Desfile das tropas chefiadas pelo general Gomes da Costa, em Lisboa (Cais do Sodré), 6 de junho de 1926.
APRESENTAÇÃO: Este blogue começou por se destinar, essencialmente, aos meus alunos (dos 5.º e 6.º anos), procurando a interação possível quando não existiam as plataformas educativas. Com estas, o blogue perdeu o sentido de necessidade e foi diminuindo o número de novos posts. Mas, mesmo com a aposentação do seu autor, permanece como um espaço de arquivo que pode continuar a ser útil. Por interesse sobre os assuntos da História e da Geografia de Portugal, por gosto e por vício, serão partilhados novos posts... sem o sentido de obrigação, sem vinculação a orientações curriculares, ao ritmo do meu interesse e do meu tempo.

28 de setembro de 2014

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e o túmulo da rainha Santa Isabel

A Beatriz Rodrigues, do 6.º C, andou por Coimbra, mas, com tanta coisa para ver, não teve oportunidade de visitar os Mosteiros de Santa Clara - o velho e o novo.
A Santa Clara, em Coimbra, está associada a rainha D. Isabel de Aragão, também conhecida por Rainha Santa, mulher de D. Dinis.

Foi ela que refundou o Convento de Santa Clara, em 1314 (10 de abril, data da carta do Papa concedendo a licença).
A rainha fixou aí residência, depois da morte de D. Dinis (1325), no espaço conhecido como o Paço da Rainha.
D. Isabel viria a morrer em 4 de julho de 1336, em Estremoz, mas o seu corpo foi levado em cortejo para Santa Clara, sendo aí sepultado na igreja, de acordo com a sua vontade.

Igreja de Santa Clara-a-Velha e ruínas do claustro

Como as águas do rio Mondego inundavam regularmente o convento e não havia condições de habitabilidade, mesmo depois de várias obras, em 1647, o rei D. João IV mandou que o convento se mudasse para o vizinho Monte da Esperança e concedeu dinheiro para a obra, mesmo estando o reino numa época de poupança - Portugal encontrava-se em guerra com Espanha desde a Restauração (1640).
Aproveitaram-se materiais da construção do velho mosteiro, de onde algumas colunas também foram levadas para a Universidade de Coimbra.

Arco mandado esculpir, já no séc. XVII, no local
da igreja de Santa Clara-a-Velha onde estaria o túmulo 

Em 1677, as Clarissas transferiram-se para o novo mosteiro, chamado Santa Clara-a-Nova em oposição ao velho, agora abandonado e chamado Santa Clara-a-Velha.
O corpo da rainha foi trasladado em procissão, encontrando-se num sarcófago de prata e cristal, no altar-mor da igreja do mosteiro.
Presentemente, a maior parte da área deste antigo mosteiro encontra-se na posse do exército.

"Velho" túmulo da rainha D. Isabel de Aragão, trasladado para Santa Clara-a-Nova
e guardado numa dependência deste mosteiro
Túmulo onde se encontram os restos mortais de D. Isabel de Aragão,
no altar da igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

Santa Clara-a-Velha foi-se afundando na lama e degradando com os mais variados usos.
No século XX tentou-se recuperar e dignificar o espaço, Os "grandes trabalhos" que levariam à valorização do sítio iniciaram-se já na última década do século passado.
O trabalho e o mérito do projeto de recuperação das ruínas está à vista para quem visita Santa Clara-a-Velha, um "espaço mágico".

Em 1.º plano, ruínas do claustro e igreja de Santa Clara-a-Velha.
Ao fundo, no cimo da colina, o mosteiro de Santa Clara-a-Nova


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