Uma das consequências da Revolução Liberal acabaria por ser, indirectamente, a independência do Brasil.
A declaração de independência, feita por D. Pedro (filho de D. João VI, que se tornará D. Pedro I do Brasil e D. Pedro IV de Portugal), não foi bem aceite em Portugal.
Mas isso é natural: significava a perda da colónia que mais rendimentos proporcionava a Portugal, num momento em que o país se encontrava em má situação.
Fica aqui a apresentação que será passada nas próximas aulas.
12 de janeiro de 2011
11 de janeiro de 2011
Prisões
Na aula de hoje do 6.º 10, a Débora, a propósito da difícil implantação do liberalismo em Portugal, mostrou-se interessada em saber como eram as prisões.
Prisões houve (e há) muitas.
Falei da última que conheci, a Cadeia da Relação, no Porto, onde funcionou a sede do Tribunal da Relação e que serviu de cadeia até Abril de 1974. Hoje é sede do Centro Português de Fotografia, um espaço cultural onde visitei uma exposição relacionada com os 100 anos da República em Portugal.
Deixo aqui duas fotografias do seu interior.
Prisões houve (e há) muitas.
Falei da última que conheci, a Cadeia da Relação, no Porto, onde funcionou a sede do Tribunal da Relação e que serviu de cadeia até Abril de 1974. Hoje é sede do Centro Português de Fotografia, um espaço cultural onde visitei uma exposição relacionada com os 100 anos da República em Portugal.
Deixo aqui duas fotografias do seu interior.
Sei que, como prisões políticas antes de 1926, funcionaram a Torre de Belém, os fortes do Bom Sucesso (próximo da Torre de Belém) e de S. Julião da Barra (já aqui referido).
A cadeia do Limoeiro (próximo da Sé de lisboa) e o Arsenal de Marinha, albergaram ocasionalmente presos políticos.
Tirando estas cadeias de Lisboa, não tenho muitas informações - só sobre o forte de S. João Batista, em Angra do Heroísmo (Terceira - Açores).
A cadeia do Limoeiro (próximo da Sé de lisboa) e o Arsenal de Marinha, albergaram ocasionalmente presos políticos.
Tirando estas cadeias de Lisboa, não tenho muitas informações - só sobre o forte de S. João Batista, em Angra do Heroísmo (Terceira - Açores).
9 de janeiro de 2011
Aula do 6.º 6 no dia 7 de Janeiro
Gostei da aula do 6.º 6 na 6.ª feira.
Nem todos os alunos terão aproveitado, mas houve intervenções interessantes (ainda bem, Inês, que fizeste muitas perguntas: é bom sinal).
Falar da divisão de poderes e do exercício desses poderes pode não ser o mais atraente ou o mais acessível para jovens de 11/12 anos.
Fazer a ponte entre o passado e o presente parece-me ser a melhor forma de captar a vossa atenção e o vosso interesse.
E nem tudo ficou respondido.
A pergunta do Gonçalo sobre quem eram os liberais e quem eram os absolutistas (ou quem podiam ser) revela bem que estamos a sair de um "mundo antigo" (o Antigo Regime) em que tudo estava determinado em função do grupo social a que se pertencia e a entrar na "modernidade".
A organização política que se segue à Revolução Liberal está na base do que é a organização política nos dias de hoje.
E são perguntas como as que a Inês, o Gonçalo e o Pedro fizeram (ou a intervenção do Paulo, questionando as limitações da igualdade) que nos ajudam a pensar e a compreender a realidade que nos rodeia.
A propósito de igualdade e direitos... Pedro: desafio-te a fazeres um trabalho sobre o direito de voto em Portugal. Podes escolher parceiros para te acompanharem nesse trabalho.
Nem todos os alunos terão aproveitado, mas houve intervenções interessantes (ainda bem, Inês, que fizeste muitas perguntas: é bom sinal).
Falar da divisão de poderes e do exercício desses poderes pode não ser o mais atraente ou o mais acessível para jovens de 11/12 anos.
Fazer a ponte entre o passado e o presente parece-me ser a melhor forma de captar a vossa atenção e o vosso interesse.
E nem tudo ficou respondido.
A pergunta do Gonçalo sobre quem eram os liberais e quem eram os absolutistas (ou quem podiam ser) revela bem que estamos a sair de um "mundo antigo" (o Antigo Regime) em que tudo estava determinado em função do grupo social a que se pertencia e a entrar na "modernidade".
A organização política que se segue à Revolução Liberal está na base do que é a organização política nos dias de hoje.
E são perguntas como as que a Inês, o Gonçalo e o Pedro fizeram (ou a intervenção do Paulo, questionando as limitações da igualdade) que nos ajudam a pensar e a compreender a realidade que nos rodeia.
A propósito de igualdade e direitos... Pedro: desafio-te a fazeres um trabalho sobre o direito de voto em Portugal. Podes escolher parceiros para te acompanharem nesse trabalho.
Razões que levaram à Revolução de 1820
Considerei que o esquema agora apresentado é mais claro quanto às razões que levaram a que fosse feita a Revolução Liberal de 1820.
Este esquema substitui o que foi aqui apresentado no dia 6 de Janeiro.
8 de janeiro de 2011
Distribuição de poderes na monarquia absoluta e na monarquia liberal
Com a Revolução Liberal de 1820, alterou-se a organização do poder político.
Onde antes existia um poder concentrado numa só pessoa (o rei), passou a existir, com a Constituição de 1822, uma divisão de poderes.
Observem o esquema:
Podes ampliar: clica sobre a imagem, depois amplia a imagem (canto inferior direito do monitor; em 150% parece ser bem legível).
