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150 anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal (1867-2017)

31 de janeiro de 2016

Viagem de Vasco da Gama (5) - Angra de S. Brás

«Em vinte e cinco dias do dito mês de Novembro, um Sábado à tarde, dia de Santa Catarina, entrámos em a Angra de São Brás, onde estivémos treze dias porque nesta angra desfizemos a nau que levava os mantimentos e os recolhemos aos navios.

No sábado, cerca de 200 negros, entre grandes e pequenos, aproximaram-se. Traziam umas 12 reses, bois e vacas, e quatro ou cinco carneiros. Logo que os vimos, fomos para terra. Eles então começaram a tocar quatro ou cinco flautas, e uns tocavam alto, outros, baixo, num concerto muito bom para negros, de quem não se espera música. Além disso, bailavam como negros. O Capitão-mor mandou que se tocassem as trombetas, e todos nós pusemo-nos a dançar nos batéis, mesmo o Capitão. Acabada a festa, fomos à terra, onde desceramos da outra vez, e ali trocámos um boi negro por três manilhas.

Foi este boi o nosso jantar de domingo. Era muito gordo, e a sua carne saborosa como a que comíamos em Portugal. Neste domingo, 3 de Dezembro, aproximaram-se outros tantos e traziam consigo as mulheres e crianças pequenas. As mulheres estavam em cima de uma elevação, perto do mar, e tocavam e bailavam como no sábado.

Esta gente é negra, e são homens de bons corpos; andam nus, somente trazem uns panos de algodão pequenos com que cobrem suas vergonhas, e os senhores desta terra trazem estes panos maiores. E as mulheres moças, que nesta terra parecem bem, trazem os beiços furados por três lugares, e ali lhes trazem uns pedaços de estanho retorcidos; e esta gente folgava muito connosco; e nos traziam aos navios disso que tinham, em almadias que eles têm; e nós isso mesmo íamos à sua aldeia a tomar água. […]»


Relação da primeira viagem à Índia pela armada chefiada por Vasco da Gama




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