Batalha da Salga, na ilha Terceira (25 de julho de 1581) - Painel de azulejos
APRESENTAÇÃO: Este blogue começou por se destinar, essencialmente, aos meus alunos (dos 5.º e 6.º anos), procurando a interação possível quando não existiam as plataformas educativas. Com estas, o blogue perdeu o sentido de necessidade e foi diminuindo o número de novos posts. Mas, mesmo com a aposentação do seu autor, permanece como um espaço de arquivo que pode continuar a ser útil. Por interesse sobre os assuntos da História e da Geografia de Portugal, por gosto e por vício, serão partilhados novos posts... sem o sentido de obrigação, sem vinculação a orientações curriculares, ao ritmo do meu interesse e do meu tempo.

24 de agosto de 2011

Eleição do Presidente da República - 24 de Agosto de 1911

A 24 de Agosto de 1911, os deputados elegeram o Presidente da República, de acordo com o estipulado na Constituição, aprovada 3 dias antes.
Com a realização das eleições nesta data procurava-se comemorar a Revolução Liberal de 1820, também ocorrida a 24 de Agosto.

Houve 4 candidatos à presidência: Anselmo Braamcamp Freire e Magalhães Lima, que poucos votos tiveram, e os dois principais candidatos, Bernardino Machado e Manuel de Arriaga.
Este último viria a contar com o voto de 121 deputados, tornando-se o primeiro Presidente da República eleito em Portugal - Teófilo Braga era o Presidente provisório desde a revolução de 5 de Outubro de 1910.

Manuel de Arriaga não chegou ao final do mandato, como quase todos os presidentes do período da 1.ª república, tendo apresentado a demissão em Maio de 1915.

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira
Horta (Açores) 8.07.1840 - Lisboa 5.03.1917

21 de agosto de 2011

Aprovação da 1.ª Constituição Republicana

Sessão de abertura da Assembleia Constituinte de 1911

No dia 21 de Agosto de 1911 foi aprovada a 1.ª Constituição da República, que passa a ser designada por Constituição de 1911.




14 de agosto de 2011

Batalha de Aljubarrota

Aljubarrota não é assunto do 6.º ano, mas a batalha foi deveras importante para o desfecho da crise de 1383-1385.
A vitória das forças portuguesas, apoiadas pelos ingleses, garantiu a independência do reino de Portugal em relação a Castela.

A batalha de Aljubarrota foi a 14 de Agosto de 1385.

7 de agosto de 2011

D. Carlos pintor

Praia de Cascais - pintura de D. Carlos
Ontem (re)visitei a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves.
Revemos e relembramos espaços, objectos, pinturas...
Não me lembrava de duas pinturas de D. Carlos, o nosso rei D. Carlos, tão dedicado à arte - herança do seu avô, D. Fernando II, o do Palácio da Pena, o do Chalet da Condessa de Edla...
Para D. Carlos, o penoso seria, de facto, governar o reino.

O Dr. Anastácio Gonçalves foi um médico oftalmologista, nascido em 1888, que esteve na frente de batalha na Flandres quando da 1.ª Guerra Mundial.
Coleccionador de arte, sobretudo pintura, mobiliário e porcelanas chinesas, deixou a sua colecção ao Estado quando morreu (1965), para que pudesse ser criado um museu.
A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves fica em Lisboa, quase em frente à maternidade Alfredo da Costa, e é um local interessante que poderão visitar. Ao Domingo de manhã é grátis, como (ainda) acontece nos museus nacionais.
Peçam aos vossos pais.

29 de julho de 2011

O Chalet romântico da Condessa de Edla

Em 1861, oito anos depois de ficar viúvo de D. Maria II, D. Fernando II conheceu a cantora americana de origem alemã Elise Hensler, quando esta veio interpretar no Teatro de São Carlos um papel na ópera Um Baile de Máscaras, de Verdi.

Apaixonaram-se e acabariam por casar em 1869, o que foi provocou muitas discussões na época.
A cantora recebeu o título de Condessa de Edla, concedido pelo Duque Ernesto II de Saxónia-Coburgo-Gota por ocasião do casamento.
D. Fernando e a Condessa de Edla escolheram um sítio no Parque da Pena para construírem um chalet no estilo alpino.
O chalet e o jardim sofreram um incêndio em 1999, mas foram agora recuperados e abertos ao público.
A abertura oficial do chalet celebra-se hoje, com um concerto, onde serão cantadas músicas que a Condessa de Edla cantou na época.