General Gomes Freire d'Andrade e o Forte de S. Julião
A propósito da revolução de 1820, falámos no General Gomes Freire d'Andrade, executado, em 1817, no forte de S. Julião, por ter sido considerado o líder (ou um dos líderes) de uma conspiração que se preparava contra a monarquia absoluta/o domínio inglês em Portugal.
Ao projectar a fotografia do forte onde Gomes Freire foi executado, na turma do 6.º 4 houve quem duvidasse que, das janelas de minha casa, eu vejo o forte.
Aqui vai a prova:
Para outra visão do Forte:
Momento em que se preparava a execução do General, por enforcamento
Ao projectar a fotografia do forte onde Gomes Freire foi executado, na turma do 6.º 4 houve quem duvidasse que, das janelas de minha casa, eu vejo o forte.
Aqui vai a prova:
Forte de S. Julião da Barra
(ao longe, Serra da Arrábida e praias da Costa da Caparica)
Para outra visão do Forte:
O Forte de S. Julião visto da praia de Carcavelos
Piada para o Fábio (6.º 4): A foto foi tirada com o meu telemóvel!!!
Grutas de Lascaux (visita a 3D)
O assunto não está relacionado com o programa deste ano, mas acho que tem interesse divulgar o site que nos mostra o complexo de grutas de Lascaux.
Localizadas no Sudoeste de França, as grutas são um local famoso pela suas pinturas rupestres.
São essas pinturas que poderão visitar aqui.
Vale a pena.
Boa viagem
Obrigado à Prof. Fernanda R. que me enviou a informação.
Localizadas no Sudoeste de França, as grutas são um local famoso pela suas pinturas rupestres.
São essas pinturas que poderão visitar aqui.
Vale a pena.
Boa viagem
Obrigado à Prof. Fernanda R. que me enviou a informação.
7 de janeiro de 2011
O Natal Ortodoxo - uma questão de calendários
Júlio César, Imperador Romano, introduziu o calendário Juliano em 45 a. C.
Este calendário foi usado nos países cristãos até ao século XVI, quando começou a ser trocado pelo calendário Gregoriano.
Ainda é usado por algumas Igrejas Ortodoxas e parte do princípio que o ano solar tem uma duração de 365,25 dias.
O calendário Gregoriano é o calendário utilizado na maior parte do mundo, incluindo Portugal. Foi proposto pelo astrónomo Aloysius Lilius e adoptado pelo Papa Gregório XIII, em decreto publicado em 24 de Fevereiro de 1582, para substituir o calendário Juliano.
Resultou da correcção da medição do ano solar, estimando-se que este dura 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos = 365,2425 dias solares.
A diferença dos cálculos é pequena, mas em muitos anos faz... diferença.
Como resultado do acerto feito, pelos astrónomos, no tempo de duração dos anos, uma bula do papa Gregório XIII decretou que deviam ser saltados 10 dias. Isto é: no calendário de 1582, nos países que adoptaram logo o novo calendário, passou-se directamente do dia 4 para o dia 15 de Outubro.
Portugal, dominado então pelos Filipes, adoptou imediatamente o calendário Gregoriano. Não existiram, nesse ano, os dias 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13 e 14 de Outubro.
Em 1582, quem seguia o calendário Juliano ficou com um atraso de 10 dias em relação aos que passaram a seguir o Gregoriano.
Actualmente o calendário Juliano tem um desfasamento de 13 dias em relação ao calendário Gregoriano. Por isso os Cristão Ortodoxos comemoram hoje o nascimento de Cristo.
Este calendário foi usado nos países cristãos até ao século XVI, quando começou a ser trocado pelo calendário Gregoriano.
Ainda é usado por algumas Igrejas Ortodoxas e parte do princípio que o ano solar tem uma duração de 365,25 dias.
O calendário Gregoriano é o calendário utilizado na maior parte do mundo, incluindo Portugal. Foi proposto pelo astrónomo Aloysius Lilius e adoptado pelo Papa Gregório XIII, em decreto publicado em 24 de Fevereiro de 1582, para substituir o calendário Juliano.
Resultou da correcção da medição do ano solar, estimando-se que este dura 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos = 365,2425 dias solares.
A diferença dos cálculos é pequena, mas em muitos anos faz... diferença.
Como resultado do acerto feito, pelos astrónomos, no tempo de duração dos anos, uma bula do papa Gregório XIII decretou que deviam ser saltados 10 dias. Isto é: no calendário de 1582, nos países que adoptaram logo o novo calendário, passou-se directamente do dia 4 para o dia 15 de Outubro.
Portugal, dominado então pelos Filipes, adoptou imediatamente o calendário Gregoriano. Não existiram, nesse ano, os dias 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13 e 14 de Outubro.
Em 1582, quem seguia o calendário Juliano ficou com um atraso de 10 dias em relação aos que passaram a seguir o Gregoriano.
Actualmente o calendário Juliano tem um desfasamento de 13 dias em relação ao calendário Gregoriano. Por isso os Cristão Ortodoxos comemoram hoje o nascimento de Cristo.
Feliz Natal para o Cristian
É um luxo a que nem todos se podem dar!
De todos os meus alunos do 6.º ano, hoje só é Natal para o Cristian.
FELIZ NATAL
De todos os meus alunos do 6.º ano, hoje só é Natal para o Cristian.
FELIZ NATAL
6 de janeiro de 2011
5 de janeiro de 2011
A Revolução Liberal de 1820 - Apresentação e Jogos
Como falámos nas aulas desta semana, têm agora acesso à apresentação sobre a Revolução Liberal de 1820
Também já estão disponíveis alguns jogos/actividades sobre o tema no Ludotech. Podem clicar aqui .
Brevemente deverá haver mais umas palavras cruzadas.
Convido-vos a deixarem a vossa opinião.
