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Palácio de Queluz - Escadaria Robillion ou dos Leões

30 de dezembro de 2010

A fuga da família real para o Brasil (5)

«(...) na manhã de 27 de Novembro, o próprio D. João chegou às docas (...). [Dizia-se que o príncipe "enjoava de morte e que estava em pânico diante da perspectiva de uma travessia do Atlântico."] Por recomendação dos seus conselheiros, que receavam actos de violência, o príncipe regente deslocara-se para o porto numa carruagem não identificada, com o cocheiro vestido à paisana.
(...) o príncipe regente deixou instruções escritas sobre o tratamento a dar aos franceses quando chegassem à cidade. Deviam ser recebidos por uma assembleia de regência - o conselho de governadores - nomeada por D. João, que tinha ordens estritas para cooperar com Junot e aquartelar as suas tropas. (...)
A mulher de D. João, D. Carlota, chegou pouco depois numa carruagem menos discreta, de oito lugares, com os seus dois filhos, Pedro e Miguel, que tinha então seis anos, juntamente com criados e uma ama de leite para a Infanta Ana de Jesus, de onze meses. Chegaram depois mais coches com as suas outras cinco filhas (...)
A seguir chegou a mãe de D. João, a rainha D. Maria I, de setenta e três anos, que estava louca há mais de dez anos, e que era dada a ataques súbitos e irracionais. Quando o seu coche se aproximava das docas, diz-se que gritou: "Não vão tão depressa! Eles vão pensar que estamos a fugir!" Ao chegar ao porto, recusou-se a deixar a carruagem, forçando o capitão da frota real a tirá-la à força da cabina, levá-la ao colo pelo cais e depositá-la a bordo da galera que a esperava.»
    Patrick Wilcken, Império à deriva

Para o Brasil embarcavam 3 gerações da dinastia de Bragança.
Atenção: fixem os nomes dos dois filhos de D. João e de D. Carlota: Pedro e Miguel.

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