A Ponte sobre o Tejo em fase de construção.
APRESENTAÇÃO: Este blogue começou por se destinar, essencialmente, aos meus alunos (dos 5.º e 6.º anos), procurando a interação possível quando não existiam as plataformas educativas. Com estas, o blogue perdeu o sentido de necessidade e foi diminuindo o número de novos posts. Mas, mesmo com a aposentação do seu autor, permanece como um espaço de arquivo que pode continuar a ser útil. Por interesse sobre os assuntos da História e da Geografia de Portugal, por gosto e por vício, serão partilhados novos posts... sem o sentido de obrigação, sem vinculação a orientações curriculares, ao ritmo do meu interesse e do meu tempo.

4 de julho de 2017

Um atentado contra Salazar - há 80 anos

Não foi a primeira ação violenta desse ano, mas visou o próprio Chefe do Governo do regime do Estado Novo.

Na manhã do dia 4 de julho de 1932, um Domingo, Salazar dirigia-se, como habitualmente, para a capela da residência do seu amigo Josué Trocado, um palacete na Av. Barbosa du Bocage, na zona das Avenidas Novas, em Lisboa.

À chegada, o motorista abriu a porta do automóvel. Saiu o chefe de gabinete do Presidente do Conselho, Leal Marques, e Salazar, ainda agarrado à porta do carro, pôs um pé no chão. Nesse momento rebentou uma bomba colocada num coletor de esgoto.
Salazar caiu para dentro do carro, mas levantou-se de imediato, «sorridente, com absoluto domínio de vontade, serenando os amigos num gesto», segundo o relato do jornal O Século

Notícia do atentado no Diário de Lisboa
O rebentamento da bomba provocou uma chuva de terra e pedras. Na rua, abriu-se uma cratera. Os vidros das residências vizinhas partiram-se e as tampas das sarjetas ficaram destruídas num raio de 500 metros.



Ainda de acordo com O Século, Salazar «relanceou, rápido, um olhar sobre o montão de terra, pedras, ferros torcidos e manilhas partidas e disse: “Bem, vamos à missa!”» 



Na realização do atentado estiveram implicados anarco-sindicalistas e, muito possivelmente, elementos com ligação ao Partido Comunista e a correntes republicanas.
 
Por que razão o atentado não teve sucesso? Porque o comprimento o recipiente que continha o explosivo, colocado sob o pavimento da rua e que devia deflagrar no momento e no local onde o automóvel do Chefe do Governo costumava parar, "excedia as dimensões da ligação entre a rede de esgotos e o coletor situado por debaixo do automóvel". A bomba ficou entalada e numa posição diferente da prevista, pelo que, quando foi acionada à distância, o "sentido" da explosão se desviou da direção pretendida pelos autores do atentado.



Brigadas da polícia política (na época chamada PVDE, Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), da PSP (Polícia de Segurança Pública) e da PIC (Polícia de Investigação Criminal, que está na origem da Polícia Judiciária) iniciaram a “caça ao homem”. O bairro de Alcântara, onde viviam alguns dos responsáveis pelo atentado, esteve cercado. 

Dez dias depois do atentado começaram a ser feitas prisões. Mas entre os presos estiveram vários inocentes que, debaixo de tortura, confessaram o que não tinham feito. Até que os verdadeiros implicados foram presos. Julgados em tribunal militar, um dos principais cabecilhas, Emídio Santana, foi condenado a 16 anos de prisão, mas houve quem fosse condenado a 18 anos (e tivesse morrido na prisão – o que aconteceu a dois dos condenados) e houve implicados que conseguiram escapar.


Manifestações de apoio a Salazar
Salazar foi objeto de muitas manifestações de apoio, foram celebradas muitas missas de ações de graça por ter escapado ileso, uma marcha de senhoras deixou rosas à sua porta e recebeu telegramas de solidariedade de Hitler e de Mussolini, os ditadores da Alemanha e da Itália.

Preces pelo "Salvador da Nação Portuguesa"

Embora Salazar considerasse que tinha muita sorte “nestas coisas”, foi depois deste acontecimento que decidiu instalar-se num palacete construído, em 1877, nas traseiras do chamado Palácio de S. Bento, e que se tornou, desde então, residência oficial do Chefe do Governo em Portugal.