Num programa televisivo foi abordada a reconstrução do chalet:



24 de julho de 2011

24 de Julho de 1833 - Lisboa tomada pelos liberais


Estátua do Duque da Terceira na praça do mesmo nome
 (mais conhecida por Cais do Sodré),
próximo do local onde os liberais desembarcaram.
Após a vitória liberal na batalha da Cova da Piedade, já não havia qualquer obstáculo à entrada na cidade de Lisboa das tropas comandadas pelo Duque da Terceira. O Duque de Cadaval, comandante absolutista, ordenou a evacuação da cidade, sem dar combate. A confiança dos chefes miguelistas nas tropas da guarnição da capital não era grande...
Os liberais entraram e tomaram Lisboa no dia 24 de Julho de 1833.
A perda de Lisboa desmoralizou os absolutistas e obrigou à alteração dos seus planos. Até à derrota final e à assinatura da Convenção de Évora-Monte, reconhecimento dessa derrota.

23 de julho de 2011

Batalha da Cova da Piedade - uma batalha ao pé da porta

A 23 de Julho de 1833, em plena Guerra Civil entre liberais e absolutistas, as tropas liberais comandadas pelo Duque da Terceira derrotaram as tropas absolutistas na batalha da Cova da Piedade.
Mapa com os movimentos das forças liberais
Os liberais tencionavam avançar para Lisboa, depois de uma campanha vitoriosa iniciada no Algarve e que os trouxera do Sul em direcção à capital.
Os absolutistas, comandados pelo general Teles Jordão, governador do Forte de S. Julião da Barra pretendiam conter o avanço dos liberais. A batalha prolongou-se até à beira rio, em Cacilhas, onde os liberais procuraram dispor de barcos em que pudessem atravessar o rio Tejo.
O general Teles Jordão, morto na batalha, terá sido enterrado já na praia, com um braço de fora.
Esta vitória foi decisiva para os liberais conseguirem atingir os seus objectivos. No dia seguinte Lisboa seria tomada.
Amanhã cá estaremos.


Caricatura dos dois irmãos - D. Pedro IV (liberal) e D. Miguel (absolutista) - em luta pelo trono

14 de julho de 2011

A tomada da Bastilha

No final do século XVIII, a monarquia francesa passava por uma fase conturbada.
Em meados de Julho de 1789, o boato de que as tropas reais se preparavam para reprimir duramente a população da cidade de Paris fez com que o povo, para se defender, se procurasse armar.
Na fortaleza da Bastilha, que funcionava também como prisão, estaria armazenada a pólvora necessária para as espingardas e canhões de que, entretanto, já se tinha apropriado.
No dia 14 de Julho de 1789, ao fim de algumas horas de combate, a Bastilha foi invadida e tomada pelo povo revoltado de Paris.
A tomada da Bastilha foi um acontecimento marcante na história da Revolução Francesa – tornou-se o acontecimento simbólico que assinala o início dessa revolução.
A data tornou-se feriado nacional em França, a sua Festa Nacional.

Pintura símbolo do espírito revolucionário francês
A Liberdade guiando o povo, da autoria de Eugène Delacroix

A partir da tomada da Bastilha, em França e na Europa, nada ficará como antes.
Considera-se que a Revolução Francesa, proclamando os princípios universais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, deu início a um novo período da História: a Idade Contemporânea.

11 de julho de 2011

Aljube - A Voz das Vítimas

No Aljube – antiga cadeia do Aljube (Lisboa) – está uma exposição intitulada A Voz das Vítimas.
Esta cadeia foi um dos símbolos da ditadura que nos governou de 1926 a 1974.

Já no período do domínio muçulmano ali funcionaria uma prisão, o que se manteve com a conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques.
Só em finais do século XVI, sob o domínio dos Filipes, o edifício então existente passaria a ter outras funções. Com o terramoto de 1755, o edifício sofreu grandes transformações e, após a revolução liberal de 1820, voltou a funcionar como prisão, sendo considerada como uma das que tinha piores condições. Em 1845 tornou-se uma prisão para mulheres.
O edifício teve obras no início da 1.ª República e, a partir de 1928, já em plena ditadura militar, tornou-se uma cadeia para os presos políticos masculinos, que haveria de ser gerida pela polícia política (PVDE, depois PIDE).
A cadeia do Aljube foi encerrada em 1965, na sequência de muitos protestos nacionais e internacionais, e porque a PIDE também considerava que a prisão apresentava problemas de segurança (na perspectiva de quem prendia, claro).
Ainda voltaria a funcionar para presos de delito comum (1969-197...).