Também já estão disponíveis alguns jogos/actividades sobre o tema no Ludotech. Podem clicar aqui .
Brevemente deverá haver mais umas palavras cruzadas.
Convido-vos a deixarem a vossa opinião.
A fuga da família real para o Brasil (9)
«Salvador era então a cidade mais povoada do império português (...)
Depois de um dia ancorada, a família real pôs pé em solo brasileiro pela primeira vez. Depararam com uma recepção calorosa - os notáveis da cidade, os donos das plantações, até grupos de escravos alinhavam-se nas ruas, saudando os hóspedes inesperados. Todos sentiam um temor respeitoso pelo que era um acontecimento único na história do colonialismo europeu. Até àquele momento nenhum monarca reinante tinha viajado até às américas sequer em visita, quanto mais para instalar ali a sua corte. Esse sentimento misturou-se com admiração pela novidade assim que avistaram Dona Carlota, uma mulher, no mínimo, de aspecto invulgar. Era baixa (menos de metro e meio), morena, e, para a ocasião, envergava um curioso turbante que lhe escondia o crânio rapado. Surgiram depois outras damas da corte, usando turbantes semelhantes, para assombro da multidão que as esperava. Os cortesãos e seus criados seguiam-nas naquele clima húmido, entrouxados em jaquetas cintadas, calções pelo joelho e meias altas.
É difícil imaginar o que a família real terá achado de Salvador naquela tarde clara...»
Acaba aqui a transcrição de textos sobre a fuga e a permanência da corte portuguesa no Brasil.
Nas nossas aulas já avançámos para a Revolução Liberal portuguesa (1820).
A imagem do cabeçalho do blogue já é relativa ao período pós-revolução.
Brevemente teremos aqui mais informações sobre este novo tema.
Depois de um dia ancorada, a família real pôs pé em solo brasileiro pela primeira vez. Depararam com uma recepção calorosa - os notáveis da cidade, os donos das plantações, até grupos de escravos alinhavam-se nas ruas, saudando os hóspedes inesperados. Todos sentiam um temor respeitoso pelo que era um acontecimento único na história do colonialismo europeu. Até àquele momento nenhum monarca reinante tinha viajado até às américas sequer em visita, quanto mais para instalar ali a sua corte. Esse sentimento misturou-se com admiração pela novidade assim que avistaram Dona Carlota, uma mulher, no mínimo, de aspecto invulgar. Era baixa (menos de metro e meio), morena, e, para a ocasião, envergava um curioso turbante que lhe escondia o crânio rapado. Surgiram depois outras damas da corte, usando turbantes semelhantes, para assombro da multidão que as esperava. Os cortesãos e seus criados seguiam-nas naquele clima húmido, entrouxados em jaquetas cintadas, calções pelo joelho e meias altas.
É difícil imaginar o que a família real terá achado de Salvador naquela tarde clara...»
Patrick Wilcken, Império à deriva
A família real acaba de se instalar no Brasil (Janeiro de 1808), onde permanecerá durante anos. Acaba aqui a transcrição de textos sobre a fuga e a permanência da corte portuguesa no Brasil.
Nas nossas aulas já avançámos para a Revolução Liberal portuguesa (1820).
A imagem do cabeçalho do blogue já é relativa ao período pós-revolução.
Brevemente teremos aqui mais informações sobre este novo tema.
A fuga da família real para o Brasil (8)
Os "acidentes" da viagem foram... mais que muitos: mastros que se partiram, água que entrava nos navios, falta de provisões (incluindo água), etc.
«As carências começaram a agudizar-se, à medida que as semanas se arrastavam. A maioria das mulheres atravessaria o oceano com a roupa que trazia no corpo no dia do embarque porque os caixotes de linho tinham sido deixados para trás, em Lisboa. Em casos desesperados, foram distribuídos lençóis e mantas da armada britânica prontamente transformados em peças de vestuário.
No Afonso de Albuquerque [um dos navios] os tormentos agravaram-se com uma praga de piolhos que se espalhou pelo convés a abarrotar. Os cavalheiros deitavam ao mar as cabeleiras infestadas, e as senhoras, de D. Carlota para baixo, faziam fila para rapar a cabeça. Algures no Atlântico Norte, as damas de honor carecas reuniram-se no castelo da proa (...). O couro cabeludo era então lavado e tratado com pós para eliminar os piolhos sobreviventes.
(...)
A ansiedade aumentava a bordo, à medida que a frota real se aproximava do seu destino. (...)
Os caprichos do tempo e as necessidades de uma armada mal equipada fizeram desembarcar a família real [em Salvador] mais de 700 milhas a norte do alvo previsto [Rio de Janeiro].
(...) esperavam multidões a darem as boas vindas, mas as docas estavam vazias, quando os navios entraram na baía de Salvador.»
Só o governador os foi receber. «(...) mandara evacuar as ruas em volta do porto, por não estar seguro dos desejos do regente. Em resposta, D. João disse que gostaria de ver os seus súbditos do Novo Mundo, e, depois de se passar palavra, as ruas encheram-se a pouco e pouco com muitos curiosos. (...)
A família real e a elite da metrópole chegavam numa armada em muito pior estado do que alguns dos mais degradados navios mercantes que aportavam neste cais normalmente movimentado. Mais espantoso ainda, faziam-se pedidos de roupa de senhora para bordo, no sentido de socorrer passageiras vestidas com os trapos que restavam dos trajes que usavam à partida de Lisboa, ou com vestes improvisadas durante a viagem.
Uma parte do mistério do poder colonial ruiu para sempre naquele dia. (...)»
«As carências começaram a agudizar-se, à medida que as semanas se arrastavam. A maioria das mulheres atravessaria o oceano com a roupa que trazia no corpo no dia do embarque porque os caixotes de linho tinham sido deixados para trás, em Lisboa. Em casos desesperados, foram distribuídos lençóis e mantas da armada britânica prontamente transformados em peças de vestuário.
