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Lisboa antes do terramoto de 1755 - gravura

21 de junho de 2018

O solstício de verão e o cromeleque de Almendres

O dia de hoje assinalou o solstício de Verão - início desta estação no hemisfério Norte. 

Desde a antiguidade que é festejado, sendo associado, em muitas culturas, a rituais de fertilidade.  Ainda hoje, nomeadamente nos países nórdicos, se honra o Sol em festivais.



O Homem terá começado a "pensar" o tempo, no território que é hoje Portugal, em épocas recuadas.
Dessa época chegaram-nos os chamados monumentos megalíticos, conjuntos monumentais de pedras associados a espaços sagrados, podendo ter a função de "marcadores do tempo".

O Cromeleque dos Almendres, no concelho de Évora, é um desses lugares. 
Trata-se do maior monumento megalítico - o mais vasto conjunto de menires estruturados da Península Ibérica - e um dos maiores em todo o mundo.  
«Interpretado como local associado a cultos astrais, ou a práticas propiciatórias da fecundidade, o recinto megalítico mantém um carácter mágico e misterioso, evocando estranhos rituais, cujos contornos nunca serão plenamente esclarecidos.» (Álvaro Duarte de Almeida e Duarte Belo, Portugal Património)


Cromeleque é um conjunto de menires dispostos em círculo, elipses, semicírculo ou, ainda, em estruturas mais complexas, como é o caso de Almendres. 
«Formado por mais de 95 monólitos graníticos, implanta-se numa clareira e segue um contorno quase circular cujo diâmetro atinge, na extensão máxima, os 70 metros. Os menires, de diferentes tamanhos e organizados em pequenos aglomerados, apresentam, em geral, uma forma ovóide.» (idem)


Há estudos que remetem a sua origem para os quinto e quarto milénios a.C., mas também há quem o localize no final do Neolítico/início da Idade do Cobre (cerca de 3000 - 2500 a.C.).

A pouco mais de 1 km, localiza-se um menir de grandes dimensões, o Menir dos Almendres.


Este estará relacionado com o cromeleque, uma vez que, no dia do solstício de Verão, o Menir dos Almendres aponta exatamente para o nascer do sol quando visto de dentro do círculo.


O Cromeleque dos Almendres foi classificado como Monumento Nacional, no seguimento de "diversos estudos e trabalhos de escavação efectuados vieram ampliar o reconhecimento do interesse arqueológico e científico do sítio, bem como do seu contexto paisagístico".


Como afirmou Fernando Correia de Oliveira, em História do Tempo em Portugal, «os primeiros calendários "portugueses", ainda e sempre prontos a funcionar, a indicar equinócios e solstícios, datam de há cinco mil anos.»


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