A Ponte sobre o Tejo em fase de construção.
APRESENTAÇÃO: Este blogue começou por se destinar, essencialmente, aos meus alunos (dos 5.º e 6.º anos), procurando a interação possível quando não existiam as plataformas educativas. Com estas, o blogue perdeu o sentido de necessidade e foi diminuindo o número de novos posts. Mas, mesmo com a aposentação do seu autor, permanece como um espaço de arquivo que pode continuar a ser útil. Por interesse sobre os assuntos da História e da Geografia de Portugal, por gosto e por vício, serão partilhados novos posts... sem o sentido de obrigação, sem vinculação a orientações curriculares, ao ritmo do meu interesse e do meu tempo.

30 de novembro de 2016

Caçadores-recoletores / Agropastoris - as técnicas/os instrumentos

Utensílios e técnicas


Caçadores-recoletores





Fabricavam instrumentos de pedra, madeira e osso - machados, lanças, arpões, raspadores, etc.


Preparavam as peles com raspadores.


Faziam fogo pela fricção de madeira ou pela percussão de pedras, preparando fogueiras.

Agropastoris

A prática da agricultura levou à utilização de novos instrumentos, como o arado (que serve para lavrar a terra, preparando-a para a sementeira) e a foice (para ceifar os cereais, cortando-os).


Desenvolveram novas técnicas, como:



a cerâmica - a partir da argila (barro) produziam recipientes. 


a moagem - com as mós, moíam os grãos dos cereais e obtinham farinha.



a cestaria - o fabrico de cestos a partir de fibras vegetais. 



a tecelagem, produção de tecidos em teares.


Caçadores-recoletores / Agropastoris - os abrigos/a habitação

Abrigos/habitação


Caçadores-recoletores



Abrigavam-se em grutas ou cavernas e aprenderam a fazer cabanas.

Agropastoris



Ao descobrirem a agricultura e ao domesticarem os animais, passaram a fixar-se nas terras onde podiam praticar a agricultura e a pastorícia - tornaram-se sedentários.
Ao desenvolverem um modo de vida sedentário, construíram os primeiros aldeamentos.


Caçadores-recoletores / Agropastoris - o vestuário

Vestuário


Caçadores-recoletores



Cobriam-se com peles de animais.

Agropastoris


Já vestiam peças de roupa feitas com tecidos de lã e de plantas, como o linho.
Essas Esses tecidos eram obtidos pelo processo de tecelagem.


Caçadores-recoletores / Agropastoris - a alimentação

Alimentação


Caçadores-recoletores


















Alimentavam-se da carne dos animais que caçavam, dos peixes que pescavam e de outros alimentos que recolhiam da natureza.

Agropastoris




Alimentavam-se, sobretudo, dos produtos agrícolas que cultivavam, da carne dos animais que criavam.

Depois, houve os produtos derivados:
Dos cereais (e de bolotas) aprenderam a fazer pão, o qual se tornou central na alimentação.
Do leite podiam fabricar queijo e manteiga.
Das uvas aprenderam a fazer vinho e da fermentação de cereais a cerveja.

As transformações provocadas pela transição de uma economia recoletora para uma economia produtora levaram a uma alteração importante do modo de vida do Homem: as comunidades de caçadores-recoletores eram nómadas, as comunidades agropastoris eram sedentárias.


25 de novembro de 2016

Viver na Pré-História...

Hoje, desenvolvemos várias sessões sobre o modo de vida numa aldeia pré-histórica, atividade dinamizada por técnicos do Centro de Arqueologia de Almada.

Grupos de alunos do 5.º ano passaram pela experiência de serem... pré~históricos: fizeram lanças, caçaram com arco e flecha, fizeram tecelagem, tentaram fazer fogo e outras ações que os nossos antepassados longínquos desenvolviam.

Divertiram-se - pena que não pudesse ter sido para todos! - e aprenderam (estamos nós convencidos!).







No final, saíram satisfeitos e a quererem repetir. Mas isso... Temos de sair da pré-história!

Houve quem dissesse, referindo-se à vida dos nossos antepassados, "Não era assim tão fácil, stôr!"
Também houve quem dissesse "Esta vida é tão boa!". Mas penso que se estava a referir a esta atividade!


Está montada a gruta!

Num trabalho conjunto HGP/Ed. Visual/Ed. Tecnológica, o 5.º A montou a tenda gruta!

Qual Altamira ou Lascaux!...
Se o Ministério da Cultura sabe, ainda nos vamos candidatar a ser Património da Humanidade!
As pinturas rupestres são de primeira qualidade, como já vimos.




21 de novembro de 2016

O regresso dos pintores rupestres!...

Na Paulo da Gama, artistas de palmo e meio mas de mão cheia fazem-nos regressar ao tempo das cavernas!
Os alunos da turma do 5.º A, num trabalho interdisciplinar - HGP e Ed. Visual -, fluíram "através da arte primitiva... felizes por conseguirem reproduzir o que, durante milhares de anos, o tempo não destruiu... voltar às raízes... da garatuja do desenho..." (M.ª Cristina Araújo).










19 de novembro de 2016

Museu do Ouro de Sabará (Minas Gerais)

No final do século XVII, o açúcar brasileiro começou a ter a forte concorrência do açúcar produzido nas colónias holandesas.
Pela mesma época, com as expedições dos chamados "bandeirantes" começaram a ser encontradas minas de ouro no interior do território brasileiro - Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.

Essa descoberta provocou a "corrida ao ouro" - todos queriam partir para as regiões auríferas, com o sonho de enriquecerem - o que não aconteceu com muitos!
Mas o ouro tornou-se, na primeira metade do século XVIII, a mais importante fonte de rendimento da coroa portuguesa.


