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Lisboa antes do terramoto de 1755 - gravura

28 de setembro de 2013

A lenda de D. Sebastião

É muito comum a ideia da incerteza da morte de D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir. A lenda em como D. Sebastião teria sobrevivido será resultado do relato de cronistas: "ninguém viu morrer o rei" (Jerónimo de Mendonça) ou afirmações de que testemunhas viram D. Sebastião afastar-se do local da batalha (Frei Bernardo da Cruz).

Vista de Lisboa (1572)
No dia 24 de junho de 1578, a armada de D. Sebastião largara da barra do Tejo em direção ao norte de África. Seriam cerca de 20 mil homens de armas, incluindo entre 450 e 500 fidalgos, das famílias mais importantes do Reino. O objetivo era "voltar a África para combater o mouro".


A batalha de Alcácer Quibir foi travada a 4 de agosto de 1578. Teve muitas peripécias, sendo o resultado final uma pesada derrota do exército português e a morte do rei D. Sebastião.
Há documentos que provam essa morte.
O seu corpo foi reconhecido por Sebastião de Resende, guarda-roupa do rei. Nobres feitos cativos na batalha terão confirmado esse reconhecimento.
O corpo foi resgatado do local da batalha e sepultado em Alcácer Quibir, na casa do alcaide da cidade. Um jurista português, doutor Belchior do Amaral, teve autorização para acompanhar o sepultamento e escreveu ao Cardeal D. Henrique a confirmar a morte.

Reconhecimento do corpo
(pintura de Caetano Moreira da Costa Lima, séc. XIX)
O corpo foi depois transferido para Ceuta, cidade dominada pelos portugueses, sendo depositado na igreja do Mosteiro da Santíssima Trindade.
Há um documento datado de 10 de dezembro de 1578 que relata o acontecido. A 8 de janeiro de 1579, o Cardeal D. Henrique escreve uma carta a D. Filipe II de Espanha a agradecer a colaboração deste para a recuperação do corpo.

D. Sebastião
(retrato pintado por Cristóvão de Morais, 1572)

D. Filipe II de Espanha, em 1582, quando já era rei de Portugal, trasladou o corpo de D. Sebastião para Portugal, ficando o seu túmulo na igreja do Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa).

Túmulo de D. Sebastião
(Mosteiro dos Jerónimos)


7 comentários:

  1. Bom dia, não sabia que havia tantos testemunhos sobre a morte do rei e mesmo assim a lenda continuou
    Terá alguma semelhança com o destino da princesa da Inglaterra, se me permite, onde há muita gente com a esperança de descobrir outra coisa

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    1. O que pode haver de "suspeito" é a voluntariosa participação de D. Filipe II em muitos dos passos dados no resgate do corpo. O rei de Espanha era interessado direto em que D. Sebastião estivesse morto e declaradamente morto para assumir, sem incómodos fantasmas, o governo de Portugal. Quanto mais depressa enterrasse o fantasma...
      Há poucos anos (2007 ou 2009), dois historiadores pretendiam estudar os restos mortais que estão no túmulo do Mosteiro dos Jerónimos para confirmar se se trata, de facto, de D. Sebastião (houve um artigo no jornal Público, de onde tirei, na altura, algumas informações que me serviram agora para o post). Penso que não foram autorizados. Pelo menos, nunca mais ouvi falar do assunto.
      Um livro onde se encontram muitas das informações que usei é "A perda da independência - de Alcácer Quibir aos Açores (1578 - 1583), de Carlos Margaça Veiga, editado pela QuidNovi. É um livrinho pequeno de uma coleção baratinha e interessante (com boas sínteses) chamada História de Portugal - Guerras e Campanhas Militares.

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  2. Eu descobri que o tumulo que filipe II entregou era falso

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  3. Pelo que eu sei, na lenda de D. Sebastião dizia que D. Sebastião teria fugido numa manhã de nevoeiro, não que morrera e que o seu corpo fora transferido para Ceuta. Concluo com a visualização desta página que à pessoas que confundem uma lenda com um rede várias testemunhas e várias opiniões de variadas pessoas

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  4. boa noite, eu queria saber onde é que posso encontrar documentos acerca do mito sebastianista com a perspetivas dos vários historiadores sobre essa época (prós e contras).
    obrigado

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    1. 1 - Quando fala em documentos, penso que se refira a bibliografia.
      2 - Quando se refere a mito sebastianista (com várias perspetivas), penso que se esteja a referir à questão de se acreditar (defender) ou não na morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir.
      Resposta:
      Não sou especialista no assunto.
      Penso que continuam a ser incontornáveis os livros de Queiroz Veloso, das décadas de 1930-40, os quais darão mais pistas:
      - VELOSO, Queiroz, D. Sebastião 1554-1578
      - VELOSO, Queiroz, O reinado do Cardeal D. Henrique
      Faz uma breve (e boa) síntese da época:
      - VEIGA, Carlos Margaça, A perda da independência - de Alcácer Quibir aos Açores (1578-1583)
      Últimos autores que (eu conheça) que defendem a sobrevivência de D. Sebastião:
      - Mário Saraiva, D. Sebastião na história e na lenda, Universitária Editora, 1994;
      - Maria Luísa Martins da Cunha, Grandes Enigmas da História de Portugal (3.º volume), Ésquilo, 2011 (segue o que Mário Saraiva escreveu)
      Pode ser interessante:
      - MENDONÇA, Jerónimo de, Jornada de África (escrita por quem foi feito prisioneiro em Alcácer Quibir)
      Encontrei referência a estes livros (que não conheço), de "não portugueses" (se calhar, os portugueses já se cansaram do tema):
      - VALENSI, Lucette, Fábulas da memória – A gloriosa batalha dos três reis (Edições ASA, 1996)
      - HERMANN, Jacqueline, No Reino do Desejado - a construção do sebastianismo em Portugal - séculos XVI e XVII (São Paulo, Companhia das Letras, 1998)
      Nas obras gerais, talvez a História de Portugal de Veríssimo Serrão (vol. III e IV) e a História de Portugal coordenada pelo Dr. João Medina (vol. VI).

      Há mais diversidade de perspetivas na área do pensamento filosófico/sociológico em torno do sebastianismo:
      - Oliveira Martins, História de Portugal
      - Sampaio Bruno, O Encoberto
      - Lúcio de Azevedo, A evolução do sebastianismo
      - António Sérgio, Interpretação não romântica do sebastianismo (in Ensaios, vol. I)
      - António Sérgio, O desejado
      - António Machado Pires, D. Sebastião e o Encoberto
      - Joel Serrão, Do sebastianismo ao socialismo em Portugal (o 1.º ensaio do livro)

      Espero que lhe seja útil.

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