No Afonso de Albuquerque [um dos navios] os tormentos agravaram-se com uma praga de piolhos que se espalhou pelo convés a abarrotar. Os cavalheiros deitavam ao mar as cabeleiras infestadas, e as senhoras, de D. Carlota para baixo, faziam fila para rapar a cabeça. Algures no Atlântico Norte, as damas de honor carecas reuniram-se no castelo da proa (...). O couro cabeludo era então lavado e tratado com pós para eliminar os piolhos sobreviventes.
(...)
A ansiedade aumentava a bordo, à medida que a frota real se aproximava do seu destino. (...)
Os caprichos do tempo e as necessidades de uma armada mal equipada fizeram desembarcar a família real [em Salvador] mais de 700 milhas a norte do alvo previsto [Rio de Janeiro].
(...) esperavam multidões a darem as boas vindas, mas as docas estavam vazias, quando os navios entraram na baía de Salvador.»
Só o governador os foi receber. «(...) mandara evacuar as ruas em volta do porto, por não estar seguro dos desejos do regente. Em resposta, D. João disse que gostaria de ver os seus súbditos do Novo Mundo, e, depois de se passar palavra, as ruas encheram-se a pouco e pouco com muitos curiosos. (...)
A família real e a elite da metrópole chegavam numa armada em muito pior estado do que alguns dos mais degradados navios mercantes que aportavam neste cais normalmente movimentado. Mais espantoso ainda, faziam-se pedidos de roupa de senhora para bordo, no sentido de socorrer passageiras vestidas com os trapos que restavam dos trajes que usavam à partida de Lisboa, ou com vestes improvisadas durante a viagem.
Uma parte do mistério do poder colonial ruiu para sempre naquele dia. (...)»
Patrick Wilcken, Império à deriva
A fuga da família real para o Brasil (7)
«Na manhã do dia 29 de Novembro o vento mudou. Às sete da manhã foi dada ordem para levantar âncora. Parara de chover e, com céu limpo, os navios balanceando, desceram o Tejo até à barra. (...)
Atrás de si, o esquadrão real deixava um cenário desolador: bagagens, papéis ensopados em água e caixotes abandonados espalhavam-se pelo cais. (...) Entre os detritos jaziam artigos inestimáveis do património da coroa, deixados para trás na pressa de partir.
(...)
Quatro vasos de guerra britânicos escoltariam a frota portuguesa; (...)
O alívio de sair da barra provocou uma momentânea sensação de optimismo a bordo da frota. Fosse o que fosse que tivessem pela frente, seriam poupados ao terror da ocupação francesa (...).»
Entretanto, em Lisboa...
«As impressões iniciais dos todos-poderosos franceses seriam uma desilusão. Os primeiros soldados a entrar na cidade vinham cheios de dores nos pés e exaustos, alguns tão fracos que tinham recrutado camponeses portugueses para lhes carregarem as armas. "O estado em que estávamos... é difícil de acreditar", recordava o Barão Thiébault, que integrou a campanha de Junot. "As nossas roupas tinham perdido completamente a cor e o feitio, não mudava de roupa interior desde Abrantes. Os pés saíam-me das botas". As ruas de Lisboa estavam agora vazias e as tropas de Junot entraram a coxear numa cidade que não opôs resistência. Chegaram às docas tarde de mais até para verem ao longe os navios. (...) A pilhagem da cidade começou imediatamente.»
Atrás de si, o esquadrão real deixava um cenário desolador: bagagens, papéis ensopados em água e caixotes abandonados espalhavam-se pelo cais. (...) Entre os detritos jaziam artigos inestimáveis do património da coroa, deixados para trás na pressa de partir.
(...)
Quatro vasos de guerra britânicos escoltariam a frota portuguesa; (...)
O alívio de sair da barra provocou uma momentânea sensação de optimismo a bordo da frota. Fosse o que fosse que tivessem pela frente, seriam poupados ao terror da ocupação francesa (...).»
Entretanto, em Lisboa...
«As impressões iniciais dos todos-poderosos franceses seriam uma desilusão. Os primeiros soldados a entrar na cidade vinham cheios de dores nos pés e exaustos, alguns tão fracos que tinham recrutado camponeses portugueses para lhes carregarem as armas. "O estado em que estávamos... é difícil de acreditar", recordava o Barão Thiébault, que integrou a campanha de Junot. "As nossas roupas tinham perdido completamente a cor e o feitio, não mudava de roupa interior desde Abrantes. Os pés saíam-me das botas". As ruas de Lisboa estavam agora vazias e as tropas de Junot entraram a coxear numa cidade que não opôs resistência. Chegaram às docas tarde de mais até para verem ao longe os navios. (...) A pilhagem da cidade começou imediatamente.»
Patrick Wilcken, Império à deriva
4 de janeiro de 2011
A fuga da família real para o Brasil (6)
«Junot deixou para trás, no interior do país, o grosso das suas tropas, abandonou a artilharia pesada e fez uma incursão sobre Lisboa com a guarda avançada. Os seus homens estavam agora atolados em lama, com os uniformes a desfazerem-se, exaustos de semanas de marcha. (...) Os camponeses observavam em silêncio esta coluna desalinhada, que prosseguia penosamente a sua marcha através dos campos alagados, em direcção a Lisboa.
Com as notícias de que as forças francesas estavam a apenas dois dias de distância (...) toda a gente queria embarcar, as docas estavam cheias de caixas, caixotes, baús, bagagens - mil e uma coisas. Muitas pessoas foram deixadas no cais enquanto que os seus pertences iam para bordo; outros embarcavam e acabavam por verificar que a sua bagagem não os podia acompanhar. (...) Um regimento inteiro que deveria acompanhar a corte acabaria também por ficar em Lisboa, porque não foi possível encontrar espaço para os soldados a bordo. (...)
