Hotel Aviz (ao centro), onde Calouste Gulbenkian viveu em Lisboa, de 1942 até 1955.
APRESENTAÇÃO: Este blogue começou por se destinar, essencialmente, aos meus alunos (dos 5.º e 6.º anos), procurando a interação possível quando não existiam as plataformas educativas. Com estas, o blogue perdeu o sentido de necessidade e foi diminuindo o número de novos posts. Mas, mesmo com a aposentação do seu autor, permanece como um espaço de arquivo que pode continuar a ser útil. Por interesse sobre os assuntos da História e da Geografia de Portugal, por gosto e por vício, serão partilhados novos posts... sem o sentido de obrigação, sem vinculação a orientações curriculares, ao ritmo do meu interesse e do meu tempo.

18 de julho de 2026

Fundação Calouste Gulbenkian - 70.º aniversário

O Decreto-Lei nº 40 690, de 18 de Julho de 1956, oficializava os estatutos da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).

Criada por testamento de Calouste Sarkis Gulbenkian (1869 – 1955), magnata e filantropo de origem arménia, a FCG visava o apoio à Arte, à Ciência, à Educação e à Beneficência.

Calouste Gulbenkian acumulou uma fortuna colossal com base nos negócios de exploração de petróleo no Médio Oriente, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo na primeira metade do século XX. Construiu, também, uma fabulosa colecção de arte, constituída por mais de 6 mil obras.

Refugiou-se em Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial (vindo de França, em 1942, com a ideia de aqui “fazer escala” para seguir para os EUA) e aqui acabou por viver até ao final da sua vida, no Hotel Aviz, à época o mais luxuoso hotel da capital (demolido em 1962).  

Hotel Aviz - sala de estar

Para edificar o complexo da sede e museu da Fundação, para além dos jardins, foi comprado o terreno do Parque de Santa Gertrudes, em Palhavã, onde antes funcionara o primeiro Jardim Zoológico de Lisboa (1884) e a Feira Popular (1943).   

Vista aérea do Parque de Santa Gertrudes (ao centro),
ainda com equipamentos da Feira Popular. 

Esse complexo, a que foi acrescentado, em 1983, o Centro de Arte Moderna (CAM), foi inaugurado a 2 de Outubro de 1969. Mas nessa data já funcionavam serviços de atividades na área da educação, saúde, música, belas-artes e bibliotecas, tinham sido criados o Instituto de Investigação Científica Gulbenkian, o Plano de Edições de obras estrangeiras traduzidas, a Orquestra Gulbenkian, o Grupo Gulbenkian de Bailado e o Coro Gulbenkian. Em 1965 patrocinara a primeira Campanha Nacional de Vacinação.

O projecto da sede, do museu e do jardim foi uma obra marcante em termos arquitectónicos, tendo sido classificada como Monumento Nacional. Os edifícios são da autoria de Ruy d’Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, e os jardins de Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto.

A sede, o museu e os jardins em construção (final da década de 60) 

Com 70 anos, a FCG continua a ser uma referência global em todas as suas áreas de actuação.

José Carlos Vasconcelos, na revista Visão de 16 de Junho, escreve:

«(…) a Fundação Calouste Gulbenkian mudou Portugal. Ou ajudou decisivamente a mudar Portugal. Para melhor. Sempre. Numas fases mais do que noutras, com picos e menos altos, dependendo também de factores externos. E, creio, sobretudo, ou de forma mais nítida, nos seus primeiros quase 20 anos, durante a ditadura.

Nesse tempo a Fundação foi, quanto possível, uma espécie de Ministério da Cultura e de Ministério da Ciência que não existiam. Além, quanto as circunstâncias o permitiam, um exemplo de autonomia perante o totalitário poder vigente, no sentido de não condicionar aos seus, desse poder, interesses e critérios políticos os apoios nas suas áreas de intervenção (artes/cultura, social/desenvolvimento humano, educação, ciência).»

Jardins

Biblioteca (especializada em arte)

Grande auditório

Museu Gulbenkian, agora remodelado

Para comemorar o 70.º aniversário, as entradas no Museu serão gratuitas até ao próximo dia 26 de Julho.

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