Pelo Aljube passaram, entre 1928 e 1965, milhares de presos políticos, sujeitos à repressão do regime ditatorial e da sua polícia política. Aí sofreram as duras condições prisionais por terem a coragem de resistir.

A exposição A Voz das Vítimas é uma homenagem a essas pessoas, recordando o que ali sofreram, para que a memória não se perca e para que tenhamos mais presente o que representam a liberdade e os nossos direitos de cidadãos.
O Aljube fica junto à Sé de Lisboa e a entrada na exposição é gratuita.

E falo agora para os meus ex-alunos: peçam aos vossos pais para fazerem convosco essa visita, aproveitando o período de férias. Podem visitar também a Sé, ali bem perto. Será um óptimo (e educativo) passeio.


2 de julho de 2011

Vendedora de figos


Varina

Tanoeiro


Taberneiro


Limpa-chaminés


Leiteira


Guarda-Nocturno


Fotógrafo "à la minute"

Ferreiro


Carvoeiro



1 de julho de 2011

Calceteiro


Ardina


Amolador


Acendedor de candeeiros (lampiões)

Profissões de finais do séc. XIX / início do séc. XX

Em AP, a turma do 6.º 10, com as professoras Antonieta Miranda e Valentina Batista, trabalhou o tema das profissões urbanas de finais do século XIX e início do século XX.
Como o tema se relaciona com a História, nomeadamente com os conteúdos sobre a alteração da vida nas cidades na 2.ª metade do século XIX, e há desenhos muito bonitos, serão aqui apresentados alguns desses trabalhos (aqueles que tive oportunidade de digitalizar).

Para facilitar a sua pesquisa/observação, os desenhos serão organizados pelas respectivas profissões.

Fim de Ano - Um balanço

O ano lectivo chegou ao fim.
Parámos há já alguns dias - foram as últimas fichas, as últimas aulas (a correr para o 25 de Abril, que aqui pouco se viu!), as avaliações, outras tarefas para os professores (preferia estar a blogar!...)...
As visitas ao Historiando diminuíram, naturalmente.

Chegámos ao fim de um ciclo, chegaram vocês ao fim do 2.º Ciclo.
Ficam sempre saudades. Verdade, Ana Carolina, menina que me perguntou por elas.

Acho que o blog foi uma boa experiência. Uma experiência que pode ser melhorada e complementada com outros recursos...
Mas penso que para isso contribuiu o facto de ter boas turmas, cada uma à sua maneira:
- o 6.º 4 revelou-se uma surpresa positiva do ponto de vista do comportamento/forma de estar, mas pouco contribuiu com o seu trabalho. Os interesses da maioria dos alunos são outros...
- o 6.º 10 foi a turma com melhores resultados nas provas de avaliação, mas a sua forma de estar era, no geral, demasiado agitada para que se "estivesse (mesmo) bem". Havia comportamentos infantis de alguns alunos que prejudicavam o ambiente de trabalho e não facilitaram outras formas de trabalhar. Fica-me essa pena, porque tinha alunos com grandes capacidades.
- o 6.º 6 foi a turma mais equilibrada entre trabalho/participação e comportamento. Era uma turma no verdadeiro sentido do termo, um grupo unido, com quem dava gosto estar (embora às vezes também houvesse um pouco de conversa a mais). Tinha um grupo de alunos que suscitava conversas que achei muito interessantes.

O interesse e a atitude de alguns alunos destas duas últimas turmas foram o melhor estímulo para o que fui/fomos aqui fazendo. E o tempo não chegou para tudo o que tinha pensado (ter este espacinho arranjado dá trabalho!...).
O Historiando chegou a ultrapassar as 1000 visitas diárias, teve no mês de Maio uma média diária de 450 visitas e, no total do ano lectivo, ultrapassou as 35 mil. Nem todas eram vossas, claro (foi surpreendente, para mim, o elevado número de visitas a partir do Brasil), mas em altura de fichas de avaliação notava-se um aumento significativo, o que quer dizer alguma coisa.