"Lisboa estava num estado de tristeza medonha, demasiado terrível para ser descrito" (...)
As forças de Junot aproximavam-se de facto muito rapidamente da capital, mas continuava a soprar um vento adverso que mantinha a frota ancorada. Os navios portugueses, agora perigosamente sobrelotados, balançavam para um lado e para o outro. Um medo indizível espalhava-se pelo convés das embarcações - o da possibilidade muito real de serem apanhados no porto pelos franceses.»
Com as notícias de que as forças francesas estavam a apenas dois dias de distância (...) toda a gente queria embarcar, as docas estavam cheias de caixas, caixotes, baús, bagagens - mil e uma coisas. Muitas pessoas foram deixadas no cais enquanto que os seus pertences iam para bordo; outros embarcavam e acabavam por verificar que a sua bagagem não os podia acompanhar. (...) Um regimento inteiro que deveria acompanhar a corte acabaria também por ficar em Lisboa, porque não foi possível encontrar espaço para os soldados a bordo. (...)
"Lisboa estava num estado de tristeza medonha, demasiado terrível para ser descrito" (...)
As forças de Junot aproximavam-se de facto muito rapidamente da capital, mas continuava a soprar um vento adverso que mantinha a frota ancorada. Os navios portugueses, agora perigosamente sobrelotados, balançavam para um lado e para o outro. Um medo indizível espalhava-se pelo convés das embarcações - o da possibilidade muito real de serem apanhados no porto pelos franceses.»
Patrick Wilcken, Império à deriva
31 de dezembro de 2010
30 de dezembro de 2010
A fuga da família real para o Brasil (5)
«(...) na manhã de 27 de Novembro, o próprio D. João chegou às docas (...). [Dizia-se que o príncipe "enjoava de morte e que estava em pânico diante da perspectiva de uma travessia do Atlântico."] Por recomendação dos seus conselheiros, que receavam actos de violência, o príncipe regente deslocara-se para o porto numa carruagem não identificada, com o cocheiro vestido à paisana.
(...) o príncipe regente deixou instruções escritas sobre o tratamento a dar aos franceses quando chegassem à cidade. Deviam ser recebidos por uma assembleia de regência - o conselho de governadores - nomeada por D. João, que tinha ordens estritas para cooperar com Junot e aquartelar as suas tropas. (...)
A mulher de D. João, D. Carlota, chegou pouco depois numa carruagem menos discreta, de oito lugares, com os seus dois filhos, Pedro e Miguel, que tinha então seis anos, juntamente com criados e uma ama de leite para a Infanta Ana de Jesus, de onze meses. Chegaram depois mais coches com as suas outras cinco filhas (...)
A seguir chegou a mãe de D. João, a rainha D. Maria I, de setenta e três anos, que estava louca há mais de dez anos, e que era dada a ataques súbitos e irracionais. Quando o seu coche se aproximava das docas, diz-se que gritou: "Não vão tão depressa! Eles vão pensar que estamos a fugir!" Ao chegar ao porto, recusou-se a deixar a carruagem, forçando o capitão da frota real a tirá-la à força da cabina, levá-la ao colo pelo cais e depositá-la a bordo da galera que a esperava.»
Para o Brasil embarcavam 3 gerações da dinastia de Bragança.
Atenção: fixem os nomes dos dois filhos de D. João e de D. Carlota: Pedro e Miguel.
(...) o príncipe regente deixou instruções escritas sobre o tratamento a dar aos franceses quando chegassem à cidade. Deviam ser recebidos por uma assembleia de regência - o conselho de governadores - nomeada por D. João, que tinha ordens estritas para cooperar com Junot e aquartelar as suas tropas. (...)
A mulher de D. João, D. Carlota, chegou pouco depois numa carruagem menos discreta, de oito lugares, com os seus dois filhos, Pedro e Miguel, que tinha então seis anos, juntamente com criados e uma ama de leite para a Infanta Ana de Jesus, de onze meses. Chegaram depois mais coches com as suas outras cinco filhas (...)
A seguir chegou a mãe de D. João, a rainha D. Maria I, de setenta e três anos, que estava louca há mais de dez anos, e que era dada a ataques súbitos e irracionais. Quando o seu coche se aproximava das docas, diz-se que gritou: "Não vão tão depressa! Eles vão pensar que estamos a fugir!" Ao chegar ao porto, recusou-se a deixar a carruagem, forçando o capitão da frota real a tirá-la à força da cabina, levá-la ao colo pelo cais e depositá-la a bordo da galera que a esperava.»
Patrick Wilcken, Império à deriva
Para o Brasil embarcavam 3 gerações da dinastia de Bragança.
Atenção: fixem os nomes dos dois filhos de D. João e de D. Carlota: Pedro e Miguel.
29 de dezembro de 2010
A fuga da família real para o Brasil (4)
À meia-noite de 24 de Novembro de 1807, o oficial de diligências do príncipe D. João recebeu ordens deste «para começar a organizar o embarque da família real e dos dignatários do Estado. (...)
Quando chegou ao porto, descobriu que estava a fervilhar de funcionários públicos, trabalhadores das docas e uma multidão de mirones. Debaixo dos chuviscos daquela madrugada, chegavam agora carruagens de todos os cantos da cidade, abrindo caminho entre os caixotes, as bagagens e as barricas de água que enchiam o cais. (...)