No Brasil, numa das zonas onde o ouro foi mais explorado, foi criado o Museu do Ouro de Sabará (Minas Gerais). 

Este Museu disponibiliza um vídeo muito interessante em que se aborda essa exploração e a forma como os reis de Portugal, sobretudo D. João V, a procuraram controlar, com o objetivo de cobrar o imposto - o quinto - sobre o ouro extraído.


O ouro do Brasil e a cobrança do quinto do rei



Geralmente, refere-se a chegada do ouro do Brasil aos cofres de D. João V e destaca-se aquilo que esse ouro permitiu: uma série de empreendimentos grandiosos e o apoio à produção de obras de arte de uma forma que para os outros reis de Portugal foi impossível.

Palácio e Convento de Mafra
Capela Real de S. João Batista - Igreja de S. Roque (Lisboa)

Uma historiadora brasileira chama a atenção para um problema que se levantava: como é que o rei podia cobrar o quinto - imposto de 20% sobre o ouro descoberto - que lhe era devido pelas regras definidas?

«É preciso lembrar que a política colonial em relação ao Brasil neste reinado foi dominada por uma questão: como cobrar os quintos do ouro e das pedras preciosas, nomeadamente dos diamantes, da maneira mais eficaz, sem permitir os descaminhos que desfalcavam a Fazenda Real de grande parte da riqueza que lhe era devida? Esta questão foi objecto de inúmeros pareceres e discussões, ocupou constantemente o Conselho Ultramarino, até o rei se decidir a adoptar um sistema de cobrança que se propunha diminuir as fraudes e permitir-lhe um rendimento de acordo com a riqueza tirada das áreas de mineração (...)»


Brasil - Áreas em que foram descobertas minas de ouro



Este problema foi motivo de discussão e de várias reformas durante todo o período de exploração do ouro brasileiro.
«D. João V continuava achando que a crescente produção mineira daria maior contribuição aos seus cofres e, pela lei de 11 de Fevereiro de 1719, determinou que (...) para a arrecadação dos seus quintos se erguessem Casas de Fundição nas Minas, nas quais seria reduzido a barras todo o ouro extraído, cobrando-se nelas o que se lhe devia.»
Os mineiros reclamavam contra as Casas de Fundição e o pagamento do quinto, argumentando que o trabalho de extracção era difícil e que a aquisição de escravos era muito dispendiosa. Houve várias revoltas contra o chamado "quinto dos infernos".



«Ouro clandestino era escondido em caixas de açúcar e no próprio navio, a ponto do governador do Rio de Janeiro escrever ao rei em Julho de 1730: “Se Vossa Majestade pagasse os navios e a carga para descobrir o ouro, desfazendo os navios e abrindo a carga, lucraria a sua Real Fazenda 500%”.»
Maria Beatriz Nizza da Silva, 

D. João V e a cobrança dos quintos do ouro em Minas Gerais

E por muito que o rei fizesse ou quisesse fazer, muito ouro fugiu ao seu controlo.


12 de novembro de 2016

Historiando no facebook

Nem sempre é possível partilhar aqui algumas notícias, filmes e outras "novidades" que vão surgindo na net.
Essa partilha é, frequentemente, mais fácil no facebook.
Por isso, foi criada uma conta do Historiando - Paulo da Gama no fb.

Visitem-nos!



7 de novembro de 2016

300 anos do Patriarcado de Lisboa

A 7 de novembro de 1716, uma bula do Papa Clemente XI criou o Patriarcado de Lisboa.

Papa Clemente XI

O título era uma honra para o clero português e para o rei D. João V, que há muito procurava essa distinção, querendo transformar Lisboa numa nova Roma.

D. João V

No século XVIII, Portugal era importante para a Cristandade, pois o território português estendia-se pelo Brasil, pela costa africana e, ainda, pelo Oriente, onde o Papa tinha confiado a evangelização aos reis de Portugal (e, por isso, aos missionários portugueses).
O ouro que, no início desse século, chegava do Brasil permitia ao rei D. João V sonhar com projetos e obras grandiosos.

Um dos coches da embaixada ao Papa (Museu dos Coches)

Em julho de 1716, D. João V enviou uma grande embaixada a Roma, uma das mais faustosas de todos os tempos, que incluía cinco grandes coches temáticos, para obter algumas prerrogativas para a Igreja Portuguesa, nomeadamente, a elevação da capela real do Paço da Ribeira à categoria de igreja patriarcal.
Foi nessa ocasião que D. João V prometeu o envio de uma armada portuguesa para suster o avanço do Império Otomano no Mar Mediterrâneo, o que se confirmou em 1717*.
Era uma ação política com o objetivo de prestigiar Lisboa.

D. Tomás de Almeida, 1.º Cardeal Patriarca de Lisboa
Com tamanho empenho e persistência do monarca português, o Papa iria satisfazer a sua vontade: Lisboa ganhou um patriarcado e uma igreja patriarcal - a antiga capela do Paço Real, que seria posteriormente transformada por obras monumentais.
Na Ribeira concentrava-se o poder político e o poder religioso.

Igreja Patriarcal (reconstrução virtual)

O terramoto de 1 de novembro de 1755 deitaria por terra o Paço Real e a Igreja Patriarcal.

Ruínas da Praça da Patriarcal


* Batalha de Matapão, perto da costa grega, em que a armada portuguesa teve um papel decisivo na derrota dos turcos, travando a pressão destes no Mar Mediterrâneo.