Espero que, de alguma forma, este espaço tenha sido útil para vocês e que para o ano, apesar de estarem quase todos no 7.º ano, continuem a passar por aqui e a acompanhar o Historiando, deixando as vossas opiniões, podendo colocar dúvidas e dando o vosso contributo. Acharia muito interessante.
O e-mail também é vosso conhecido: carloscarrasco9@gmail.com

Penso continuar a escrever algumas mensagens durante estes meses de paragem de aulas... Por estes dias irei colocar desenhos que o 6.º 10 fez em AP sobre profissões do final do século XIX/princípio do século XX.

Apareçam sempre.
Boas férias
Felicidades para todos

Um abraço
O vosso prof. de HGP
Carlos Carrasco

17 de junho de 2011

Os Presidentes da República da ditadura (1926 a 1974)

Capitão Mendes Cabeçadas
(31 de Maio a 17 de Junho de 1926)

General Gomes da Costa
(17 de Junho a 9 de Julho de 1926)

General Óscar
(16 de Novembro de 1926 a 18 de Abril de 1951)

General Craveiro Lopes
(22 de Julho de 1951 a 8 de Junho de 1958)

Almirante Américo Tomás
(8 de Junho de 1958 a 25 de Abril de 1974)

As eleições presidenciais durante o Estado Novo

1935 (14 de Fevereiro) - O general Óscar Carmona, candidato do regime (e único), é eleito Presidente da República, cargo que já ocupava desde 1926, na sequência do golpe militar de 28 de Maio.

1942 (8 de Fevereiro) - O general Óscar Carmona, candidato único, foi reeleito Presidente da República.

Em 1948 (Julho), o general Norton de Matos apresentou a sua candidatura, pela oposição, à presidência.
Em Fevereiro de 1949, Norton de Matos desistiu de concorrer, por falta de liberdade.
O general Carmona foi reeleito.

Em 1951 (18 de Abril), morreu o general Carmona. Salazar ocupou o cargo até às eleições, realizadas a 22 de Julho.

Da oposição candidataram-se o almirante Quintão Meireles e o prof. Ruy Luís Gomes.

Candidatos da oposição às eleições presidenciais de 1951:
Contra-almirante Quintão Meireles e Prof. Ruy Luís Gomes
5 dias antes das eleições, o Conselho de Estado considerou ilegal a candidatura de Ruy Luís Gomes.
3 dias antes das eleições, Quintão Meireles desistiu da sua candidatura.
Venceu as eleições o candidato do regime, o general Craveiro Lopes.

General Humberto Delgado
em campanha eleitoral no Porto
Em 1957 (Outubro), o general Humberto Delgado anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais de 1958, em oposição aberta ao poder de Salazar.
Durante a campanha eleitoral, Humberto Delgado afirmou que demitiria Salazar se fosse eleito Presidente.
Foram muitas as manifestações de simpatia pela campanha de Humberto Delgado, alcunhado de "General Sem Medo".
Os verdadeiros resultados desta eleição nunca os chegaremos a saber, tantas foram as fraudes que ocorreram. Oficialmente, o almirante Américo Tomás foi eleito Presidente da República, com 75% dos votos.

Para evitar situações futuras semelhantes, foram alteradas as leis de eleição do Presidente. A eleição passaria a ser feita por um colégio eleitoral, isto é, um conjunto de pessoas (602) da confiança política do regime (de Salazar). Assim não haveria surpresas!

O Almirante Américo Tomás foi facilmente reeleito em 1965 e 1972. Era o Presidente da República quando aconteceu a revolução de 25 de Abril de 1974.

16 de junho de 2011

As eleições para o Parlamento durante o Estado Novo

1938 (30 de Outubro) - Só concorreu a União Nacional (o partido que apoiava o regime), pelo que todos os deputados eram deste partido.

1942 (1 de Novembro) - Só concorreu a União Nacional, pelo que todos os deputados eram deste partido.

1945 (18 de Novembro) - Só concorreu a União Nacional, pelo que todos os deputados eram deste partido.
Cartaz do MUD apelando à abstenção
Em Outubro tinha-se constituído o Movimento de Unidade Democrática (MUD), para participar nas eleições que, segundo Salazar, seriam tão livres como na livre Inglaterra. O MUD, não podendo concorrer em situação de igualdade com a União Nacional e sofrendo os seus candidatos ameaças, desistiu das eleições, apelando à abstenção.