Entretanto, as residências reais de Queluz e Mafra eram evacuadas. Os corredores de Mafra fervilhavam com criadas de copa, pagens e valetes que trabalharam toda a noite a desmantelar ornamentos do palácio, a despir a basílica de todo o ouro e prata e a carregar pinturas a óleo para o exterior sob a chuva de Outono. Daí, o recheio do mosteiro foi carregado em centenas de carruagens e transportado para o cais. O pessoal do palácio desfez a segunda residência principal da família real, Queluz, enfiando antiguidades, porcelanas, pratas e todos os valores móveis numa série ainda maior de coches.
Foi aqui que os outros membros da família real, D. Maria I, mãe de D. João, D. Carlota, e os seus oito filhos, se juntaram ao êxodo para o porto.
Embora os planos tenham sido pensados ao longo de vários meses, a evacuação rapidamente se desorganizou (...)»
Quando chegou ao porto, descobriu que estava a fervilhar de funcionários públicos, trabalhadores das docas e uma multidão de mirones. Debaixo dos chuviscos daquela madrugada, chegavam agora carruagens de todos os cantos da cidade, abrindo caminho entre os caixotes, as bagagens e as barricas de água que enchiam o cais. (...)
Entretanto, as residências reais de Queluz e Mafra eram evacuadas. Os corredores de Mafra fervilhavam com criadas de copa, pagens e valetes que trabalharam toda a noite a desmantelar ornamentos do palácio, a despir a basílica de todo o ouro e prata e a carregar pinturas a óleo para o exterior sob a chuva de Outono. Daí, o recheio do mosteiro foi carregado em centenas de carruagens e transportado para o cais. O pessoal do palácio desfez a segunda residência principal da família real, Queluz, enfiando antiguidades, porcelanas, pratas e todos os valores móveis numa série ainda maior de coches.
Foi aqui que os outros membros da família real, D. Maria I, mãe de D. João, D. Carlota, e os seus oito filhos, se juntaram ao êxodo para o porto.
Embora os planos tenham sido pensados ao longo de vários meses, a evacuação rapidamente se desorganizou (...)»
Patrick Wilcken, Império à deriva
Ano Novo, imagem nova
A preparar o novo período, coincidindo com o novo ano, procurei melhorar a imagem do blogue.
Penso que está mais arejado e limpinho.
As previsões meteorológicas que procurei inserir é que nem sempre têm estado a funcionar. Estão como o tempo: de chuva.
Fico à espera das vossas visitas.
Aproveitem bem os últimos dias de férias.
Penso que está mais arejado e limpinho.
As previsões meteorológicas que procurei inserir é que nem sempre têm estado a funcionar. Estão como o tempo: de chuva.
Fico à espera das vossas visitas.
Aproveitem bem os últimos dias de férias.
27 de dezembro de 2010
A fuga da família real para o Brasil (3)
A primeira invasão, comandada por Junot
«Em meados de Outubro [de 1807] chegaram mais más notícias: Junot (...) estava agora a dirigir-se a bom ritmo, através de Espanha, para Portugal.»
Mas como recorda o Barão de Marbot (do exército de Napoleão): «Junot entrou na Espanha a 17 de Outubro e mandou avançar as suas colunas por estradas que não tinham sido preparadas para as receber. Os nossos homens dormiam ao ar livre e só recebiam metade da ração. O Outono estava a chegar ao fim, as tropas atravessavam os Pirinéus, onde o clima é rigoroso e cedo a estrada ficou coberta de homens doentes e retardatários.»
«Sob um tempo atroz, Junot forçou o resto do exército a prosseguir a sua marcha através da península.»
Quando as tropas francesas passaram a fronteira de Portugal, foi enviado um emissário para tentar convencer Junot de que os ingleses estavam a ser expulsos de Portugal. O encontro foi junto ao rio Zêzere. O emissário «encontrou o exército invasor num estado deplorável, "miserável, com falta de tudo" e Junot atarefado a tentar requisitar calçado para os seus homens nas terras em volta. (...) Junot disse que tinha chegado para libertar Portugal dos britânicos.»
«Em meados de Outubro [de 1807] chegaram mais más notícias: Junot (...) estava agora a dirigir-se a bom ritmo, através de Espanha, para Portugal.»
Mas como recorda o Barão de Marbot (do exército de Napoleão): «Junot entrou na Espanha a 17 de Outubro e mandou avançar as suas colunas por estradas que não tinham sido preparadas para as receber. Os nossos homens dormiam ao ar livre e só recebiam metade da ração. O Outono estava a chegar ao fim, as tropas atravessavam os Pirinéus, onde o clima é rigoroso e cedo a estrada ficou coberta de homens doentes e retardatários.»
«Sob um tempo atroz, Junot forçou o resto do exército a prosseguir a sua marcha através da península.»
Quando as tropas francesas passaram a fronteira de Portugal, foi enviado um emissário para tentar convencer Junot de que os ingleses estavam a ser expulsos de Portugal. O encontro foi junto ao rio Zêzere. O emissário «encontrou o exército invasor num estado deplorável, "miserável, com falta de tudo" e Junot atarefado a tentar requisitar calçado para os seus homens nas terras em volta. (...) Junot disse que tinha chegado para libertar Portugal dos britânicos.»
Patrick Wilcken, Império à deriva
26 de dezembro de 2010
O Bolo Rei
Nesta época do ano, há um bolo que é muito popular em Portugal e está presente em quase todas as mesas de Natal – o Bolo Rei.
Ao pesquisar informações sobre o Bolo Rei, encontrei referências a um bolo idêntico que remontaria já à época do Império Romano.
Mas a maioria dos autores defende que o Bolo Rei terá surgido em França, no tempo de Luis XIV, para as festas do Ano Novo e do dia de Reis.
Na simbologia cristã, o Bolo Rei passou a significar os presentes dos Reis Magos ao Menino Jesus.