Salazar (4.º a contar da direita) e os seus ministros

Tendo escapado ao atentado, António de Oliveira Salazar seria Chefe do Governo - Presidente do Conselho de Ministros - até 1968. 


1 de julho de 2017

Carta de Lei da Abolição da Pena de Morte é Marca do Património Europeu,

A Carta de Lei da Abolição da Pena de Morte faz hoje 150 anos.

A lei da Abolição da Pena de Morte é um dos primeiros exemplos de inscrição num sistema jurídico nacional de uma Lei sobre a abolição da pena de morte para crimes civis.

A Carta de Lei da Abolição da Pena de Morte, documento do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, recebeu a distinção de Marca do Património Europeu, no dia 15 de abril de 2015.

Através da consagração da Lei da Abolição da Pena de Morte de 1867 como Marca do Património Europeu, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo pretendeu contribuir para a promoção dos valores da Cidadania Europeia com especial enfoque nos Direitos Humanos, e para a construção de uma identidade baseada nos valores da tolerância e respeito pela vida Humana, que informam a Convenção Europeia dos Direitos Humanos.




A abolição da pena de morte em Portugal - uma breve história





Uma produção da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas


150 anos da abolição da pena de morte em Portugal


Decreto das Cortes Gerais de 26 de junho de 1867

Há 150 anos, o rei D. Luís sancionou o decreto das Cortes Gerais de 26 de junho de 1867, o qual aprovava a reforma penal e das prisões, incluindo a abolição da pena de morte para os crimes civis - Carta de Lei de 1 de julho de 1867.

Carta de Lei de 1 de julho de 1867

Já em 1852, D. Maria II abolira a pena de morte para crimes políticos (artigo 16.º do Ato Adicional à Carta Constitucional de 1826).


Diário do Governo de 8 de julho de 1852,
onde se publica o "Acto Adicional à Carta Constitucional" 

O Artigo 16.º (o último do "Acto Adicional)
e a parte final do documento

Portugal foi, assim, um dos primeiros países a legislar a abolição da pena de morte. Essa decisão fez com que fôssemos apontados, pelas correntes abolicionistas da época, como exemplo de um país que tinha feito uma reforma de grande significado civilizacional, fundamentada nos valores do respeito pela vida humana e da tolerância.

No entanto, a lei aprovada em 1867 não era explícita quanto aos territórios em que aplicava, deixando dúvidas sobre a sua aplicação nas províncias ultramarinas. Esta questão só ficou resolvida a 9 de junho de 1870, quando um decreto com força de lei declarou expressamente «é abolida a pena de morte nos crimes civis em todas as províncias ultramarinas.» (art.º 1).

Diário do Governo de 17 de junho de 1870


4 de junho de 2017

A "Carreira da Índia"

Pormenor de uma carta náutica (ou carta de navegar - de marear), cerca de 1550
Depois da viagem de descobrimento do caminho marítimo para a Índia (Vasco da Gama, em 1497/1499), passou a realizar-se uma viagem anual entre Lisboa e os portos do Oriente (Goa, Cochim e, por vezes, Malaca). A viagem era realizada por um conjunto de navios.
Essa ligação marítima e o respetivo regresso ficou conhecida por Carreira da Índia.

Goa

«Foi considerada a viagem maior e mais árdua de quantas há nos descobrimentos.»
Essa rota de navegação à vela prolongou-se por mais de três séculos.
A nau foi o navio por excelência da Carreira, mas também eram utilizados galeões e, nos finais do século XVII e no século XVIII, fragatas.

Nau

A capacidade das naus sofreu grandes transformações: 100 toneladas de média na viagem de Vasco da Gama, 200 a 300 toneladas na armada de Pedro Álvares Cabral, 1000 toneladas atingidas em 1518 (embora a média deva ter ficado nas 400 a 600 toneladas no século XVI e 800 a 1000 toneladas no século XVII).


Cristóvão Colombo


Quadro pintado na primeira metade do século XIX, representando o navegador Cristóvão Colombo a anunciar aos Reis Católicos de Espanha, Fernando e Isabel, a descoberta da América.

Este fim de semana, no jornal Expresso, notícia do renascimento da polémica em torno da origem (nacionalidade) de Cristóvão Colombo. 


3 de junho de 2017

2 de junho de 2017

Ficha de avaliação - Turma 5.º H

Guião de Estudo para os alunos do 5.º H.

