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Os conjurados de 1640 (desenho de Manuel Lapa) |
«Fixou-se o início do movimento para as 9 horas da manhã. (...) Os rebeldes distribuíram-se pelos locais previamente combinados para as diferentes missões: uns deveriam tomar o corpo da guarda constituído por elementos da infantaria castelhana; outros tinham a incumbência de travar a guarda dos tudescos; um outro grupo ficara de alertar o povo através das janelas do paço e, finalmente, outros ficaram com a obrigação de dar morte a Miguel de Vasconcelos.
Na grande sala dos Tudescos do paço da Ribeira a resistência foi fraca. Entretanto, D. Miguel de Almeida percorria as salas do paço e gritava “Liberdade, liberdade. Viva el rei D. João o IV”. Chegou à varanda e com palavras acesas instigou o povo reunido pelos mesteres, segundo a prévia combinação com os fidalgos.

Os outros pegaram de imediato no corpo, precipitando-o da janela da secretaria. Caiu entre o povo que estava no Terreiro do Paço, (…) que, de imediato, se lançou em cruel assalto ao corpo do moribundo secretário.
Procurando reforços, a duquesa de Mântua gritava por socorro da janela do paço, pelo que logo subiram uns fidalgos à sala onde estava. A autoridade da sua pessoa e cargo não os demoveu; à troca de argumentos por ela iniciada pôs fim D. Miguel de Almeida, impedindo-a de sair do paço e obrigando-a a recolher-se com as suas damas à torre.
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Prisão da Duquesa de Mântua |
Desceram, depois, ao Terreiro e mergulharam entre a população repetindo o nome do novo rei.
Junto à Sé, nas portas da Igreja de Santo António, o povo alvoraçado gritava “milagre”. (…)
Logo se impunha a nomeação de governo que garantisse a ordem e as urgências até D. João chegar de Vila Viçosa. (…) Despacharam ainda um correio a levar a boa nova ao novo rei.»
Leonor Freire Costa e Mafalda Soares da Cunha, D, João IV
Nota: Miguel de Vasconcelos era o secretário de Estado da duquesa de Mântua, a vice-rainha de Portugal em nome de D. Filipe III.
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