Em 1789, quando da Revolução Francesa, este bolo chegou a ser proibido, tendo mudado o nome por se viver um período em que os reis não eram bem queridos.
Em Portugal, foi na Confeitaria Nacional que se começou a confeccionar o Bolo Rei. Baltazar Rodrigues Castanheiro Filho, proprietário desta Confeitaria, fundada em 1829, na Praça da Figueira (Lisboa), trouxe de França a receita e, também, mestres confeiteiros que inovaram o fabrico dos bolos.
Cerca de 1870 ter-se-á começado a vender o Bolo Rei. Progressivamente, a sua moda difundiu-se por outras confeitarias lisboetas e pelo país.
Inicialmente, o Bolo Rei destinava-se à celebração dos Reis e, por isso, era confeccionado apenas na véspera do Dia de Reis, mas o êxito levou a que o seu consumo se estendesse a toda a quadra natalícia.
Com a Implantação da República em Portugal (1910), para não lembrar o regime monárquico, ainda passou a ter a designação de Bolo Nacional, Bolo de Natal ou Bolo de Ano Novo.
O Parlamento chegou a propor a alteração do nome do Bolo Rei para Bolo República. Também havia quem o quisesse designar por “Bolo Presidente” ou “Bolo Arriaga”(referência a Manuel de Arriaga, primeiro Presidente da República).
Com o tempo, a tradição prevaleceu e o Bolo Rei continua a ser... Bolo Rei.
Ao pesquisar informações sobre o Bolo Rei, encontrei referências a um bolo idêntico que remontaria já à época do Império Romano.
Mas a maioria dos autores defende que o Bolo Rei terá surgido em França, no tempo de Luis XIV, para as festas do Ano Novo e do dia de Reis.
Luís XIV, o "Rei Sol"
Na simbologia cristã, o Bolo Rei passou a significar os presentes dos Reis Magos ao Menino Jesus.
Em 1789, quando da Revolução Francesa, este bolo chegou a ser proibido, tendo mudado o nome por se viver um período em que os reis não eram bem queridos.
Em Portugal, foi na Confeitaria Nacional que se começou a confeccionar o Bolo Rei. Baltazar Rodrigues Castanheiro Filho, proprietário desta Confeitaria, fundada em 1829, na Praça da Figueira (Lisboa), trouxe de França a receita e, também, mestres confeiteiros que inovaram o fabrico dos bolos.
Cerca de 1870 ter-se-á começado a vender o Bolo Rei. Progressivamente, a sua moda difundiu-se por outras confeitarias lisboetas e pelo país.
Inicialmente, o Bolo Rei destinava-se à celebração dos Reis e, por isso, era confeccionado apenas na véspera do Dia de Reis, mas o êxito levou a que o seu consumo se estendesse a toda a quadra natalícia.
Com a Implantação da República em Portugal (1910), para não lembrar o regime monárquico, ainda passou a ter a designação de Bolo Nacional, Bolo de Natal ou Bolo de Ano Novo.
O Parlamento chegou a propor a alteração do nome do Bolo Rei para Bolo República. Também havia quem o quisesse designar por “Bolo Presidente” ou “Bolo Arriaga”(referência a Manuel de Arriaga, primeiro Presidente da República).
Com o tempo, a tradição prevaleceu e o Bolo Rei continua a ser... Bolo Rei.
23 de dezembro de 2010
22 de dezembro de 2010
A fuga da família real para o Brasil (2)
«Em 1807, no auge das guerras napoleónicas, o príncipe regente português, D. João, tomou uma decisão extraordinária. Apesar de horrorizado com a ideia de uma viagem marítima, optou por transferir toda a corte e o governo para a maior colónia de Portugal, o Brasil.
Com as tropas francesas a apertarem o cerco a Lisboa, um total de 10.000 aristocratas, ministros, sacerdotes e criados sobe a bordo das frágeis embarcações da frota portuguesa. Após uma difícil viagem transatlântica sob escolta britânica, desembarcam imundos, cheios de piolhos e esfarrapados, para grande surpresa dos súbditos do Novo Mundo.»
Com as tropas francesas a apertarem o cerco a Lisboa, um total de 10.000 aristocratas, ministros, sacerdotes e criados sobe a bordo das frágeis embarcações da frota portuguesa. Após uma difícil viagem transatlântica sob escolta britânica, desembarcam imundos, cheios de piolhos e esfarrapados, para grande surpresa dos súbditos do Novo Mundo.»
Da apresentação do livro de Patrick Wilcken, Império à deriva
17 de dezembro de 2010
Férias do Natal
O 1.º Período chegou ao fim.
Os alunos entraram de férias.
E todos entrámos noutro período: o do Natal.
As invasões franceses ficam em suspenso. Aliás, nas nossas aulas já corremos com o Massena.
Mas fica o convite para frequentarem este sítio, aproveitando o facto de estarem com mais tempo livre. Irei procurar pôr aqui algumas "coisinhas" leves.
Para todos...
Os alunos entraram de férias.
E todos entrámos noutro período: o do Natal.
As invasões franceses ficam em suspenso. Aliás, nas nossas aulas já corremos com o Massena.
Mas fica o convite para frequentarem este sítio, aproveitando o facto de estarem com mais tempo livre. Irei procurar pôr aqui algumas "coisinhas" leves.
Para todos...
BOAS FÉRIAS E BOAS FESTAS
14 de dezembro de 2010
A fuga da família real para o Brasil (1)
Despachada a Ficha de Avaliação - ainda falta saber os resultados! - temos o exército francês a regressar a casa, como disse o Moisés (6.º 10) numa das respostas, e a corte portuguesa no Brasil.