Chamo a atenção para o facto dos conteúdos/objetivos da ficha não abrangerem todas as páginas indicadas como fazendo parte do objeto da prova - sigam o guião.

As páginas 1, 2 e 4 da ficha de trabalho que levaram para casa dá uma boa ajuda no estudo para a primeira parte da ficha de avaliação.

Qualquer dúvida pode ser enviada para carloscarrasco9@gmail.com

Bom estudo!


31 de maio de 2017

Rotas de viagens de descobrimento e de comércio



A rota do Cabo, inaugurada por Vasco da Gama, vai afetar o controlo que os muçulmanos tinham do comércio no Oriente e os lucros que os mercadores de Veneza e de Génova tinham por venderem os produtos orientais na Europa.
A Rota do Cabo entrou em concorrência com a chamada Rota do Mediterrâneo. E com vantagem...



Principais rotas comerciais dos portugueses no Oriente (século XVI):




Do "cantinho" no extremo sudoeste da Europa aos arquipélagos atlânticos, à costa africana, ao Oriente (Índia, Malaca, China/Macau e Japão) e ao Brasil.

Europa - África - Ásia - América
Oceano Atlântico - Oceano Índico - Oceano Pacífico


O Império Português nos séculos XV e XVI

Diferentes formas de aproveitamento económico, conforme os territórios.

Nos arquipélagos

 Na costa ocidental africana

No Oriente



30 de maio de 2017

Rotas das grandes viagens marítimas portuguesas e espanholas dos séculos XV e XVI

Nas chamadas "primeiras viagens", destaque para a de Bartolomeu Dias (o "capitão da passagem"), que dobrou o Cabo das Tormentas, depois chamado Cabo da Boa Esperança.

Aumentar clicando no mapa 
É curioso que, no caso das viagens espanholas, nem Cristóvão Colombo nem Fernão de Magalhães eram de origem espanhola (apenas Sebastião del Cano, que completou a viagem de circumnavegação iniciada por Fernão de Magalhães, por morte deste).

Rotas individualizadas das grandes viagens marítimas portuguesas:

Bartolomeu Dias
Passagem do Cabo das Tormentas ou da Boa Esperança

Vasco da Gama
Descoberta do caminho marítimo para a Índia
A verde a ida, a vermelho o regresso

Pedro Álvares Cabral
Descoberta do Brasil (numa viagem que se dirigia para a Índia)


Ficha de avaliação - 6.º ano

Para os alunos das turmas 6.º C e 6.º E, o guião de estudo para a nossa última ficha de avaliação.

Bom estudo!

          Qualquer dúvida "fora do prazo" das aulas - carloscarrasco9@gmail.com


28 de maio de 2017

28 de maio de 1911 - a 1.ª mulher a votar em Portugal

A Assembleia de Voto que funcionou na Escola Politécnica,
no dia 28 de maio de 1911

O Portugal republicano ainda estava em festa, na sequência da revolução de 5 de outubro de 1910.

Era necessária uma nova Constituição e, a 28 de maio de 1911, realizaram-se eleições para a Assembleia Constituinte.

Num regime republicano democrático, ainda se estava longe de imaginar o que iria suceder dali a 15 anos! (ver post anterior)

A 28 de Maio de 1911, naquelas eleições, Carolina Beatriz Ângelo, a primeira cirurgiã em Portugal, tornou-se, também, na primeira mulher a votar no nosso país.
Pela sua persistência, que implicou uma discussão política e jurídica, conseguiu que o seu nome fosse incluído nos cadernos eleitorais da Comissão de Recenseamento do 2.º Bairro de Lisboa. E votou!...

Muita gente foi ver!...

Notícia da Illustração Portugueza, dando
conta que a médica Carolina Beatriz Ângelo
tinha votado


Foi recentemente editado o livro, em banda desenhada, sobre Carolina Beatriz Ângelo, "pioneira na cirurgia e no voto". 

 

28 de maio de 1926

A 28 de Maio de 1926, aconteceu o golpe militar que pôs fim à chamada 1.ª República e iria dar início a um período de 48 anos de ditadura, dividido em duas fases: a ditadura militar (1926 - 1933) e o Estado Novo (1933 - 1974).

A ação militar chefiada pelo general Gomes da Costa iniciou-se na cidade de Braga.

