Desfile das tropas chefiadas pelo general Gomes da Costa, em Lisboa (Cais do Sodré), 6 de junho de 1926.
APRESENTAÇÃO: Este blogue começou por se destinar, essencialmente, aos meus alunos (dos 5.º e 6.º anos), procurando a interação possível quando não existiam as plataformas educativas. Com estas, o blogue perdeu o sentido de necessidade e foi diminuindo o número de novos posts. Mas, mesmo com a aposentação do seu autor, permanece como um espaço de arquivo que pode continuar a ser útil. Por interesse sobre os assuntos da História e da Geografia de Portugal, por gosto e por vício, serão partilhados novos posts... sem o sentido de obrigação, sem vinculação a orientações curriculares, ao ritmo do meu interesse e do meu tempo.

9 de setembro de 2023

Há 50 anos - O nascimento do Movimento das Forças Armadas (MFA)

A 9 de setembro de 1973 realizou-se, no monte do Sobral, em Alcáçovas (distrito de Évora), uma reunião de 136 oficiais de todas as armas e serviços das Forças Armadas, em reação aos decretos-leis n.ºs 353/73 e 409/73 (de 13 de julho e de 20 de agosto de 1973). 
A maioria dos presentes decidiu continuar a contestar os citados decretos, juntando-se ao protesto subscrito por 51 oficiais a prestar serviço na Guiné-Bissau (incluindo Otelo Saraiva de Carvalho, Manuel Monge, Salgueiro Maia, Duran Clemente e Carlos Matos Gomes) e a que se juntariam mais 97 oficiais a prestar serviço em Angola. 
Um documento dirigido ao presidente do Conselho, com conhecimento ao Presidente da República, foi redigido e, posteriormente, posto a circular para recolha de assinaturas. Nele era pedida uma solução para a situação de injustiça criada pelos citados decretos-leis.
Esta reunião é considerada o nascimento do Movimento das Forças Armadas.

Monte do Sobral (Alcáçovas)

Os referidos decretos pretendiam resolver o problema da falta de oficiais com que o exército se debatia face à continuação da guerra colonial. Mas eles permitiam que capitães milicianos entrassem para o quadro permanente realizando um “curso acelerado para oficiais” (de 2 semestres) e, dessa forma, ultrapassassem os cadetes formados na Academia Militar e que já pertenciam ao quadro permanente (e que necessitavam de 4 anos para serem promovidos a alferes).
Perante a recusa de diálogo por parte das autoridades políticas e militares, a 6 de outubro teria lugar uma nova reunião.
A 12 de outubro, o Ministro do Exército e da Defesa Nacional, Sá Viana Rebelo, que defendia os decretos em causa, acabou por os suspender e o Ministro do Ultramar, Silva Cunha, nomeou uma comissão para estudar a situação dos oficiais face a estes diplomas.
Curiosamente, na remodelação governamental que teve lugar no mês seguinte (7 de novembro), Viana Rebelo deixou de fazer parte do Governo, Silva Cunha passou a Ministro da Defesa Nacional e o Ministro do Ultramar passou a ser Baltasar Rebelo de Sousa (pai do atual Presidente da República).
Apesar da suspensão dos decretos, o Movimento dos Capitães não parou, ganhando uma tonalidade mais política. A reunião de 9 de setembro terá marcado o fim da “fase corporativa” e o início da fase em que se colocou como necessária uma solução política para guerra em África.


Placas evocativas da reunião