1949 (13 de Dezembro) - Só concorreu a União Nacional, pelo que todos os deputados eram deste partido.

1953 (8 de Novembro) - Só concorreu a União Nacional, pelo que todos os deputados eram deste partido.

1957 (3 de Novembro) - Só concorreu a União Nacional, pelo que todos os deputados eram deste partido.

1961 (12 de Novembro) - Só concorreu a União Nacional, pelo que todos os deputados eram deste partido.

1965 (7 de Novembro) - Só concorreu a União Nacional, pelo que todos os deputados eram deste partido.

1969 (26 de Outubro) - Pela primeira vez na ditadura, a oposição concorreu às eleições através de duas organizações: a CDE (Comissão Democrática Eleitoral) e a CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática). Segundo os resultados oficiais, os votos destas duas organizações foram insuficientes para elegerem qualquer deputado. A União Nacional elegeu todos os deputados.


1973 (28 de Outubro) - Só concorreu o partido do regime, agora chamado Acção Nacional Popular, pelo que todos os deputados eram deste partido.


15 de junho de 2011

O atentado contra Salazar

Um grupo de oposicionistas tinha idealizado matar Salazar... à metralhadora.
Para concretizar este atentado eram necessários 2 carros de arranque rápido. Decorria o mês de Fevereiro de 1937. A tentativa de roubar 2 táxis falhou e o plano foi revisto.

Sabendo que Salazar costumava ir à missa numa capela privada, na zona das avenidas novas (Lisboa), aproveitaram os colectores dos esgotos para instalar uma carga explosiva.
No dia 4 de Julho de 1937, tudo parecia estar a correr de acordo com o plano: os sinais combinados foram dados quando da chegada do automóvel que transportava Salazar à Av. Barbosa du Bocage, a explosão foi grande... mas "no sentido contrário" à posição do carro de Salazar.
Aconteceu que as medidas do colector teriam sido mal tiradas e o invólucro da bomba não ficou no local previsto.
Salazar, depois do susto, pôde ir à missa e as várias polícias começaram a actuar para capturarem os autores do atentado. Isso aconteceu alguns dias depois e os responsáveis pelo atentado foram condenados a anos de prisão (entre 16 e 18); dois deles morreriam na cadeia.

Jornal com a notícia do atentado


Nota: Por lapso, deixei estar aqui durante dois dias a indicação da data de 4 de Julho de 1934 em vez de 1937. 

Oposição durante o Estado Novo (após 1945)

Em 1945 terminou a II Guerra Mundial, com a vitória dos Aliados, Grã-Bretanha, França, Estados Unidos e União Soviética (país que englobava a actual Rússia, a Ucrânia e outras repúblicas) sobre as forças do Eixo (as ditaduras - Alemanha, Itália e Japão).


Gen. Norton de Matos
  A oposição aproveitou a ocasião para realizar manifestações, passando mensagens anti-salazaristas.
Em Agosto de 1945 falhou uma tentativa de golpe militar, liderada pelo general Norton de Matos.

A 5 de Outubro do mesmo ano, por ocasião do aniversário da implantação da República, a oposição exigiu o fim do Estado Novo, "em nome do espírito [democrático] dos Aliados".
Salazar prometeu realizar eleições "tão livres como na livre Inglaterra" para a Assembleia Nacional (Parlamento).

Mas durante todo o tempo do Estado Novo, nunca a oposição conseguiu participar em eleições realmente livres, nas mesmas condições do partido único que apoiava o regime. A oposição nunca conseguiu eleger um único deputado.

António Oliveira Salazar
Só em 1958 a oposição conseguiu apresentar e levar até ao acto da votação um candidato às eleições presidenciais: o general Humberto Delgado. As limitações postas à campanha e as fraudes cometidas fazem com que não seja possível saber o verdadeiro resultado dessas eleições. A vitória foi do candidato do regime, Almirante Américo Tomás, que ainda era Presidente da República quando do 25 de Abril de 1974.

Nos 30 anos que vão de 1945 a 1974, houve mais greves e manifestações, sucederam-se mais 3 tentativas de revolta e foram descobertas mais 3 conspirações.
Finalmente, a 25 de Abril de 1974, os militares organizados no Movimento das Forças Armadas puseram fim à ditadura.