Há um livro interessante sobre a viagem da família real para o Brasil e a sua estada aí. Ainda é um bocadinho "pesado" para vocês, mas tem passagens curiosas. Chama-se Um Império à deriva e foi escrito por Patrick Wilcken, um australiano.
Há um livro interessante sobre a viagem da família real para o Brasil e a sua estada aí. Ainda é um bocadinho "pesado" para vocês, mas tem passagens curiosas. Chama-se Um Império à deriva e foi escrito por Patrick Wilcken, um australiano.
Depois, eu transcrevo umas passagens.
7 de dezembro de 2010
Ficha de Avaliação (1.º Período - 2.ª ficha)
Conforme disse na aula, poderão ver aqui os objectivos da próxima ficha de avaliação - aquilo que devem saber
Este documento poderá servir de guião ao vosso estudo, isto é, poderá orientá-lo.
Podem imprimi-lo e ir registando o que já estudaram e/ou o que já sabem.
Espero que vos seja útil.
Fico à espera de bons resultados.
Bons estudos e bom feriado.
Este documento poderá servir de guião ao vosso estudo, isto é, poderá orientá-lo.
Podem imprimi-lo e ir registando o que já estudaram e/ou o que já sabem.
Espero que vos seja útil.
Fico à espera de bons resultados.
Bons estudos e bom feriado.
5 de dezembro de 2010
Curiosidades - Exposição “Membros Portugueses da Royal Society"
Na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra está patente, até ao 28 de Fevereiro de 2011, a exposição “Membros Portugueses da Royal Society".
A Royal Society é a mais antiga sociedade científica do mundo ainda em actividade, tendo sido criada há 350 anos – em Novembro de 1660, na cidade de Londres. Foram seus criadores 12 homens que pretendiam aprofundar o estudo experimental da Natureza.
Em 1662, o rei inglês Charles II, casado com D. Catarina de Bragança (filha do rei D. João IV) decidiu que a sociedade se tornasse Sociedade Real.
Dela fizeram parte cientistas como Isaac Newton e Darwin, mas também cientistas portugueses (25 no total, o último dos quais um matemático do princípio do século XIX). E são esses portugueses que a exposição destaca.
A carta foi escrita pela mão da rainha, em português, porque ela não sabia inglês, assim como D. Carlos não sabia português.
D. Catarina iria para Inglaterra num navio da armada inglesa - na exposição há, também, uma gravura que mostra a grandiosidade do cortejo - mas D. Carlos II nem sequer foi recebê-la à chegada, mandando o irmão.
O casamento correu mal...
Como sei que na turma do 6.º 10 a Ana Carolina é uma fã de D. Catarina, esta é uma mensagem quase personalizada.
Mas é válida para todos os curiosos
Ana: o texto da carta está parcialmente transcrito no livro que andas a ler.
4 de dezembro de 2010
As invasões francesas no cabeçalho
Novo tema, nova imagem no cabeçalho...
A propósito das invasões francesas, a imagem que representa momentos da batalha do Buçaco, disputada a 27 de Setembro de 1810. Fez 200 anos.
O centenário da República ofuscou o 2.º centenário de batalhas decisivas travadas com os franceses, quando da 3.ª e última invasão, comandada por Massena, em 1810.
No Slideshow sucedem-se imagens de 6 batalhas travadas entre o exército luso-inglês e o exército francês.
Estas batalhas integram-se no que se chamou Guerra Peninsular.
3 de dezembro de 2010
Invasões Francesas - Apresentação e Jogos
Novidades!
Sobre as Invasões Francesas:
1 - Disponibilizo aqui a apresentação passada na aula
2 - Encontram jogos aqui - procurem o tema As Invasões Francesas
Espero que vos seja útil.
É possível que possam aparecer informações sobre a ficha de avaliação nos dias mais próximos. Estejam atentos.
Bom fim-de-semana...
1 de dezembro de 2010
1 de Dezembro - Dia da Restauração
Estava-se em 1640 e a Espanha dominava Portugal.
Reinava Filipe IV de Espanha (Filipe III de Portugal).
Mas desde finais de 1638 que parte da nobreza portuguesa começou a organizar uma conspiração.
D. João, duque de Bragança, devia ser o seu chefe, mas hesitava em assumir essa liderança.
Finalmente, em Novembro de 1640, D. João deu o seu apoio aos conspiradores.
Na manhã do dia 1 de Dezembro um grupo de nobres atacou o palácio real de Lisboa e prendeu a duquesa de Mântua (nomeada vice-rainha de Portugal por Filipe IV, seu avô).
Reinava Filipe IV de Espanha (Filipe III de Portugal).
Mas desde finais de 1638 que parte da nobreza portuguesa começou a organizar uma conspiração.
D. João, duque de Bragança, devia ser o seu chefe, mas hesitava em assumir essa liderança.
Finalmente, em Novembro de 1640, D. João deu o seu apoio aos conspiradores.
Na manhã do dia 1 de Dezembro um grupo de nobres atacou o palácio real de Lisboa e prendeu a duquesa de Mântua (nomeada vice-rainha de Portugal por Filipe IV, seu avô).
Palácio Real - em 1.º plano a torre mandada construir por D. Filipe I (imagem virtual)
D. João foi aclamado como rei - D. João IV - mas só alguns dias mais tarde entrou em Lisboa, fazendo o juramento solene como rei a 15 de Dezembro de 1640.
Seguiram-se 28 anos de guerra com Espanha - a Guerra da Restauração - para assegurar a independência.
Em 1668 foi finalmente assinado o Tratado de Madrid, reconhecendo a Espanha a legitimidade da monarquia portuguesa.
O apoio a D. João IV não foi unânime. Havia quem preferisse ficar sob o domínio espanhol.
Mas isso são outras histórias, mais complexas, que não vêm agora a propósito.
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