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A imagem faz parte de um livro publicado no ano de 1647, por J. Blaeu (um importante cartógrafo holandês), em que está desenhado um conjunto de mapas do nordeste brasileiro, então ocupado pelos holandeses, decorados com cenas da vida quotidiana. A cena que apresentamos representa uma fazenda brasileira produtora de açúcar, na zona de Pernambuco.

2 de dezembro de 2016

1 de dezembro de 1640 - Os acontecimentos do dia

Os conjurados de 1640
(desenho de Manuel Lapa)

«Fixou-se o início do movimento para as 9 horas da manhã. (...) Os rebeldes distribuíram-se pelos locais previamente combinados para as diferentes missões: uns deveriam tomar o corpo da guarda constituído por elementos da infantaria castelhana; outros tinham a incumbência de travar a guarda dos tudescos; um outro grupo ficara de alertar o povo através das janelas do paço e, finalmente, outros ficaram com a obrigação de dar morte a Miguel de Vasconcelos. 


Na grande sala dos Tudescos do paço da Ribeira a resistência foi fraca. Entretanto, D. Miguel de Almeida percorria as salas do paço e gritava “Liberdade, liberdade. Viva el rei D. João o IV”. Chegou à varanda e com palavras acesas instigou o povo reunido pelos mesteres, segundo a prévia combinação com os fidalgos.








Para o chamado forte, dependência onde residia Miguel de Vasconcelos, dirigiram-se bastantes fidalgos. Entraram impetuosamente na secretaria (…). Ultrapassaram facilmente a guarda atarantada, mas D. António Teles de Meneses não resistiu a esfaquear António Correia, oficial maior de Miguel Vasconcelos. Era no entanto este que procuravam. Escondido num armário, o odiado secretário tentava evitar a fúria dos fidalgos. Sem sucesso, pois na aturada busca D. António Teles logo o descobriu, desfechando-lhe duas balas com que caiu desamparado. 



Os outros pegaram de imediato no corpo, precipitando-o da janela da secretaria. Caiu entre o povo que estava no Terreiro do Paço, (…) que, de imediato, se lançou em cruel assalto ao corpo do moribundo secretário. 
Procurando reforços, a duquesa de Mântua gritava por socorro da janela do paço, pelo que logo subiram uns fidalgos à sala onde estava. A autoridade da sua pessoa e cargo não os demoveu; à troca de argumentos por ela iniciada pôs fim D. Miguel de Almeida, impedindo-a de sair do paço e obrigando-a a recolher-se com as suas damas à torre. 

Prisão da Duquesa de Mântua

Desceram, depois, ao Terreiro e mergulharam entre a população repetindo o nome do novo rei.
As tropas espalharam-se pelos marcos políticos da cidade (…). A fim de sossegar o povo e dando sinais do acordo da Igreja, o arcebispo D. Rodrigo da Cunha saiu em procissão com cruz alçada acompanhado do clero. O padre Nicolau da Maia falou ao povo, apontando a cruz. (…) Pedia que se fosse buscar a bandeira de Lisboa ao Senado da Câmara (…) para com ela espalhar autorizadamente a notícia. Após alguma demora, abriram-se as portas e a bandeira foi entregue a D. Álvaro de Abranches, que, com ela empunhada, largou a cavalo a percorrer a cidade.




Junto à Sé, nas portas da Igreja de Santo António, o povo alvoraçado gritava “milagre”. (…)
Logo se impunha a nomeação de governo que garantisse a ordem e as urgências até D. João chegar de Vila Viçosa. (…) Despacharam ainda um correio a levar a boa nova ao novo rei.»

Leonor Freire Costa e Mafalda Soares da Cunha, D, João IV


Nota: Miguel de Vasconcelos era o secretário de Estado da duquesa de Mântua, a vice-rainha de Portugal em nome de D. Filipe III.


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