Naquele dia, as notícias saídas em jornais de Lisboa revelam que se acreditava que os militares de outras cidades, como Porto e Viana do Castelo, ainda iriam atacar os revoltosos.
Mas tal não aconteceu.




Em 1936, 10 anos depois do golpe militar, o dia foi considerado feriado.
Na fotografia, o general Carmona e o chefe do Governo, Oliveira Salazar,
no desfile comemorativo do 28 de maio.


23 de maio de 2017

Nau quinhentista - vídeo

Como era a vida a bordo de uma nau.
Visita guiada à réplica de uma nau do início do século XVI.





20 de maio de 2017

O início da expansão portuguesa - A conquista de Ceuta

A conquista da cidade de Ceuta aos muçulmanos, em 1415, foi o acontecimento que marcou o início da expansão portuguesa.

Mapa com a localização de Ceuta, no Norte de África, junto ao Estreito de Gibraltar 

O vídeo foi organizado em 7 partes:
     1 - A tomada de decisão sobre a conquista
     2 - As razões para a conquista
     3 - A preparação da conquista
     4 - A morte de D. Filipa de Lencastre e a partida da armada
     5 - Os problemas da viagem
     6 - A conquista
     7 - A posse de Ceuta - o início de uma nova era 



Henrique, o Navegador e a cartografia - vídeo

A propósito do tema dos descobrimentos, o vídeo sobre o qual incide uma ficha de trabalho a preencher...

É abordado o início da expansão, ainda no reinado de D. João I, com a conquista de Ceuta e, depois, o princípio da aventura marítima, com algumas peripécias pelo meio.
Torna-se compreensível o papel desempenhado pelo Infante D. Henrique, a importância da passagem do Cabo Bojador e, de forma muito resumida (porque já depois da morte do Infante), as grandes viagens marítimas que deram a conhecer o Mundo.





18 de maio de 2017

Os Direitos (des)Humanos na História Contemporânea de Portugal

O trabalho desenvolvido pela turma do 6.º D, no âmbito do projeto Os Direitos (des)Humanos na História Contemporânea de Portugal, já deu origem ao blog da turma.




17 de maio de 2017

13 de maio de 2017

Centenário das aparições de Fátima

No dia 13 de maio de 1917, três crianças que andavam no campo a pastar ovelhas afirmaram ter visto Nossa Senhora, que teria recomendado que se rezasse muito para pôr fim à guerra no mundo - vivia-se à época a I Guerra Mundial.

As aparições continuariam no dia 13 de cada mês, o que foi atraindo cada vez mais pessoas à Cova da Iria (Fátima), local dessas aparições.
Em outubro, já terão sido cerca de 60 mil pessoas a deslocarem-se a Fátima. Nessa ocasião, os peregrinos afirmaram ter visto o Sol a rodar no céu.

"Milagre do Sol"


Inicialmente, nem o poder político (Governo, Presidente e Parlamento) nem as autoridades da Igreja deram importância a estes acontecimentos.
Só em 1927, o bispo de Leiria presidiu a uma celebração em Fátima e, em 1930, o mesmo bispo considerou "dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria" e autorizou oficialmente o culto de Nossa Senhora de Fátima.

Fátima - Peregrinação em 1927

Com o tempo, Fátima ganhou dimensão nacional ao nível da cultura popular. Os Papas foram, também, valorizando o significado religioso das aparições e as ações do culto a Nossa Senhora.
Em 1967, pelo 50.º aniversário das aparições, o Papa Paulo VI veio a Portugal - a primeira vez que um Papa se deslocou ao nosso país.

Papa Paulo VI em Fátima (1967)
As duas fases referidas nos parágrafos anteriores estarão relacionadas com os momentos políticos que se viviam:
  • entre 1910 e 1926 - 1.ª República - havia uma relação conflituosa entre as autoridades republicanas e a Igreja Católica; 
  • entre 1926 e 1974 - período das ditaduras - o poder político tinha uma boa relação com as autoridades da Igreja Católica.


Basílica da Santíssima Trindade (Fátima) 
Perspetiva do exterior e do interior da basílica, inaugurada em 2007.


Agora, por ocasião do centenário das aparições, foi o Papa Francisco que se deslocou a Fátima.

Independentemente da crença de cada um, ninguém pode ignorar a importância religiosa que Fátima adquiriu.


6 de maio de 2017