Virgem e de S. Bernardo
- pormenor (pintura - Escola Portuguesa, século XVIII)

À data da doação do couto de Alcobaça, a Ordem de Cister era, pela sua organização, a única preparada e com capacidade para desenvolver uma política de fomento e arroteamento (preparação de terrenos para a prática da agricultura) em terras despovoadas.
Pela carta de doação, relembremos, o Mosteiro de Alcobaça ficou obrigado a repovoar, cultivar e valorizar economicamente os seus terrenos.
Juntavam-se os interesses do rei e os da Ordem de Cister.

«O séc. XIV é a época mais fecunda da história do Mosteiro. Criam-se granjas em terrenos que se tornaram quintas ricas e modelares e onde os monges, leigos e noviços, desenvolvem toda a sua atividade. A granja era uma escola de todas as atividades agrícolas e das indústrias anexas. Os monges eram dos poucos senhores conhecedores dos segredos agrícolas do seu tempo e foram chamados a resolver graves problemas da economia rural, cabendo-lhes com justiça a bela designação de "Monges Agrónomos" que o Professor Joaquim Vieira Natividade lhes deu.»
M.ª Augusta Trindade Ferreira, Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça (roteiro)



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